quarta-feira, 18 de março de 2020

PAÍS PEDIU SOCORRO AO FMI: Médicos temem coronavírus na Venezuela, onde falta até água e sabão nos hospitais

Em meio à pandemia de coronavírus, as recomendações de lavar as mãos com água e sabão para reduzir a chance de contágio são amplamente repetidas no mundo todo. Mas na Venezuela, onde muitos hospitais passam a maior parte do tempo sem abastecimento de água e sem suprimentos tão básicos quanto sabão, isso nem sempre é uma opção.
Médicos venezuelanos estão alarmados com a chegada do vírus ao país, que há anos passa por uma forte crise política e econômica que deixou o sistema de saúde em estado crítico. Desde sexta-feira (13), foram registrados 33 casos da doença, sem mortes. O ditador Nicolás Maduro suspendeu voos internacionais e ordenou uma quarentena geral a partir desta terça (17).
Ele também pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) uma ajuda de US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões) para lidar com o coronavírus. A última vez que o país tinha pedido recursos ao FMI foi em 2001.
Jan Egeland, secretário-geral do Conselho Norueguês para os Refugiados, prevê um desastre. “Haverá uma catástrofe quando o vírus chegar às regiões da Síria, Iêmen e Venezuela, onde os hospitais foram destruídos e os sistemas de saúde entraram em colapso”, afirmou.
Segundo especialistas entrevistados pela Folha, a população está especialmente vulnerável porque está desnutrida e, com isso, mais suscetível a contrair a doença e a manifestá-la na forma grave.
Eles também lembram que o êxodo que espalhou mais de 5 milhões de venezuelanos pelo mundo, especialmente adultos jovens, deixou no país especialmente crianças e idosos, e esse último grupo é o de maior risco.
Citam, ainda, a falta de leitos de UTI e de energia para manter os equipamentos de terapia intensiva funcionando. Com esse quadro, alguns temem que a porcentagem de mortes em relação ao total de afetados possa ser maior do que em outros países.
Outro problema, afirmam, é que não confiam nas estatísticas informadas por Maduro, que vem sendo criticado por organizações nacionais e internacionais pela falta de transparência na divulgação de dados públicos.
Segundo a Federação Médica Venezuelana (FMV), somente 73 leitos de terapia intensiva estão funcionando hoje na Venezuela —sendo apenas 19 deles no setor público. A entidade afirma que seriam necessários ao menos 3.000 leitos para enfrentar a pandemia de coronavírus.
FOLHAPRESS

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