segunda-feira, 28 de junho de 2021

EUA bombardeiam milícias iranianas no Iraque e na Síria

 Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, ataques mataram pelo menos 5 combatentes

Essa foi a segunda vez que o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, ordenou o uso da força contra milícias iranianas no Iraque e na Síria.

Os Estados Unidos anunciaram, nesse domingo (27.jun.2021), a realização de um ataque contra milícias iranianas localizadas no Iraque e na Síria. Segundo o Pentágono, a ofensiva foi em resposta a ataques com drones carregados com explosivos feitos por milícias apoiadas pelo Irã contra militares norte-americanos que estão no Iraque.

Sob a orientação do presidente [Joe] Biden, as forças militares dos EUA, no início desta noite, conduziram ataques aéreos de precisão defensivos contra instalações usadas por grupos milicianos apoiados pelo Irã na região da fronteira entre o Iraque e a Síria”, disse o porta-voz do Pentágono, John F. Kirby.

Ainda segundo o órgão, os EUA atingiram 2 alvos na Síria e 1 no Iraque. Os locais bombardeados são bases operacionais e depósitos de armamentos de milícias, como Kataib Hezbollah e Kataib Sayyid al-Shuhada.

A ONG (organização não-governamental) Observatório Sírio dos Direitos Humanos informou que os bombardeios realizados pelos EUA nesse domingo mataram pelo menos 5 combatentes.

Essa foi a 2ª vez que o governo do presidente norte-americano Joe Biden ordenou o uso da força na região. No final de fevereiro, os EUA realizaram ataques aéreos no leste da Síria em retaliação a ataques de foguetes contra tropas norte-americanas no Iraque.

O jornal The New York Times divulgou pelo menos outros 5 ataques contra forças norte-americanas com drones desde abril deste ano.

O Irã apoia milícias na região e tem usado esses grupos na tentativa de pressionar os EUA em relação às negociações do programa nuclear iraniano.

Em janeiro do ano passado, sob o comando do ex-presidente Donald Trump, os EUA mataram o general iraniano Qassem Suleimani em um bombardeio no Iraque. Suleimani coordenava o apoio do regime iraniano a milícias na região. O assassinato enfraqueceu as relações diplomáticas entre os países.

O ataque desse domingo (27.jun) aconteceu no momento em que EUA e Irã buscam consenso em relação ao cumprimento de um acordo nuclear internacional. Trump retirou o país norte-americano do acordo em 2018 e Biden está tentando retomá-lo.


Poder360

Especialistas defendem dose de reforço para quem tomou vacina da Janssen

 Medida é aventada nos Estados Unidos por receio da variante Delta

A vacina da Janssen é de dose única. A Johnson & Johnson, fabricante da substância, testa a eficácia do imunizante contra a variante Delta

Quem tomou a vacina da Janssen, nos Estados Unidos, talvez precise de uma dose de reforço do imunizante da Pfizer ou da Moderna. A possibilidade foi aventada por Andy Slavitt, ex-consultor do presidente norte-americano Joe Biden sobre a pandemia, de acordo com reportagem da agência Reuters desse domingo (27.jun.2021).

O receio de Slavitt e de pelo menos outros 5 especialistas em doenças infecciosas é que uma única dose de vacina (como a da Janssen) não seja eficaz o suficiente contra a variante delta da covid-19. A cepa foi identificada pela 1ª vez na Índia e é mais contagiosa.

Rochelle Walensky, diretora do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), alertou que a Delta pode se tornar a variante predominante nos EUA.

O CDC, contudo, ainda não recomenda doses de reforço para quem tomou a Janssen. Afirma que não há evidências significativas sobre possível redução da eficácia das vacinas.

O  NIAID (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos) realiza um ensaio para determinar a necessidade de doses de reforço da vacina Moderna para todos os imunizantes já autorizados no país. A expectativa é que os resultados sejam divulgados até setembro.

A Johnsson & Johnsson, fabricante da Janssen, informou que avalia a eficácia da sua vacina especificamente contra a variante Delta, mas ainda não há dados disponíveis.

Tanto a vacina da Moderna quanto a da Pfizer usam a tecnologia de RNA mensageiro e demonstraram eficácia superior a 95% em estudos feitos nos Estados Unidos. Já a da Janssen teve eficácia de 66% para casos moderados e graves, considerando a circulação de variantes mais contagiosas.


