segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Rands: “É preciso condenar os erros de Putin e do Ocidente”

 

Por Houldine Nascimento, repórter do Blog

Ex-deputado federal, o advogado Maurício Rands espera que Rússia e Ucrânia cheguem a um acordo de cessar-fogo em breve. Há cinco dias, militares russos invadiram o território ucraniano. 

"O mundo todo está esperando por isso", afirma Rands em entrevista ao programa Frente a Frente, que vai ao ar hoje. "É possível que estas negociações que estão sendo abertas na fronteira entre a Ucrânia e Belarus, que é governada por um autocrata que serve a Putin, tenham condição de estabelecer aquilo que já devia ser feito: a Ucrânia passaria a ser um estado neutro", prossegue.

O advogado escreveu um artigo sobre o tema, que foi publicado mais cedo no Blog. Conforme ele explica, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tem alegado que o ingresso da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – a aliança militar ocidental – consistiria em uma ameaça à soberania e segurança estratégica dos russos, uma vez que o país poderia ter bases militares. 

Ainda de acordo com Maurício Rands, Putin argumenta que há uma hostilidade à etnia russa dentro do solo ucraniano. "Putin faz um paralelo com a Crise dos Mísseis em Cuba", explica. "Houve muito erro dos EUA e do Ocidente, que tiveram muita arrogância. Essa ideia de fazer um estado neutro na fronteira entre os países que pertencem oficialmente à Otan e a Rússia deveria ser perseguida há algum tempo", complementa.

"No meu artigo, explico que um erro não justifica o outro. É preciso que a gente condene os erros de Putin e o Ocidente, liderado pelos EUA, que têm uma política de imposição por vezes", diz Rands.

Para ele, surpreendeu o nível de resistência da Ucrânia e a pressão internacional tende a levar a Rússia a um acordo: "Aquilo que os russos antecipavam que seria um passeio não se confirmou pela resistência do povo ucraniano. Da mesma forma, pelo apoio com a remessa de armas e a pressão internacional. Os plutocratas que apoiam Putin já estão sofrendo as consequências porque estão com os bens bloqueados na Europa e nos EUA. Isso começa a pressionar Putin para levar a sério uma negociação."

Na sua visão, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sai fortalecido do episódio. "Resta ver como vai ficar a situação de Zelensky do poder. Ele saiu fortalecido internamente com o seu povo porque soube liderar a resistência", comenta.

O ex-deputado também critica a existência da aliança militar do Ocidente. "O princípio de acordo é que a Ucrânia renuncie sua pretensão de ingressar na Otan, que não tem mais razão de ser. Ela foi feita no tempo da Guerra Fria e a política deveria ser de desfazimento. Ao invés de desfazer, foi aumentando: 30 membros. Dá pretexto a Putin e os russos terem essa política de expansão nas suas fronteiras", conclui.

SOBRE O FRENTE A FRENTE

A entrevista vai ao ar logo mais, a partir das 18 h, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por mais de 40 emissoras em Pernambuco, Alagoas e Bahia. Se você deseja ouvir pela internet, clique no botão Rádio acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.


Via Blog do Magno

Bancada do Amazonas anuncia ações para barrar redução do IPI

 

Ao se manifestar sobre o Decreto 10.979, de 25 de fevereiro de 2022, que impôs um corte linear de 25% das ali?quotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), senadores e deputados federais do Amazonas afirmaram que a medida embute um impacto danoso a? competitividade do Polo Industrial de Manaus, uma vez o IPI e? a a?ncora do modelo - o maior atrativo das indústrias que se instalam na ZFM. 

O texto fala em “quebra de confiança” ao lembrar do compromisso não cumprido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua secretária de Produtividade, Daniella Marques, de que os produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus seriam protegidos.  Parlamentares também lembraram que, ao mesmo tempo em que o presidente Jair Bolsonaro verbaliza ser a favor do modelo de desenvolvimento, emite decretos que o fragilizam e causam desemprego e perda de atividade econo?mica. 

“Alguns políticos e o ministro Paulo Guedes dizem que o Amazonas deveria depender menos da Zona Franca. Concordo. Só que se perdermos as vantagens comparativas da Zona Franca perderemos a indústrias e 100 mil empregos diretos e mais de 400 mil indiretos que o modelo gera em meses ou até dias. Já para construir uma nova matriz econômica fundada na bioeconomia ou na indústria de softwares duraria anos”, afirma o vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PSD).

