segunda-feira, 11 de maio de 2026

Padilha rebate politização de decisão da Anvisa sobre produtos da Ypê e alerta para risco de ingestão de detergente

 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (11) que a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender temporariamente lotes de produtos da marca Ypê teve caráter exclusivamente técnico e não possui qualquer motivação política.

A declaração foi dada após a circulação de vídeos nas redes sociais que tentaram associar a medida da agência reguladora a supostas divergências ideológicas, depois da divulgação de que proprietários da empresa teriam realizado doações para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Segundo Padilha, a atuação da Anvisa seguiu critérios técnicos previstos na legislação sanitária brasileira. “A Anvisa não tem lado de governo, não tem lado partidário, não tem lado A ou B”, afirmou o ministro durante entrevista à imprensa.

O chefe da pasta da Saúde destacou ainda que a análise dos produtos também envolveu o sistema de vigilância sanitária do estado de São Paulo, administrado pelo governador Tarcísio de Freitas, aliado político de Bolsonaro.

Padilha ressaltou ainda que o diretor da Anvisa responsável pela área que recomendou a suspensão dos produtos, Daniel Meirelles, foi indicado durante o governo Bolsonaro e exerceu funções no antigo governo federal. Segundo ele, isso reforça o caráter técnico da decisão.

Na última quinta-feira (7), a Anvisa publicou resolução determinando a suspensão da fabricação e o recolhimento de determinados lotes de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca Ypê, todos com numeração final 1. A medida ocorreu após identificação de irregularidades em etapas do processo produtivo.

Dois dias depois, na sexta-feira (9), os produtos foram liberados novamente após recurso apresentado pela empresa. Apesar da liberação, a recomendação para que consumidores não utilizem os lotes afetados permanece válida até a conclusão do recolhimento oficial.

A repercussão do caso provocou uma onda de publicações nas redes sociais. Em alguns vídeos, apoiadores da direita apareceram consumindo detergente em protesto contra a decisão da Anvisa. O ministro criticou duramente a prática e alertou para os riscos à saúde.

“As pessoas não devem beber detergente de nenhuma marca. Muito menos fazer videozinho sobre isso. É desinformação e coloca vidas em risco”, declarou Padilha.

O Ministério da Saúde também orientou que os consumidores mantenham os produtos interditados armazenados em local seguro até que a empresa conclua o recolhimento dos lotes envolvidos.

Fonte: CartaCapital

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