Poder360

“Crime de prevaricação está caracterizado”, diz Randolfe sobre Covaxin

 Senador afirma que a questão para o governo Bolsonaro não era ideologia e sim corrupção

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, afirmou que a comissão entra em uma nova fase agora

O vice-presidente da CPI (Comissão de Inquérito Parlamentar) da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que o crime de prevaricação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “já está caracterizado” para ele e para outros integrantes da comissão.

O próprio presidente da República tem conhecimento do que está em curso e não se mexe, não se mobiliza. O crime de prevaricação, no meu entender e no entender da maioria dos membros da CPI, já está caracterizado”, disse Randolfe em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta 2ª feira (28.jun.2021).

O senador fala sobre os depoimentos do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, o servidor da Saúde Luis Ricardo Miranda. Eles disseram que Bolsonaro foi avisado em 20 de março de possíveis irregularidades na compra da vacina Covaxin. Segundo os irmãos, o presidente tinha afirmado que iria comunicar Polícia Federal sobre o caso, mas não o fez.

O vice-presidente da CPI repetiu que os senadores irão acionar a PGR (Procuradoria Geral da República) e o STF (Superior Tribunal Federal) sobre a prevaricação. Ele afirma que o envolvimento de Bolsonaro vai além da suposta citação pelo presidente do envolvimento do líder do Governo na Câmara Ricardo Barros (PP-PR), já que o próprio Bolsonaro foi avisado das supostas irregularidades.

Randolfe afirmou que, com a sessão de 6ª feira (25.jun), a CPI entrou em uma nova fase. “A CPI, a partir de agora, é CPI da Covid/Covaxin. Todo esse enredo de equívocos no enfrentamento da pandemia, até agora nós pensávamos que era ideologização e incompetência. Agora, nós encontramos um elemento novo: corrupção.

O vice-presidente da CPI da Covid também afirma que o caso da Covaxin não vai se limitar aos depoimentos dos irmãos Miranda. O senador afirmou que as investigações serão aprofundadas para saber se existem mais crimes além da prevaricação e se mais pessoas estão envolvidas.

Randolfe também disse que a CPI irá pedir ao Ministério da Saúde informações sobre a vacina da CanSino e a intenção de compra anunciada pelo governo. A compra também conta com um intermediário, como a Covaxin.

Nós estamos abrindo uma vertente nova. Agora, corrupção passa a ser foco. Não somente pela situação e circunstância da Covaxin.” O senador afirmou que a comissão também vai analisar as informações bancárias e fiscais das OSs (Organizações Sociais), que atuavam nos hospitais do Rio de Janeiro, além de possíveis lucros que farmacêuticas tiveram com a hidroxicloroquina no Brasil.

Apesar disso, o senador afirma que há a possibilidade da CPI não comprovar irregularidades. “Na política e nas investigações, a gente parte de indícios. Os indícios posteriormente são confirmados ou não.” Mas diz também que o caso da Covaxin vai além da CPI, já que está sendo investigado pelo MPF (Ministério Público Federal).

Randolfe também afirma que, para ele, os crimes contra a ordem sanitária, charlatanismo, prevaricação e negligência já estão comprovados. Para ele, vai estar na mão de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, responsável a dar seguimento a processos de impeachment, e de Augusto Aras, procurador-geral da República, tomar as devidas providências.

Eu defendo que o relatório [da CPI, que será entregue a Aras e Lira] tenha três tons: 1º, a responsabilização criminal; o 2º, a responsabilidade política; e o 3º, se confirmada a ocorrência dos crimes de lesa humanidade e/ou genocídio, ao Tribunal Penal Internacional.


Poder360

Mercado estima inflação em 5,97% e crescimento do PIB em 5,05% em 2021

 É a 12º vez consecutiva que a projeção da inflação para o ano tem alta

A estimativa para o PIB também continuou sua sequência de altas nesta semana

O mercado financeiro aumentou, pela 12º vez consecutiva, a estimativa para a inflação deste ano. Na semana passada, a expectativa era que o índice chegasse a 5,9% até o fim de 2021. Agora, a estimativa é de 5,97%.

As estimativas foram divulgadas no Boletim Focus, do BC (Banco Central) nesta 2ª feira (28.jun.2021). Eis a íntegra (276 KB).