Para ele, o resultado imediato do decreto presidencial será o agravamento do desemprego e da fome no Amazonas. 

Ações no STF e TSE – Marcelo Ramos detalhou as duas medidas que a bancada amazonense ajuizará. Uma delas será junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio de representação por crime eleitoral contra o presidente Jair Bolsonaro pedindo a suspensão dos efeitos do decreto que reduz as alíquotas de IPI, com base na lei 9.504, que veda a concessão de beneficio em ano eleitoral. Outro recurso será no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que o decreto é inconstitucional, pois não preserva as vantagens comparativas da ZFM, expressas na carta Magna e reconhecidas pelo STF.


Via Blog do Magno

Brasil pede cessar-fogo imediato na Ucrânia

 

O Brasil reforçou a posição contrária à guerra na Ucrânia durante sessão extraordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), hoje, em Nova York. Durante discurso, o embaixador brasileiro Ronaldo Costa Filho pediu uma negociação diplomática "a favor da paz" no país invadido por tropas russas.

 "Reiteramos nosso pedido para um cessar-fogo imediato", declarou Costa Filho. O brasileiro afirmou ainda que a comunidade internacional precisa "fazer o que for preciso antes que seja tarde demais". Segundo ele, não há motivos de segurança que justifiquem o uso da força pela Rússia.

As informações são do g1.



Via Blog do Magno

Guerra digital: a grande novidade do conflito

 

Por Murilo Marinho de Souza*

A grande novidade dos conflitos na Ucrânia não são os aviões, tanques, mísseis nem granadas. Nem tampouco os milhares de mortos nem os refugiados.

Por ser um dos confrontos de maiores proporções mundiais desde a guerra fria, é o primeiro onde as redes sociais e a internet são peças fundamentais no tabuleiro do jogo bélico e na intercomunicação entre tropas, população, governos e familiares.

Estratégias de dissiminação de informações falsas de ambos os lados, cada uma com os seus interesses e estratégias, ficou mais evidente do que nunca.

Não é a toa que, em vez de tentar cortar a energia das cidades, desta vez a Russia atacou as instalações de telecomunicações, deixando a Ucrânia às "escuras" e sem internet.

O bilionário americano Elon Musk, dono da automobilística Tesla, das espaçonaves Space X e dos satélites Starlink, numa jogada também de autopromoção, alimentou a Ucrânia com internet via satélite redirecionando suas máquinas que orbitam a Terra para lá.

O grupo de Hackers Anonymous declarou guerra à Russia e invadiu diversas TVs, órgãos estatais e rádios, alterando as suas programações com conteúdos que seriam "a verdade" sobre a guerra.

O Google, Youtube e Facebook restringiram anúncios do governo russo em suas redes. Em retaliação, o próprio governo russo bloqueou parte do Facebook e do Twitter em seu território, com acusações de censura.

O aplicativo russo de mensagens Telegram, que não faz parte deste rol de empresas ocidentais nesta guerra digital, é peça fundamental na defensiva russa. O Telegram é um dos alvos do Tribunal Superior Eleitoral que promete banir o App das eleições presidenciais deste ano no Brasil.

Do lado econômico, e de forma inédita estão tentando banir os bancos russos do sistema SWIFT, que é por onde se transferem valores internacionalmente, eliminando assim fornecedores russos do jogo internacional. As transferências internacionais antigamente feitas através de ordens de pagamento cheias de extensos formulários e que demoravam dias para compensar, hoje são via SWIFT em segundos. A saída deste sistema praticamente restringe o banco a transferir entre as suas próprias agências.

Não sou contra as sanções à Russia nem a favor da guerra.

Mas seria papel das empresas privadas de tecnologia e que prestam serviços para todo o mundo tomar uma posição sobre conflitos bélicos? Ou dizer o que é ou não informação falsa dentro de uma guerra?

É correto usar o sistema bancário em forma de retaliação de guerra?

Ou mesmo usar o "espaço aéreo orbital" da terra de forma privada, seja em qual interesse for?

Neste contexto a China pode não estar errada em ter o seu próprio Google (Baidoo), o seu próprio Facebook e as suas próprias redes sociais que não sirvam a interesses ocidentais.

