A reintegração de posse no terreno de 412 mil m² perto do Rodoanel, em
Osasco, na Grande São Paulo, entrou no segundo dia nesta quarta-feira
(10). Cerca de 100 policiais passaram a madrugada no local. Apesar de
mais barracos incendiados, não houve confrontos, como mostrou o Bom Dia
São Paulo.
De 12 mil a 15 mil pessoas viviam na Comunidade Nelson Mandela, segundo a PM. Boa parte deixou a área nos dias anteriores à reintegração de posse. Até a terça-feira (9), a estimativa era de que cerca de 3 mil famílias deixaram o local. Cerca de 30% dos moradores permanecem no terreno, mas a reintegração pode terminar nesta quarta.
Na terça-feira, as famílias deixaram seus barracos de madeira e casas de alvenaria pacificamente. Cerca de 700 policiais, sendo parte deles da cavalaria e da Tropa de Choque, participaram da ação.
Segundo os policiais, moradores colocaram fogo nos barracos em que moravam, após retirarem seus pertences, em sinal de revolta. Três adolescentes foram detidos por suspeita de incêndio. Segundo a polícia, eles têm 16,17 e 19 anos. A mãe do jovem de 17 anos disse que ele negou ter colocado fogo em barraco.
A área foi ocupada em fevereiro de 2014. Segundo Secretaria de Segurança Pública, a reintegração foi solicitada pela empresa Dias Martins S/A Mercantil e Industrial, proprietária da área. A desocupação foi determinada pela juíza Ângela Moreno Pacheco de Rezende Lopes, da 2ª Vara Cível do Foro de Osasco.
A Prefeitura de Osasco informou em nota que a ocupação fica no limite do município com Barueri. A parte do terreno que está em Osasco fica perto de um aterro sanitário e não é adequada para uso habitacional, diz o comunicado, porque “apresenta restrições ambientais com riscos severos à saúde e à segurança”, além de risco de deslizamento do solo.
Moradores disseram que não foram cadastrados em programas sociais da prefeitura. A administração afirmou que 1840 famílias foram cadastradas em programa de moradia. A Prefeitura disse ainda ter disponibilizado cerca de 40 caminhões para fazer as mudanças.
A cozinheira Ivaneide Moreira da Silva também invadiu o terreno (Foto: Letícia Macedo/G1)
A cozinheira Ivaneide Moreira da Silva, de 37 anos, mora há 14 anos em
um terreno próximo ao local onde ocorre a reintegração, mas também
invadiu o terreno para conseguir um pedaço de terra e construir um
barraco.
“Nós somos esquecidos. Ocupei aqui na tentativa de conseguir algo melhor. Em tempo de chuva, a gente tem que subir de carrinho de mão para pegar uma ambulância", afirma.
Ivaneide diz que quando invadiu o terreno estava grávida. "Moro lá embaixo onde Judas esqueceu as botas e esqueceu de buscar". "Aqui é mais perto do asfalto, da escola", diz
Polícia
Militar cumpre a ordem a Justiça para a reintegração de posse do
terreno ocupado na Comunidade Nelson Mandela, na divisa entre Osasco e
Barueri (Foto: Marcelo Gonçalves/ Estadão Conteúdo)
Já a moradora Valdeci Rodrigues, de 61 anos, retirou seus pertences na segunda-feira (8), mas retornou pela manhã para buscar suas plantas. "Eu gosto de planta. Estou levando só uns vasinhos com coentro, samambaia", disse.
O morador Tiago Ferreira dos Santos, de 21 anos, passou mal durante a reintegração de posse. Ele morava havia um ano no local com a mulher e o filho. "Trabalhei à noite e vim agora de manhã para pegar as minhas coisas. Vou levar para a casa da minha sogra por enquanto. Aluguel está caro e a maioria das casas não quer criança. A gente ficou até agora porque acreditou que ia dar certo, mas não deu."