A meta para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é de 3,75% neste ano, com o mesmo intervalo de tolerância, de 1,5 ponto percentual para mais e para menos (de 2,25% para 5,25%). O Boletim Focus indica que a inflação ficará acima do teto da meta.

Para frear a alta da inflação, como foi registrada em maio, principalmente com o aumento do preço de remédios e da energia elétrica, o BC está aumentando a taxa básica de juros, a Selic. Em junho, o Copom (Comitê de Política Monetária) subiu a taxa de 3,5% para 4,25%.

Na última 5ª feira (24.jun), o BC indicou que a Selic ficará acima das expectativas do Boletim Focus. Atualmente, o mercado prevê a taxa de 6,5%, mesmo valor da projeção anterior.

A estimativa do Focus para o PIB (Produto Interno Bruto) também cresceu no novo boletim, de 5% para 5,05%. É o 10º aumento consecutivo na expectativa de crescimento da economia brasileira. A estimativa para o PIB de 2022 também cresceu. De 2,10% para 2,11%.

No 1º trimestre de 2021, a economia brasileira cresceu 1,2%, quando comparado ao anterior, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado foi melhor do que o esperado pelo mercado.

A taxa de câmbio permaneceu estável. A cotação do dólar permaneceu em R$ 5,10.


Poder360

Bolsonaro diz que emenda para a Covaxin é de Aziz e Randolfe

 O presidente também repetiu que as eleições de 2022 serão fraudadas por causa da urna eletrônica

Em conversa com seus apoiadores na manhã desta 2ª feira (28.jun.2021), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que a emenda que possibilitou a importação da vacina Covaxin foi de autoria dos senadores da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid. Ele citou os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e  Renildo Calheiros (PC do B-PE), irmão de Renan Calheiros (MDB-AL).

“Inventaram a corrupção virtual, né? Não recebemos uma dose, não pagamos um centavo. Mas a emenda para a Covaxin veio deles, Randolfe como relator, do irmão do Renan e do próprio Omar Aziz”, disse ele. Também afirmou que ninguém que quer superfaturar algo faz um preço 1.000% maior, pois todos iriam perceber.

O presidente afirmou que o preço pago pela Covaxin foi praticado em outros países. “Nada fizemos de errado”, disse. Ele afirmou ainda que não tem como saber o que acontece em cada ministério, mas que confia em seus ministros.

Bolsonaro se referia as emendas a MP (medida provisória) 1026/2021, de fevereiro deste ano. A medida permite a importação e distribuição de vacinas que ainda não tem o registro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e conta com emendas de diversos congressistas.

O presidente também aproveitou o momento para repetir que o sistema eleitoral brasileiro é fraudulento. Assim como em outros momentos, ele não apresentou provas de qualquer fraude nas eleições brasileiras. “A gente não muda o Brasil se não tiver um sistema de votação confiável”, disse.

Bolsonaro também voltou a dizer que “tiraram” o ex-presidente Lula (PT) da prisão para que ele seja presidente de forma fraudulenta. “A fraude não vai ser só para presidente, vai ser para governador, senador, deputado”.

O presidente também afirmou que as pesquisas que indicam liderança de Lula são utilizadas contra ele na mídia. Bolsonaro mencionou a pesquisa do Ipec, que mostrou Lula com 49% e ele com 23%.

Em cima disse, falam que ‘como o Bolsonaro é grosso, fala palavrão, as mulheres não votam nele, vão votar no Lula’”, disse ele. Em seguida, o presidente fez um comentário de cunho racista: “Não quero falar aqui o que o Lula falou… sobre mulheres do cabelo duro”.

A fala de Lula citada por Bolsonaro não dizia respeito ao cabelo das mulheres. Em 2016, em uma conversa grampeada entre Lula e o ex-ministro Paulo Vannucchi, o ex-presidente disse: “Cadê as mulheres do grelo duro do nosso partido?”. Lula se referia às petistas Fátima Bezerra e Maria do Rosário, quem ele chamava para acompanhar de perto Douglas Kirchner, um dos procuradores que o investigavam.

Bolsonaro também falou sobre a sua filiação partidária. Sua possível ida ao Patriota tem sido motivo de desavenças dentro da sigla.”O ideal é que não precisasse de um partido para disputar as eleições. Os partidos, todos têm seus problemas”, disse.