São coisas que precisam começar a ser pensadas, regulamentadas e discutidas pelos países.

*Publicado no jornal O Poder


Via Blog do Magno

CPI só vale se for contra o governo do PT?

 


Azevedo trabalhou contra a leitura do relatório da CPI (Foto: João Gilberto)


Carlos Eduardo revive pesadelo da inelegibilidade após se aproximar de Fátima

 


Carlos Eduardo é novamente ameaçado com inelegibilidade (Foto: autor não identificado)

A sombra da inelegibilidade voltou a assombrar o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT) após dez anos. Por incrível que pareça a motivação é a mesma no ponto de vista jurídico e passa por gestos políticos do pedetista.

No primeiro caso como em 2012, Carlos Eduardo Alves teve parecer desfavorável do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em relação as contas de 2009 que foram reprovadas. A decisão foi referendada pela Câmara Municipal de Natal, o que lhe deixaria inelegível.

Graças a uma liminar que adormeceu no judiciário potiguar, Carlos pôde disputar as eleições de 2012 e ser reeleito em 2016.

O problema político na época se deu porque mesmo com uma desaprovação histórica, a então prefeita de Natal Micarla de Sousa controlava o parlamento. Para piorar a situação, Carlos atacou os edis em diversas entrevistas e numa delas comparou eles a um palito de fósforo queimado.

Como em 2012, mais uma vez é um parecer desfavorável de suas contas no TCE assombra o pedetista. Agora é relativo ao exercício orçamentário de 2015. Carlos teria excedido o limite de R$ 113 milhões para abertura de crédito suplementar, chegando a abrir mais de R$ 320 milhões. “Por muito menos, Dilma foi cassada. É improbidade administrativa. Então isso é de uma ordem gravíssima, porque ele mesmo já foi reeleito, cometendo crimes de improbidade”, disse na 96 FM o vereador Raniere Barbosa (Avante), presidente da Comissão de Finanças e Fiscalização da Câmara Municipal de Natal.

O assunto veio à tona justamente após Carlos Eduardo Alves sinalizar entendimento com a governadora Fátima Bezerra (PT) para compor chapa com a petista sendo candidato ao Senado, posto que será disputado com o ministro do desenvolvimento Regional Rogério Marinho (PL), que conta com o apoio do prefeito de Natal Álvaro Dias (PSDB).

Para piorar, Carlos Eduardo chegou a declarar que invocaria a fidelidade partidária para tomar o mandato do presidente da Câmara Municipal Paulinho Freire caso ele deixe o PDT. Em seguida foi plantada a notícia de que os vereadores estavam discutindo a implantação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a gestão do ex-prefeito na Secretaria de Trânsito e Transporte Urbano (STTU).

Não demorou muito para Carlos recuar e admitir a liberação de Paulinho Freire para mudar de partido.

O jogo é bruto e o fantasma da inelegibilidade voltou a rondar Carlos Eduardo Alves.


Blog do Barreto

O xadrez de Fátima que atordoou a oposição

 Por William Robson*

Há quem não concorde com a chegada de Carlos Eduardo ao grupo da governadora Fátima Bezerra. Gente do próprio partido da mandatária, o PT. A deputada federal Natália Bonavides e o vice-presidente da sigla, Daniel Valença, são alguns dos que já se manifestaram contra. Segmentos internos também torceram o nariz. Afinal, aliar-se com um Alves (meio distante, é verdade, mas consanguíneo) faz qualquer petista engolir o discurso de contribuir para a ressurreição de uma oligarquia mais longevas no Estado.

Enfim, a controvérsia ganhou forma desde que Carlos Eduardo foi cogitado a substituir o senador Jean-Paul Prates e buscar a vaga no Senado nas eleições deste ano e mantê-la com o grupo. Embora seu desembarque não fora ainda definitivamente anunciado, a fumaça já se dissipou e Carlos Eduardo já fala por aí como integrante do grupo de Fátima, ora criticando o que ele já denomina “oposição”, ora recebendo o apoio do PV, partido da base aliada do Governo.