Tiago Ferreira dos Santos passou mal durante a reintegração de posse (Foto: Letícia Macedo/G1)
Polícia Militar ocupa reintegração de posse em terrreno em Osasco (Foto: Letícia Macedo/G1)
Valdeci Rodrigues retirou seus pertences do barraco que ocupava (Foto: Letícia Macedo/G1)
PM acompanha reitengração de posse em Osasco, perto do Rodoanel (Foto: Reprodução/TV Globo)
Acesso ao Rodoanel foi fechado na Bandeirantes e Raposo Tavares (Foto: Reprodução/TV Globo)
reintegração interdita trecho do Rodoanel; moradores protestam (Foto: Reprodução)
Foco de incêndio em reintegração (Foto: Letícia Macedo/G1)
De 12 mil a 15 mil pessoas viviam na Comunidade Nelson Mandela, segundo a PM. Boa parte deixou a área nos dias anteriores à reintegração de posse. Até a terça-feira (9), a estimativa era de que cerca de 3 mil famílias deixaram o local. Cerca de 30% dos moradores permanecem no terreno, mas a reintegração pode terminar nesta quarta.
Na terça-feira, as famílias deixaram seus barracos de madeira e casas de alvenaria pacificamente. Cerca de 700 policiais, sendo parte deles da cavalaria e da Tropa de Choque, participaram da ação.
Segundo os policiais, moradores colocaram fogo nos barracos em que moravam, após retirarem seus pertences, em sinal de revolta. Três adolescentes foram detidos por suspeita de incêndio. Segundo a polícia, eles têm 16,17 e 19 anos. A mãe do jovem de 17 anos disse que ele negou ter colocado fogo em barraco.
A área foi ocupada em fevereiro de 2014. Segundo Secretaria de Segurança Pública, a reintegração foi solicitada pela empresa Dias Martins S/A Mercantil e Industrial, proprietária da área. A desocupação foi determinada pela juíza Ângela Moreno Pacheco de Rezende Lopes, da 2ª Vara Cível do Foro de Osasco.
A Prefeitura de Osasco informou em nota que a ocupação fica no limite do município com Barueri. A parte do terreno que está em Osasco fica perto de um aterro sanitário e não é adequada para uso habitacional, diz o comunicado, porque “apresenta restrições ambientais com riscos severos à saúde e à segurança”, além de risco de deslizamento do solo.
Moradores disseram que não foram cadastrados em programas sociais da prefeitura. A administração afirmou que 1840 famílias foram cadastradas em programa de moradia. A Prefeitura disse ainda ter disponibilizado cerca de 40 caminhões para fazer as mudanças.
A cozinheira Ivaneide Moreira da Silva também invadiu o terreno (Foto: Letícia Macedo/G1)“Nós somos esquecidos. Ocupei aqui na tentativa de conseguir algo melhor. Em tempo de chuva, a gente tem que subir de carrinho de mão para pegar uma ambulância", afirma.
Ivaneide diz que quando invadiu o terreno estava grávida. "Moro lá embaixo onde Judas esqueceu as botas e esqueceu de buscar". "Aqui é mais perto do asfalto, da escola", diz
Polícia
Militar cumpre a ordem a Justiça para a reintegração de posse do
terreno ocupado na Comunidade Nelson Mandela, na divisa entre Osasco e
Barueri (Foto: Marcelo Gonçalves/ Estadão Conteúdo)Já a moradora Valdeci Rodrigues, de 61 anos, retirou seus pertences na segunda-feira (8), mas retornou pela manhã para buscar suas plantas. "Eu gosto de planta. Estou levando só uns vasinhos com coentro, samambaia", disse.
O morador Tiago Ferreira dos Santos, de 21 anos, passou mal durante a reintegração de posse. Ele morava havia um ano no local com a mulher e o filho. "Trabalhei à noite e vim agora de manhã para pegar as minhas coisas. Vou levar para a casa da minha sogra por enquanto. Aluguel está caro e a maioria das casas não quer criança. A gente ficou até agora porque acreditou que ia dar certo, mas não deu."
Tiago Ferreira dos Santos passou mal durante a reintegração de posse (Foto: Letícia Macedo/G1)
Polícia Militar ocupa reintegração de posse em terrreno em Osasco (Foto: Letícia Macedo/G1)
Valdeci Rodrigues retirou seus pertences do barraco que ocupava (Foto: Letícia Macedo/G1)
PM acompanha reitengração de posse em Osasco, perto do Rodoanel (Foto: Reprodução/TV Globo)
Acesso ao Rodoanel foi fechado na Bandeirantes e Raposo Tavares (Foto: Reprodução/TV Globo)
reintegração interdita trecho do Rodoanel; moradores protestam (Foto: Reprodução)
Foco de incêndio em reintegração (Foto: Letícia Macedo/G1)
PMs chegaram em caminhões para acompanhar a reintegração (Foto: Reprodução/TV Globo)
Do G1 São Paulo
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