
A Universidade Federal de Viçosa (UFV) abriu uma sindicância para apurar pichações homofóbicas e de cunho religioso que apareceram nos banheiros do Centro de Vivência, no campus na Zona da Mata.
De acordo com a assessoria da instituição, as mensagens surgiram há cerca de um mês e meio, como mostram as fotos publicadas em rede social e cedidas pela assessoria da instituição ao G1.
No início de maio foi aprovada uma moção de repúdio pelo Conselho Universitário, a partir de encaminhamento feito por movimentos sociais organizados de estudantes.
A pró-reitoria está investigando os possíveis autores e deve basear as ações na Lei dos Direitos Humanos, na Constituição Federal e no Regimento Geral da UFV, que permite a expulsão de estudantes que infrinjam direitos humanos. O G1 tentou contato por telefone com a Polícia Civil para saber se o caso também é investigado pela corporação, mas as ligações não foram atendidas.
Segundo informações publicadas no site da UFV, a pró-reitora de Assuntos Comunitários (PCD), Sylvia Franceschini, destacou que a instituição não vai tolerar nenhum caso de preconceito dentro do campus e que este e qualquer outra ocorrência serão punidas de forma exemplar. O G1 entrou em contato com a pró-reitora para mais informações, mas foi informado de que ela estava em reunião na parte da manhã.
A nota publicada pela UFV ainda diz que o movimento Primavera nos Dentes, que reúne a comunidade de alunos homossexuais na instituição, as redes sociais de estudantes e outros grupos organizados estão solidários à causa e devem ajudar na investigação dos autores das frases homofóbicas.
Outra
pichação registrada pelos alunos e publicadas na rede social foi
denunciada ao Conselho Superior da UFV (Foto: Reprodução/ TV Integração)De acordo com as informações divulgadas pela UFV, quase todas as pichações têm um cunho religioso, com frases que prometem as bênçãos divinas para assassinos de homossexuais. Algumas têm a assinatura do Movimento Contra os Homossexuais (MCH), a mesma sigla que aparece em pichações em muros e banheiros públicos da cidade.
"Gays são abominações da natureza que foram enviados à Terra para desvirtuar e sujar a Palavra de Deus. A própria Bíblia diz que os efeminados (gays) não herdarão o Reino do céu. Vamos ‘descriminar’ e perseguir homossexuais para servir a Deus e a Jesus Cristo!" e "Vamos matar homossexuais! Deus vai nos ajudar a ‘eterminar’ essa praga da face da terra!" - estas são duas das mensagens, inclusive com os erros de grafia e Português que foram escritas no banheiro do Centro de Vivência da UFV.
No mesmo prédio funciona a sede do Diretório Acadêmico dos Estudantes (DCE). Em entrevista ao G1, o integrante do Diretório, Marcos Tadeu Pereira Paiva, destacou que o movimento acompanha a apuração do caso e repudia a atitude.
“Isso fere todo o direito de liberdade individual. É crime de ódio. Na pichação estava caracterizado um grupo, mas a gente não considera que exista ainda de forma organizada. É uma situação desconfortável e problemática. A universidade e o movimento estudantil defendem a diversidade, a pluralidade e a aceitação, não podemos permitir que ocorra manifestações de um crime de ódio no prédio destinado às manifestações culturais e onde fica a sede do DCE”, disse.
As pichacões apareceram nos banheiros do Centro
de Vivência (dir) (Foto: CCS/UFV)
Segundo Marcos Tadeu Pereira Paiva, o DCE teve informações de que foram
entre seis e oito pichações registradas no período e denunciadas ao
Conselho Superior.de Vivência (dir) (Foto: CCS/UFV)
“As paredes já foram pintadas e vamos cuidar para que isso não se repita. O caso foi encaminhado para a apuração pela universidade através de uma sindicância. Acompanhamos junto com o Fórum de Combate às Repressões, formado por estudantes integrantes de diversos coletivos que atua contra este tipo de atitude”, ressaltou.
Além disso, a proposta é de que o caso promova uma discussão ampla no ambiente universitário. “O DCE e os representantes dos estudantes no Conselho encaminharam um projeto para realização de cursos de reciclagem para estudantes e para os professores para discutir as questões referentes a homofobia, machismo, de gênero e de sexo em geral, para todos estarem mais informados para tratar dos temas”, explicou.
Do G1 Zona da Mata
Nenhum comentário:
Postar um comentário