Com a chegada de Carlos Eduardo, Fátima jogou o xadrez e aplicou um “xeque” (quase um xeque-mate) na oposição. Tirou a principal figura da corrida, a que poderia ameaçá-la na corrida eleitoral. Todas as pesquisas até o final do ano passado, conduziam para este panorama. Em agosto, no levantamento Consult/Tribuna do Norte, publicada em agosto, em eventual 2º turno, Carlos Eduardo teria 33,9% e Fátima Bezerra 28,9% dos votos. Em outubro, o Instituto Perfil realizou pesquisa sob encomenda do Agora RN. No primeiro turno, Fátima aparecia com 30,51%, contra 22,75% de Carlos Eduardo. Em outubro, o Instituto Real Time Big Data mostrou a fragilidade da governadora em Natal (20% das intenções de voto), onde Carlos Eduardo é mais forte (27%) e o prefeito Álvaro Dias se destacava na segunda posição (25%).

Ou seja, não haveria clima de tranquilidade para Fátima com Carlos Eduardo em seu encalço. Ainda mais, quando as sondagens demonstravam seu inalterável capital eleitoral, não superando os 30%. Além dos 70% dos votos que estariam voando, parte deles era consideravelmente voltados à rejeição a seu nome.

A oposição, por outro lado, tinha o melhor candidato e de  real competitividade, porém, não acreditava tanto assim. Carlos Eduardo chegou a afirmar que foi, por várias vezes, procurado, mas sempre era “escolhido” um outro substituto.

A oposição bobeou, perdeu tempo e a vez. Carlos Eduardo começou as conversas com o grupo da governadora. E, no que pese os pesares, foi oferecida a possibilidade de sentar na cadeira hoje ocupada por Jean. A jogada de Fátima, controvertida para o seu grupo, na verdade, neutralizou a oposição. Esvaneceu qualquer ameaça com possibilidade real de enfrentamento. O xadrez da governadora deixou seus adversários atordoados.

Na resistência interna, as reclamações, os desafios de Jean para Carlos entrar no ringue e disputas com outros integrantes do clã Alves (ao que tudo indica, as conversas ainda seguem para outra direção…). Prevaleceu a estratégia de Fátima de impor aos oponentes a difícil tarefa de encontrar um nome forte sob estas novas condições. Tarefa muito difícil mesmo. Mas, como dito neste texto, Fátima aplicou um “xeque”, não um “xeque-mate”.

*É jornalista e professor.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.


Blog do Barreto

Engavetamento da CPI da Arena das Dunas que investigava suspeitas de 420 milhões de reais de dano ao erário é atestado da moral de ocasião na política do RN

 


Azevedo e Tomba deixaram o moralismo de lado na CPI da Arena das Dunas (Fotomontagem: Blog do Barreto)

Por Daniel Menezes*

CPI da Arena das Dunas foi engavetada. Trata-se da moral de ocasião política no RN. Estamos falando de suspeitas de 420 milhões de reais em danos ao erário, conforme a controladoria do estado. Comparando a CPI da Covid na AL a coisa fica mais didática.

Com a CPI da Covid, o regimento foi alterado para que as sessões fossem transmitidas, já que o regimento anterior impedia. Ampla cobertura da imprensa e muito discurso de combate à corrupção. Falas absolutamente iradas podiam ser ouvidas nas rádios da cidade, aquelas que defenderam ivermectina durante a pandemia e eram contrárias ao isolamento.

A CPI, que durou 126 dias, pediu o indiciamento do secretário de saúde de Natal e da governadora, em que pese todos os contratos terem sido aprovados pelo TCE e pelo MP.

Agora, com a CPI da Arena das Dunas a transmissão foi vetada e o tempo de duração permitido foi de 60 dias. Com direito a parecer da procuradoria da casa, após provocação do suplente da comissão Getúlio Rego, que foi líder do governo Rosalba, a que fechou o contrato com a suspeita de quase meio bilhão. O regimento utilizado foi o velho. Quer algo mais auto-explicativo do que isto?

Lembra, caro leitor, dos pronunciamentos ensandecidos do Coronel Azevedo? Pois bem, ele votou pelo arquivamento do relatório que pedia indiciamentos dos possíveis culpados. Já esqueceu de Tomba falando em combate à corrupção na CPI da Covid? Ele também votou pela gaveta como destino do relatório.

A estridência anticorrupção é assim. Cai quem quer por interesse. Ou por ingenuidade.

Um dos maiores crimes do Rio Grande do Norte, a derrubada de um estádio e de um ginásio recém reformados, para um estado pobre se endividar por duas décadas, foi para a lata de lixo da história.