Mas o presidente descartou uma candidatura independente. “Por mim, eu já tinha escolhido um partido. O PSL mesmo, mas uma minoria fazendo besteira, então tive que sair de lá.”


Poder360

ONU indica racismo sistêmico em ações policiais no Brasil

 Organização cita a morte de Luana Barbosa, João Pedro Matos e Marielle Franco

Policia militarers em frente ao Palácio do Buriti, sede do governo do DF

Relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre violência policial contra pessoas negras destaca racismo sistêmico na polícia brasileira. O Brasil é citado 5 vezes no documento de 22 páginas, que foi divulgado nesta 2ª feira (28.jun.2021). Eis a íntegra (539 KB), em inglês.

A ONU analisou a morte de 250 pessoas negras, das quais pelo menos 190 foram resultado de ações de agentes de segurança. Na maioria dos casos, as vítimas não representavam ameaça que pudesse justificar o nível de força usada contra elas.

VÍTIMAS NO BRASIL

O relatório cita as mortes de Luana Barbosa dos Reis Santos e de João Pedro Mattos Pinto, ambos negros. Luana se recusou a ser revistada por um batalhão da Polícia Militar, uma vez que não havia uma policial mulher para executar a revista. Ela morreu em decorrência de lesões cerebrais causadas por espancamento. O caso ocorreu em 2016.

João Pedro morreu em 2020. O adolescente de 14 anos estava dentro de casa durante uma operação das polícias Federal e Civil do Estado do Rio de Janeiro.

O relatório da ONU também cita a morte da vereadora Marielle Franco, em março de 2018. De acordo com o documento, ela é um exemplo das pessoas que sofrem represálias por lutar contra o racismo.

A organização avaliou como “promissora” decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de limitar ações policiais em favelas do Rio de Janeiro. O número de mortes nas favelas do Rio de Janeiro caiu 72,5% no mês em que as operações ficaram suspensas.

O QUE DIZ A ONU

Michelle Bachelet, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, pediu aos países que “parem de negar e comecem a desmantelar o racismo”. Ela também alertou que o racismo sistêmico “precisa de uma resposta sistêmica”.

A ONU lista 4 eixos para promover a equidade étnica:

  1. Reverter a cultura de negação do racismo sistêmico e acelerar o ritmo de mudanças;
  2. Acabar com a impunidade de forças de segurança que violam direitos humanos;
  3. Garantir que ativistas afro-descendentes sejam ouvidos e que ações sejam adotadas para atender suas revindicações contra o racismo;
  4. Confrontar privilégios a pessoas não-negras decorrentes do racismo estrutural, incluindo reparação à população negra.

O informe começou a ser elaborado depois da morte de George Floyd. Ele não resistiu depois de ser asfixiado durante uma abordagem policial nos Estados Unidos, há pouco mais de 1 ano. A morte do homem negro desencadeou uma série de protestos contra racismo e o movimento “Black Lives Matter” (vidas negras importam, em português).


Poder360


Bolsonaro responde Guedes depois de crítica à inflação no regime militar

 Presidente diz que governo é feito de erros e acertos e elogia militares

Da dir. para esq.: a ministra Tereza Cristina (Agricultura), o presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, e o ministro Paulo Guedes (Economia)

O presidente Jair Bolsonaro rebateu em cerimônia nesta 2ª feira (28.jun.2021) críticas que o ministro Paulo Guedes (Economia) havia feito há pouco sobre a inflação no fim dos governos militares.

Ambos participavam do lançamento do Plano Safra, programa com linhas de crédito para os produtores rurais do país de 2021 a 2022, na sede do Banco do Brasil, em Brasília.

Inicialmente, Guedes afirmou que alguns planos econômicos deram errado no passado. Deu como exemplo os últimos anos do regime militar (1964-1985).

“Nosso financiamento agrícola era baseado em emissão de moeda. No final do governo militar, a inflação foi subindo em cima da teoria de que ‘vamos dar mais crédito para o campo que a comida vai ficar barata’. E, na verdade, foi ficando mais cara”, comentou o chefe da equipe econômica.

Guedes disse que agora o governo encontrou o eixo correto e o agronegócio se financia cada vez mais com recursos privados.

Bolsonaro falou ao seu subordinado que governos se fazem de “erros e acertos”. Na avaliação dele, o regime militar buscou investir na agricultura, mesmo que a inflação tenha acelerado nos anos seguintes.

