No sistema de corrupção vigente há décadas, a Odebrecht apareceu aqui e
ali em notícias desvendando ou insinuando armações. Noticiário,
digamos, modesto.
Mas sempre se supôs, e uns poucos souberam, que a empreiteira tinha
lugar garantido no pódio do esquema de suborno de servidores públicos,
com mandato parlamentar ou sem.
O complicado era provar.
Pois agora se anuncia a dita delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht.
Ele se disporia, na Operação Lava Jato, a contar o que fez, do lado corruptor.
Se contar tudo, sem selecionar alvos, prestará enfim um serviço ao país que ele e a Odebrecht
contribuíram para avacalhar.
Reiterando: se contar tudo, mas tudo mesmo.
Na democracia, não pode existir larápio inimputável.
Um bom começo é o empreiteiro Odebrecht explicar tim-tim por tim-tim as
tabelas apreendidas na mal denominada Operação Acarajé.
Por Mário Magalhães
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