*É sociólogo e professor da UFRN

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.


Blog do Barreto

A volta dos jogos de azar e a questão da lavagem de dinheiro

Por Rogério Tadeu Romano*

A Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional (CEDN) concluiu no dia 16 de dezembro de 2015, em turno suplementar, votação favorável ao Projeto de Lei do Senado 186/2014, que regulamenta a exploração dos jogos de azar. A proposta autoriza o funcionamento no país de cassinos e bingos, além de legalizar jogos eletrônicos e o jogo do bicho.

O texto aprovado foi o substitutivo proposto pelo relator, senador Blairo Maggi (PR-MT). O projeto, que faz parte da Agenda Brasil, recebeu decisão terminativa e por isso deve seguir para análise na Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso — endossado por pelo menos nove senadores — para que a decisão final seja em Plenário.

O PLS 186/2014 traz a definição dos tipos de jogos que podem ser explorados, os critérios para autorização e as regras para distribuição de prêmios e arrecadação de tributos. Também estabelece que serão credenciadas no máximo dez casas de bingo por município. Os cassinos vão funcionar junto a complexos turísticos construídos especificamente para esse fim, juntamente com hotéis e restaurantes.

Segundo o autor do projeto, senador Ciro Nogueira (PP-PI), é incoerente dar um tratamento diferenciado para o jogo do bicho e, ao mesmo tempo, permitir e regulamentar as modalidades de loteria federal hoje existentes. Segundo ele, as apostas clandestinas no país movimentam mais de R$ 18 bilhões por ano.

Fala-se que esse retorno desses cassinos seria um instrumento para salvar o orçamento deficitário de prefeituras e estados da federação.

Segundo a Veja, em sua edição em 25 de novembro de 2021, há quatro projetos de lei em trâmite no Senado. A ideia é transformar locais da costa do Rio de Janeiro ao Nordeste numa versão nacional do que são Las Vegas, nos Estados Unidos, Cancún, no México, e Macau, na China. Um dos defensores mais veementes desse plano é o senador Flávio Bolsonaro.  Em julho deste ano, ainda segundo a Veja, ele recebeu uma proposta da prefeitura de Angra dos Reis, no estado do Rio, para impulsionar o ecoturismo da região. O resort integrado com cassino seria instalado na Estação Ecológica de Tamoios, gerando empregos e impostos.

Recentemente a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do Projeto de Lei (PL) 442/91 que legaliza os chamados jogos de azar no Brasil. A proposta revoga lei de 1946 que proíbe a exploração dessas atividades em todo o território nacional e autoriza a exploração de cassinos, bingos, jogo do bicho e jogos on-line, mediante licenças em caráter permanente ou por prazo determinado.

A prática dessas atividades, segundo o texto, também deixa ser tipificada como contravenção pela Lei de Contravenções Penais. Atualmente, os jogos de azar são punidos com pena de prisão simples, de três meses a um ano e multa. Enquanto no jogo de bicho as penas variam de quatro meses a um ano e multa. O PL aprovado tem origem em projeto apresentado em 1991. Nesta semana, o presidente da Câmara, Arthur lira (PP-AL), estabeleceu a pauta como uma prioridade frente a outras propostas, como a Lei das Fake News e o chamado projeto Paulo Gustavo, já aprovado no Senado.

Os argumentos a favor são os mesmos de antigamente: é preciso acabar com a hipocrisia, o jogo já existe no Brasil; vai gerar empregos e renda; o Estado vai lucrar arrecadando impostos com a legalização; o brasileiro não vai mais jogar no exterior.

Os jogos de azar no Brasil são proibidos desde 30 de abril de 1946, por força do decreto-lei 9.215, sob o argumento de que o jogo é degradante para o ser humano.

Há um projeto que determina que entre 60% e 70% do arrecadado vá para a premiação, 7% para os Estados, 3% para os municípios, e o restante, para a empresa autorizada a explorar a atividade do jogo. Segundo se apurou, a proposta geraria uma arrecadação aproximada de R$ 20 bilhões ao ano. Caso o governo encampe a ideia, a tendência é que altere o texto reservando parte da tributação para a União.