“Aprendemos com a experiência dos outros, isso mostra que o povo é inteligente”, afirmou o chefe da República. Depois, citou que Alysson Paulinelli, ministro da Agricultura no governo Geisel, mandou para o exterior mais de 1.000 jovens para aprenderem agricultura.

Assista ao vídeo:

“Não existe satisfação melhor que servir a pátria. Se no final dos governos militares tivemos um pequeno problema com emissão de dinheiro também começou em meados do governo militar, com [Ernesto] Geisel, a crença na agricultura. O governo se faz de erros e acertos, em grande parte. E nós aprendemos com a experiência dos outros, isso mostra que o povo é inteligente”, disse Bolsonaro.








Poder360

“O presidente não é maluco, ele não vai mentir”, disse Miranda

 O deputado voltou a insinuar que tem uma gravação da conversa com o presidente

O deputado Luis Miranda afirmou que o presidente precisa dizer se ou o que fez sobre possíveis irregularidades na compra da vacina Covaxin

O deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou nesta 2ª feira (28.jun.2021) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “não é maluco” e não irá mentir sobre o conteúdo da conversa entre eles. O deputado voltou a insinuar que há uma gravação do encontro sobre a vacina Covaxin.

Eu sei que eu não estou mentindo. Ele também sabe. Ele não vai mentir, ele não é maluco. O presidente deve ter um pouquinho de juízo, ele não vai mentir”, disse em entrevista Congresso em Foco. “Ele não vai me fazer acabar com a minha vida política e com a dele mostrando algo que eu não quero mostrar.

Em entrevista no sábado (26.jun), o deputado afirmou que ele, como congressista não gravaria um presidente da República. Mas insinuou que seu irmão, o servidor da Saúde Luis Ricardo Miranda, poderia ter gravado a conversa com o presidente.

Na 6ª feira (25.jun), Miranda afirmou na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado que Bolsonaro sabia de supostas irregularidades no contrato da Covaxin com o Ministério da Saúde desde o dia 20 de março. O deputado, que era aliado do presidente, disse ainda que Bolsonaro suspeitou do envolvimento do líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Segundo Miranda, Bolsonaro perguntou se já havia indícios de que Barros estava envolvido no caso. Os irmãos responderam que não tinham investigados possíveis pessoas envolvidas. O deputado disse ainda que nem ele nem o Brasil sabe se o presidente fez algo depois de ser alertado

Para ter certeza se o governo prevaricou ou não, cabe ao presidente mostrar quais foram as ações que foram tomadas na sequência. E, se foram tomadas, onde elas estão.

O deputado também afirmou que ele não pode dizer quem está por trás das possíveis irregularidades, mas que a Polícia Federal precisa investigar. “Chama a atenção que em casos assim, o nome dele [Barros] sempre apareça”.

O congressista também criticou os ataques por parte do governo federal. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, afirmou, em 23 de junho, que a Polícia Federal abriria uma investigação de “denunciação caluniosa” contra o deputado e seu irmão.

Se o governo não fez nada, a culpa não é nossa, a culpa é do governo de ter ocultado ou ter tentado não ter um escândalo de corrupção em sua gestão. E, para isso, ele [Bolsonaro] está disposto a tudo, inclusive aqueles que foram aliados no passado”, disse.

O deputado disse ainda que se sente traído pelo governo. Ao comentar sobre sua conversa com Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, Miranda afirmou que recebeu apoio ao falar sobre o caso com ele. Mas, depois, foi retirado da relatoria da reforma tributária.

Ele nomeou outra pessoa para a relatoria da reforma tributária mesmo tendo apertado a minha mão e dado a sua palavra de que a relatoria era minha. Foi uma represália”.


Poder360

AstraZeneca: 3ª dose de vacina produz forte resposta imune, diz estudo

 No entanto, pesquisadores afirmam que ainda não há evidências de que a dose de reforço é necessária

Estudo da Universidade de Oxford mostra que terceira dose da vacina aumenta as respostas imunes de anticorpos e de células T. Sérgio Lima/Poder360 25.01.2021

Uma terceira dose da vacina contra covid-19, produzida pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford, produz forte resposta imune, disseram pesquisadores nesta 2ª feira (28.jun.2021), acrescentando que ainda não há evidências de que essa dose de reforço é necessária, especialmente devido à falta de vacinas em alguns países.

