Com quase 2 milhões de pessoas declaradas evangélicas, Pernambuco possui um dos maiores eleitorados ligados a essa tradição religiosa no país. Segundo dados do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os evangélicos representam 25,18% da população pernambucana com 10 anos ou mais, o equivalente a 1.969.412 pessoas.
O tamanho desse segmento faz com que o eleitorado evangélico tenha relevância nas estratégias das campanhas eleitorais, especialmente na disputa pelo Governo do Estado. Candidatos de diferentes correntes políticas costumam buscar aproximação com lideranças religiosas e comunidades evangélicas, em uma tentativa de ampliar o diálogo com esse expressivo grupo da população.
De acordo com o cientista político Alex Ribeiro, a capacidade de mobilização das igrejas e as redes de relacionamento construídas nas comunidades contribuem para aumentar a importância desse eleitorado durante as eleições.
Na avaliação do especialista, entretanto, a aproximação dos candidatos com os evangélicos não deve se limitar ao período eleitoral nem se resumir a discursos religiosos. Segundo Ribeiro, as candidaturas com maior receptividade tendem a ser aquelas que demonstram respeito à diversidade das expressões de fé e apresentam propostas concretas para os principais problemas enfrentados pela população.
Não existe um voto evangélico único
Apesar do peso numérico, o eleitorado evangélico não pode ser tratado como um bloco político uniforme. Diferenças de denominação, faixa de renda, região de residência e realidade socioeconômica influenciam as prioridades e escolhas dos eleitores.
Para Alex Ribeiro, um dos principais erros cometidos pelas campanhas é considerar os evangélicos um grupo homogêneo, com comportamento eleitoral previsível.
Na Região Metropolitana do Recife, por exemplo, questões como segurança pública, saúde, transporte e mercado de trabalho tendem a ocupar espaço importante nas preocupações dos eleitores. Já no interior do estado, a proximidade entre lideranças religiosas, políticas e comunitárias pode exercer maior influência sobre o ambiente eleitoral, segundo o cientista político.
Um eleitorado estratégico para 2026
Com a aproximação das eleições de 2026, o peso demográfico dos evangélicos deve fazer com que esse segmento continue sendo alvo de atenção dos partidos e candidatos que disputarão cargos majoritários e proporcionais em Pernambuco.
Mais do que buscar um suposto “voto evangélico”, porém, a disputa passa pela capacidade das candidaturas de dialogar com um eleitorado diverso, que possui diferentes demandas, prioridades e posições políticas.
Nesse cenário, a influência das igrejas e de suas lideranças tende a permanecer como um dos elementos relevantes do processo eleitoral pernambucano, sem que isso signifique, necessariamente, uma uniformidade nas escolhas dos fiéis.
Fonte: Diário de Pernambuco, com informações e análise atribuídas ao cientista político Alex Ribeiro. Dados demográficos: IBGE/Censo 2022.
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