A legalização do jogo geraria cerca de 200 000 empregos no país, segundo o senador Irajá

Abreu (PSD-TO), dono de um dos projetos que tramitam no Senado. Além de se perder o norte da ética, a volúpia arrecadatória leva a um triste consórcio da tributação com os jogos de azar e a lavagem de dinheiro.

Atualmente, alguns setores da sociedade brasileira defendem a legalização dos jogos de azar, levantando três argumentos: que a invocação aos “bons costumes” utilizada na proibição dos jogos de azar não tem mais valor na atual ordem jurídica brasileira, que os jogos de azar gerariam empregos e que a lavagem de dinheiro ocorre em qualquer atividade econômica, não apenas nos jogos de azar. Existe um projeto de lei denominado PL 2 826/2008, que foi levado à processo de tramitação na Câmara dos Deputados, que trata da legalização dos jogos de azar no Brasil.

O que mais caracteriza o jogo de azar está no § 3º, letra a, do art. 50 da Lei de Contravencoes Penais. Assim, segundo aquela norma, consideram-se jogos de azar: “a) o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte; b) as apostas sobre corrida de cavalos fora do hipódromo ou de local onde sejam autorizadas; c) as apostas sobre qualquer outra competição esportiva”.

Com a nova sistemática, o crime de lavagem de dinheiro pode ter como delito antecedente os chamados ¨jogos de azar¨.

Tem-se a lição de Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado, tomo VI, 1ª edição, Campinas/SP, Bookseller, 2000, pág. 75), na linha de B. Windscheid (Lehbuch, 9ª edição, II, 885 s), para quem, na aposta há certeza ou incerteza das afirmações, que os contrapõem, e cada um se submete à pena, se não tinha razão; no jogo, o que está em causa é o êxito de atividade empreendida pelos contraentes, o ser ou não ser, o dar-se ou não se dar algum fato, de que depende ganhar um, ou o outro ganhar.

O artigo 50 da Lei de Contravencoes penais fala em jogo de azar, que é estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele. É o que se vê nas atividades de ¨jogos de bingo¨.

O argumento de que a medida trará maior arrecadação para os cofres públicos é “falacioso”. A volta dos jogos de azar poderá deixar as “portas escancaradas” para os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Será a rendição para o crime organizado.

Junta-se a atividade do jogo ilegal aos tipos já conhecidos como tráfico de drogas e contrabando de armas, tráfico de influência, crimes previstos contra o sistema financeiro nacional (Lei 7.492/86 de competência da Justiça Federal), crimes contra a Administração da Justiça, Crimes contra a Lei de Licitações(Lei 8.666/93), os crimes praticados pelo funcionário público contra a Administração (peculato, etc), entre outros, na categoria de delito antecedente.

Por outro lado, se pune o organizador de ¨rifa¨ em quermesse que oculta os seus rendimentos, desde que faça atividade de jogo ilegal e dissimule um capital ilícito. O mero oferecimento de ¨rifa¨ é figura atípica, tal a sua insignificância penal.

Não é que o ¨jogo do bicho¨, por exemplo, passe a ser crime. Ele continua a ser contravenção, mas pode ser delito antecedente de crimes de lavagem de dinheiro.

O produto direto do crime de lavagem de dinheiro é o resultado imediato da delinquência, que, a partir da nova lei, vem de forma aberta e não mais fechada. Podem ser objeto de lavagem de bens, produto ou proveito de infrações anteriores. O proveito é o resultado útil mediato da operação, ganho, lucro. Tal o imóvel adquirido com o dinheiro oriundo da atividade de tráfico de entorpecentes , de venda ilegal de armas, de atividade de rufianismo, de apostas ilegais, etc.

Basta o nexo de causalidade entre o crime antecedente e os bens, objeto material da lavagem, adotando-se os pressupostos teóricos da teoria da equivalência de condições.

Por outro lado, a experiência que foi captada recentemente com os jogos com o do bingo são algo que, por si só, deixaram revelados os perniciosos caminhos dessa prática.

Portanto essa solução, independente das questões morais que devem ser objeto de debate, é um convite à lavagem de dinheiro, algo que deve ser combatido com veemência na sociedade contemporânea.

Se isso não bastasse, eu já vi esse filme, onde famílias se angustiam com o vício que retira seus parcos recursos de casa em prol de gerentes de banca, trazendo a desgraça para uma casa de família.

