terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Bolsonaro elogia ditadores em cerimônia de Itaipu

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) elogiou, hoje, os ditadores Emílio Garrastazu Médici e Alfredo Stroessner, ex-presidentes do Brasil e do Paraguai, respectivamente, durante a cerimônia de posse do novo diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Anatalício Risden Junior.

Em seu discurso, Bolsonaro afirmou que os anos 1970, durante a ditadura militar no Brasil, “geraram grandes personalidades”. Na ocasião, afirmou que os ditadores foram “homens de visão”. Os dois militares governavam Brasil e Paraguai em 1973, quando foi assinado o tratado que viabilizou a construção da usina hidrelétrica.

“Itaipu, Emílio Garrastazu Médici juntamente com Alfredo Stroessner. A história não pode ser mudada, é uma realidade. Homens de visão, homens de futuro, que nos geraram, no caso aqui, Itaipu Binacional”, disse Bolsonaro, que é capitão reforma do Exército e saudosista do regime militar.

No mesmo discurso, Bolsonaro elogiou outro ex-ditador do Brasil, o general Ernesto Geisel, que sucedeu Médici na Presidência da República. “Por vezes a gente fica pensando o que seria do Brasil sem as obras dos anos 70. Aqui, Itaipu Binacional. Volvendo meus olhos para a pequena grande mulher Tereza Cristina [ministra da Agricultura], Alysson Paolinelli. Também os anos 70 geraram grandes personalidades. O nosso agronegócio hoje em dia é algo fantástico graças a esse homem que foi descoberto por nada mais nada menos que nosso prezado Ernesto Geisel”, afirmou Bolsonaro.

O general Médici governou o Brasil entre 1969 e 1974, considerado um dos períodos mais duros da ditadura no Brasil, com registros de torturas, desaparecimentos e mortes de opositores do regime. Já Stroessner governou o Paraguai entre 1954 e 1989. Ele morreu exilado em Brasília, aos 93 anos, em 2006. Em 1992, cerca de 700 mil documentos das forças de segurança do Paraguai foram tornados públicos.

Os documentos mostravam que o regime de Stroessner rotineiramente perseguia, sequestrava e torturava. O ditador foi acusado de mandar matar 423 opositores do regime ditatorial e torturar quase 19 mil pessoas. Também foi acusado de casos de pedofilia, durante os 35 anos que ficou no poder.


Blog do Magno

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