O estudo, da Universidade de Oxford, mostrou que uma terceira dose da vacina aumenta as respostas imunes de anticorpos e de células T. Ao mesmo tempo, a aplicação da segunda dose pode ser adiada para até 45 semanas após a aplicação da primeira e, ainda assim, levar a um aprimoramento da resposta imune.

O governo do Reino Unido diz que analisa planos para uma campanha de aplicação de doses de reforço no outono do Hemisfério Norte, com três quintos dos adultos já com as duas doses de vacinas contra covid-19 aplicadas.

Andrew Pollard, diretor do Grupo de Vacinas de Oxford, afirmou que as evidências de que a vacina protege contra as variantes existentes por um período sustentável significam que uma dose de reforço pode não ser necessária.

“Temos de estar numa posição em que podemos aplicar a dose de reforço caso isso se mostre necessário. Não temos, no entanto, nenhuma exigência de que será”, disse ele a jornalistas.

“Neste momento, com uma alta taxa de proteção na população do Reino Unido e nenhuma evidência de que isso foi perdido, aplicar terceira dose no Reino Unido, enquanto outros países têm zero dose, não é aceitável”, afirmou.

Estudos anteriores mostraram que a vacina, criada pela Universidade de Oxford e licenciada pela AstraZeneca, tem eficácia maior quando o intervalo de aplicação entre as doses é ampliado para 12 semanas, em vez de quatro.

A pesquisa anunciada hoje foi divulgada sem a revisão de outros cientistas e analisou 30 participantes que receberam uma segunda dose tardia e 90 que receberam uma terceira dose. Todos os participantes tinham menos de 55 anos.

O estudo ajuda a amenizar preocupações de que vacinas contra covid-19 baseadas em vetores virais, como as da AstraZeneca e da Johnson & Johnson, possam perder sua potência se aplicações anuais forem necessárias, dado o risco de que o corpo produza resposta imune contra os vetores que carregam as informações genéticas da vacina.

“Tem havido algumas preocupações de que não poderíamos usa essa vacina num regime de doses de reforço, e certamente não é isso que os dados estão sugerindo”, disse a autora do estudo Tereza Lambe, do Instituto Jenner, de Oxford, à Reuters.

* Com informações da Agência Brasil

Dívida pública sobe 1,61% e fecha maio em R$ 5,17 trilhões

 O Tesouro Nacional realizou emissões acima da média dos últimos 12 meses no mês

O estoque da dívida vem crescendo desde o início da pandemia de covid-19, mas governo reduziu meta de endividamento para o final de 2021
dívida pública federal fechou o mês de maio em R$ 5,17 trilhões. O estoque teve um aumento nominal -sem considerar a inflação- de 1,61% em relação a abril, quando recuou 2,92%, a R$ 5,09 trilhões.

O resultado da dívida em maio foi publicado nesta 2ª feira (28.jun.2021) pelo Tesouro Nacional, por meio do RMD (Relatório Mensal da Dívida). Eis a íntegra (4 MB).

Segundo o Tesouro Nacional, o estoque da dívida teve um aumento de R$ 81,9 bilhões em maio, fruto da emissão líquida de R$ 58,0 bilhões e da apropriação positiva de juros de R$ 23,9 bilhões.

“O Tesouro Nacional realizou, em maio, emissões acima da média dos últimos 12 meses, reforçando significativamente o caixa em um mês com vencimentos menores”, afirmou o órgão.

A maior parte das emissões foi de títulos prefixados (45,6% do total) e de títulos atrelados a índices de preço (40,1%). A participação dos títulos atrelados a índices de preço no estoque da dívida, no entanto, caiu de 27,7% para 26,9%.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, disse que o volume de emissões de títulos atrelados a índices de preços foi de R$ 62,9 bilhões, o maior da história. Porém, também houve um vencimento “consideravelmente grande” desse tipo de título – R$ 94,5 bilhões. Por isso, o resultado foi um resgate líquido que reduziu a participação desse título no estoque da dívida pública.

CUSTO E PRAZO

Ainda de acordo com o Tesouro, o custo médio da dívida subiu de 7,2% ao ano em abril para 7,3% ao ano em maio. Porém, a parcela da dívida que vence em 12 meses caiu de 24,5% para 22,9%. O prazo médio da dívida recuou de 3,79 anos para 3,78 anos.