Assim como álcool ou cocaína, jogo pode causar dependência. A inclusão oficial do vício em jogatina no rol das patologias foi em 1992, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou o jogo compulsivo no Código Internacional de Doenças.

Numa sociedade que já perdeu de muito a vergonha e que tem a leniência como um dos pontos de sustentação, tudo pode acontecer.

*É procurador da Republica aposentado com atuação no RN.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema.


Blog do Barreto

Tanques russos se aproximam de Kiev, mas a guerra já está perdida para Putin: virou um pária

 


As tropas de Vladimir Putin se aproximam de Kiev, enfrentando mais resistência do que imaginavam. A marcha, que avança sobre inocentes produzindo um banho de sangue, como as imagens que correm o mundo mostram, não conseguirá ser detida pelos voluntários ucranianos. Se for necessário, o russo poderá devastar o país, como já fez na Chechênia (1991). Esse cenário de horror é possível. Seria uma solução mais drástica do que as ocupações controladas da Georgia (2008) e da Crimeia (2014), subtraída da própria Ucrânia.

Ao contrário do que propagandeia, Putin não tem medo da instalação de mísseis ocidentais nesses países. Sua maior preocupação é com o avanço democrático nos vizinhos. Contra isso, ele subjuga as ex-repúblicas soviéticas e instala fantoches autoritários, como acontece na Belarus. Para seu projeto de poder, é uma ameaça ter democracias na vizinhança. Ele está de olho na própria estabilidade interna.

Para mascarar a atual carnificina, Putin proibiu os órgãos de imprensa locais (apenas uma TV não oficial sobrevive) de se referir ao conflito como uma guerra, precisou esmagar protestos contra a invasão que reuniram milhares de russos em São Petersburgo e restringiu o Facebook e o Twitter no país. É bom lembrar que os principais líderes de oposição, ou jornalistas independentes, foram assassinados ou envenenados pelo regime. Um deles, Alexei Navalny, sobreviveu a um atentado, mas foi encarcerado na Sibéria. Desde o fim do comunismo e a extinção da KGB (antigo empregador do atual presidente), nunca foi tão grande a repressão política na Rússia, que tem eleições forjadas.

Putin achou que se beneficiaria do antigo arsenal soviético, além das enormes reservas de petróleo, para restabelecer o império russo. Procurou esmagar levantes populares pró-democracia na Belarus e na própria Ucrânia. Tentou desestabilizar a democracia americana com uma guerra cibernética que ajudou a colocar Donald Trump no poder, seguido de autocratas pelo mundo. Mas não conseguiu impedir que o Leste europeu continuasse sua marcha democrática. A Otan, antes desacreditada, hoje está fortalecida. Países que não cogitavam ingressar na aliança militar, como Suécia e Finlândia, hoje consideram essa opção.

Ao invés de mudar a geopolítica mundial a seu favor, o russo virou um pária internacional. União Europeia e EUA se realinharam, depois de anos de estremecimento. Os líderes radicais que o russo patrocinou nos últimos anos foram constrangidos pela guerra e ficaram isolados na sua defesa: Matteo Salvini (Itália), Marine Le Pen e Éric Zemmour (França), Nigel Farage (Reino Unido), Alexander Gauland (Alemanha), Bolsonaro e o próprio Trump.

O ex-presidente americano, que ainda mantinha o controle do partido Republicano, perdeu essa sustentação ao dizer que a guerra na Ucrânia tinha sido uma ação “genial” do antigo aliado: precisou se retratar e condenar a invasão, o que seu amigo brasileiro ainda não teve coragem de fazer. Na triste companhia desses extremistas ficou a antiga esquerda, inclusive no Brasil. A guerra poderá no fim poderá ter esse efeito colateral benéfico: enterrar a nostalgia comunista e os novos candidatos a tirano, recolocando o mundo no caminho democrático.

IstoÉ

Não é com torcida única que se combate violência no futebol

 


Primeiro foi o atentado contra o ônibus, com estilhaços de uma bomba arremessada contra o veículo atingiram o rosto do goleiro Danilo Fernandes. O atentado foi fora da Fonte Nova, em uma avenida de Salvador e os marginais flagrados por uma câmera de segurança no momento do atentado.

Em Porto Alegre outro atentado, desta feita contra o ônibus do Grêmio.

