O Parlamento da Grécia decide nesta quarta-feira (15) se aceita ou não o
plano dos credores. Não dá para prever o resultado da votação. Vai ser
uma discussão difícil, nem o primeiro-ministro Alexis Tsipras acredita
no acordo e não sabe se poderá contar com os votos do seu partido. O
clima de desconfiança aumentou ainda mais depois que o FMI declarou que a
Grécia precisa de muito mais dinheiro para sair da crise. A reportagem é
de Ilze Scamparini.Atenas está vivendo um dia de grande tensão, com greve de 24 horas do funcionalismo, a primeira do governo de Alexis Tsipras, e muitos protestos previstos. No parlamento grego será votada parte das medidas de austeridade do novo plano de ajuda ao país e um novo jogo político começa a se formar, com 30 a 40 parlamentares do partido do governo que devem votar contra o pacote, mas Alexis Tsipras poderá ganhar o apoio de quase toda a oposição, e provavelmente conseguirá a aprovação do acordo.
Os pontos mais importantes que serão votados são o fim da isenção de imposto para as ilhas, a reforma da Previdência e aumento de impostos para alimentos como pão, leite e macarrão. Os ricos também serão taxados com novos impostos para barcos, aviões privados, carros de luxo e piscinas.
Em uma entrevista à TV pública, provavelmente a mais difícil da sua vida política, Alexis Tsipras defendeu o acordo assinado em Bruxelas como a única maneira de salvar a Grécia. Reconheceu que não gosta das medidas, mas acredita que com elas o país sairá da crise.
Afirmou que o seu ex-ministro das Finanaças, Yanis Varoufakis, que agora o critica publicamente, cometeu erros evidentes, que ser um grande estudioso não significa ser um bom político.
O Fundo Monetário Internacional pode não participar do plano de ajuda à Grécia. Um documento que a instituição mandou aos líderes europeus informa que em dois anos a dívida grega pode chegar a 200% do Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas pela nação. O fundo concluiu que o governo de Atenas precisa de muito mais dinheiro do que os 86 bilhões previstos e pediu a redução de parte substancial do débito.
O acordo deverá ser aprovado também por outros parlamentos europeus, como o alemão. O bloco corre para tentar resolver o empréstimo de emergência para a Grécia, que será concedido por alguns países. A Itália e França se colocaram à disposição. Segundo uma pesquisa, 51% da população apoiam o plano.
O Reino Unido se recusa a contribuir com esse fundo de emergência citado na reportagem, o que mostra a divisão dos europeus para lidar com a crise da Grécia.
Bom Dia Brasil
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