Luis Felipe Vital afirmou que o aumento do custo é fruto da estratégia do Tesouro Nacional de emitir títulos de mais longo prazo, que exigem uma remuneração maior. Segundo ele, as condições de mercado têm sido favoráveis para a execução dessa estratégia, que melhora o perfil da dívida do governo.

“O que o Tesouro tem feito, ao longo do mês de maio e junho, é melhorar o perfil das emissões. O Tesouro tem emitido não necessariamente buscando volumes tão altos, como estava buscando em meses anteriores, mas buscando uma qualidade da emissão melhor, principalmente em relação a composição e prazos”, afirmou.

Hoje, o Tesouro Nacional tem um colchão de liquidez de R$ 1,036 trilhão. É o suficiente para cobrir 9,6 meses de vencimentos da dívida pública. Segundo Vital, o colchão de liquidez dá conforto para o Tesouro atravessar momentos de maior volatilidade nos mercados, como pode ocorrer em 2022, devido às eleições presidenciais.

Eis os prazos de vencimento da dívida pública:

  • até 12 meses: 22,9%;
  • de 1 a 2 anos: 21,8%;
  • de 2 a 5 anos: 35,3%;
  • acima de 5 anos: 20%.

DETENTORES

Em maio, o Tesouro Nacional também observou um aumento da participação dos não-residentes entre os detentores da dívida pública federal. A parcela da dívida pública que está na mão desse grupo subiu de 9,7% para 9,9%. Em valores absolutos, a alta foi de R$ 14,9 bilhões.

Apesar desse aumento, os principais detentores da dívida pública são as instituições financeiras (30%), os fundos de investimento (23,9%) e os fundos de previdência (23,2%).

META

O estoque da dívida pública federal ainda está fora da meta estipulada pelo governo federal. O Plano Anual de Financiamento foi atualizado há um mês e prevê que a dívida pública oscile de R$ 5,5 trilhões a R$ 5,8 trilhões em 2021. O intervalo anterior era de R$ 5,6 trilhões a R$ 5,9 trilhões.

A dívida pública é emitida pelo Tesouro Nacional para financiar o deficit orçamentário do governo, ou seja, para cobrir as despesas que superam a arrecadação com impostos, contribuições e outras receitas. É vista como uma das principais referências para avaliação da capacidade de pagamento do país pelas agências globais que avaliam grau de investimento.


Poder360

Lewandowski barra uso de leniência da Odebrecht em ação da Lava Jato contra Lula

 Medida é restrita à ação do terreno do Instituto Lula, que agora tramita na Justiça federal do DF

Ex-Presidente Lula durante reunião do PT; decisão impede juiz de usar provas da leniência da Odebrecht

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), declarou a imprestabilidade das provas obtidas pelo acordo de leniência da Odebrecht contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi assinada nesta 2ª feira (28.jun.2021) e abre ainda mais o caminho para eventual candidatura do petista nas eleições de 2022.

A medida é restrita à ação do terreno do Instituto Lula, que agora tramita na Justiça Federal do Distrito Federal. Na prática, o novo juiz do caso não poderá mais utilizar as provas colhidas pelo acordo. Eis a íntegra (436 KB).

Em decisão, Lewandowski afirma que cobrou da Lava Jato a liberação do acesso dos documentos do acordo de leniência à defesa de Lula, mas que a medida não foi inteiramente cumprida. Por conta disso, o ministro disse que liberou o acesso dos advogados do petista às conversas hackeadas entre os procuradores da força-tarefa e o ex-juiz Sérgio Moro. Desde então, 13 relatórios técnicos elaborados pela defesa de Lula foram apresentados à Corte.

Com a juntada do material aos presentes autos, documentado em 13 relatórios técnicos elaborados por perito indicado pela defesa, foi possível constatar que, efetivamente, ocorreram inúmeras tratativas com autoridades, entidades e pessoas estrangeiras a respeito da documentação pleiteada pela defesa, tudo indicando que passaram ao largo dos canais formais, quer dizer, que teriam acontecido à margem da legislação pertinente à matéria“, afirmou Lewandowski.