“Torcedores” do Internacional apedrejaram o ônibus do Grêmio quando chegada no estádio. Pedras grandes foram jogadas na janela do ônibus, quebrando completamente o vidro e machucando jogadores, principalmente o paraguaio Mathías Villasanti que atingido por uma pedra, sofreu traumatismo craniano, e está sob cuidados no Hospital Moinhos de Vento.

Os ataques foram em um intervalo de dois dias e deixaram claro que é preciso que seja deflagrada uma ação em nível nacional de forte combate às organizadas reconhecidamente envolvidas em casos de violência. CBF, STJD, as forças policias, MP e Justiça precisam agir para punir a minoria que provoca violência no futebol. Punir a minoria e não a maioria, como fizeram no Rio Grande do Norte, estabelecendo torcida única nos clássicos, como se isso resolvesse alguma coisa.

Os casos de Salvador e Porto Alegre não foram nos estádios



CEARÁ-MIRIM LIVRE

Deputado pede que MP Eleitoral investigue Bolsonaro e Tarcísio

 


O deputado Ivan Valente, do PSol de SP, pediu que o Ministério Público Eleitoral apure se Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, fizeram propaganda eleitoral antecipada na última quinta-feira (24/2) no interior de São Paulo. O evento foi transmitido pela TV Brasil, da estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Durante a cerimônia, o locutor da festa de Peão de Barretos, Cuiabano de Lima, pediu uma oração pelo “futuro político do ministro Tarcísio” e encerrou sua participação gritando o número de urna de Bolsonaro no PL. “Põe no 22 aí”.

“Não é a primeira vez que o presidente Jair Messias Bolsonaro pratica atos caracterizados como campanha antecipada em atos do governo. Como se não fosse suficiente, o ministro da Infraestrutura se oportuniza também de atos do governo para se promover, visando sua pretensão à candidatura”, escreveu o deputado. Bolsonaro é pré-candidato à reeleição na Presidência, enquanto Tarcísio é pré-candidato ao governo paulista.

Além de crime eleitoral, Valente pediu que o Ministério Público Eleitoral investigue se Bolsonaro e Tarcísio cometeram improbidade administrativa. Se o procurador-geral eleitoral, Augusto Aras, avançar na apuração, o processo será enviado ao Tribunal Superior Eleitoral.


CEARÁ-MIRIM LIVRE

Diretor de Esporte do Força e Luz é retirado pela polícia após tentar agredir quarto árbitro

 



O Diretor de Esporte do Força e Luz, Júnior da Rocha, foi retirado do Estádio Barretão após tentativa de agressão ao quarto árbitro da partida, Carlos Alberto de Berto (CEAF), na tarde deste domingo (27).

O ato aconteceu depois que um membro da comissão técnica do Time Elétrico ter sido expulso. Júnior, então, foi tirar satisfação com Carlos Alberto de maneira efusiva, quando tentou bater no rosto do quarto árbitro. No mesmo minuto, o diretor foi levado para fora da área técnica por um membro do Força e Luz.

Os seguranças da partida, que também fazem a segurança da comissão de arbitragem, acabaram levando Júnior Rocha para dentro da viatura da Polícia Militar no final do jogo.

O fato aconteceu durante o confronto entre Força e Luz x Globo, pelo Campeonato Potiguar, que acabou com a vitória da águia de Ceará-Mirim pelo placar de 3x1.


CEARÁ-MIRIM LIVRE

Sabrina Sato posa com fantasia mínima e eleva temperatura na web

 

Ao lado de Duda Nagle, a apresentadora curtiu a abertura do Carnaval do Rio de Janeiro e sensualizou nas redes sociais.

No último sábado de Carnaval (26), aconteceu no Rio de Janeiro uma prévia dos desfiles de abril deste ano e a musa Sabrina Sato participou do evento ao lado da sua escola de samba carioca.

A apresentadora sensualizou ao aparecer com uma fantasia de flor mínimia e desfilou com a Vila Isabel. Duda Nagle também estava presente e, mais uma vez, o casal acabou com os rumores de separação.

Sabrina posou com uma calcinha metálica bem cavada e elevou a temperatura na web. Nos comentários, ela recebeu uma chuva de elogios. "Uauuuu perfeitaaa", disse uma. "Deusaaa", disparou outra. Confira:




CEARÁ-MIRIM LIVRE

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