O ministro afirma que Moro participou de “conluio” com a força-tarefa contra Lula, motivo pelo qual acabou declarado parcial no caso do triplex do Guarujá. Na semana passada, por 7 votos a 4, o plenário validou decisão que considerou o ex-juiz suspeito na ação.

Salta à vista que, quando o Supremo Tribunal Federal declarou a incompetência do ex-juiz Sérgio Moro para o julgamento de Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu também, implicitamente, a incompetência dos integrantes da força-tarefa Lava Jato responsáveis pelas investigações e, ao final, pela apresentação da denúncia“, afirmou.

ESTACA ZERO

A decisão de Lewandowski se soma às mais 2 medidas tomadas pelo STF que levam os processos da Lava Jato contra Lula à estaca zero na semana passada. Na 4ª feira (23.jun), por 7 votos a 4, o plenário validou a decisão que declarou o Moro no caso triplex, anulando as provas colhidas pelo ex-juiz no caso do triplex do Guarujá.

No dia seguinte, o ministro Gilmar Mendes estendeu o entendimento a outras 2 ações penais contra o petista: o caso do sítio em Atibaia e o terreno do Instituto Lula. Na decisão, o ministro afirmou que diversos fatos registrados nos processos são compartilhados com o caso do tríplex, no qual Moro foi considerado suspeito, incluindo a condução coercitiva do ex-presidente, a quebra de sigilo telefônico do petista e o levantamento do sigilo da delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci às vésperas da eleição.

“Nos três processos, houve a persecução penal do paciente em cenário permeado pelas marcantes atuações parciais e ilegítimas do ex-juiz Sergio Fernando Moro. Em todos os casos, a defesa arguiu a suspeição em momento oportuno e a reiterou em todas as instâncias judiciais pertinentes“, escreveu Gilmar. “Assim, por isonomia e segurança jurídica, é dever deste Tribunal, por meio do Relator do feito, estender a decisão aos casos pertinentes, quando há identidade fática e jurídica“.

Só um processo da Lava Jato contra Lula não foi atingido: a ação penal que apura doações da Odebrecht ao Instituto Lula. O caso não contou com a participação de Moro, que já havia deixado a magistratura para se tornar ministro da Justiça do presidente Jair Bolsonaro.


Poder360

Voto impresso não contribui para aprimorar democracia, diz Alexandre de Moraes

 Ministro disse que “maioria massacrante” acredita nas urnas e apenas minoria duvida de legitimidade

O ministro Alexandre de Moraes, do STF; defendeu o modelo da urna eletrônica atual em podcast do tribunal

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse não acreditar que o voto impresso possa vir a contribuir com a democracia. O magistrado foi o entrevistado da última edição do Supremo na Semana, podcast produzido pela assessoria do tribunal, divulgado no sábado (26.jun.2021).

Futuro presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Moraes foi questionado sobre a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que tramita na Câmara para instituir a impressão de comprovantes de voto nas urnas eletrônicas.

Para o ministro, uma “maioria massacrante” da população acredita nas urnas, mas uma minoria busca colocar em dúvida a legitimidade do voto eletrônico sem apresentar prova de fraude.

Acho que a discussão é válida para que o Tribunal Superior Eleitoral possa reafirmar a total legitimidade, transparência e confiabilidade do voto eletrônico“, disse Moraes. “Eventualmente, se houver necessidade de alterações para maior fiscalização, a Justiça Eleitoral está aberta. Não me parece que o voto impresso possa vir a contribuir para a democracia, pois corremos o grande risco de quebra do sigilo da votação“.

Moraes afirmou que o tema está em discussão também no STF e no TSE. “Mas se você me perguntar: ‘é necessário hoje para aprimorar a democracia o voto impresso?’ Não é“, afirmou o ministro.

Moraes é o 2º ministro a se posicionar abertamente contra a impressão do comprovante de voto. O presidente do TSE, ministro Roberto Barroso, também é crítico da proposta. Em coletiva a jornalistas na semana passada, Barroso afirmou que espera que a proposta não seja aprovada pelo plenário da Câmara.

Na comissão especial, sou conformado que deve passar, mas tenho esperança que não passe no plenário porque vão fazer um mal à democracia”, disse o ministro.

Neste fim de semana, presidentes de 11 partidos se reuniram por videoconferência e fecharam posição contra a proposta. Participaram do encontro (em ordem alfabética): ACM Neto (DEM), Baleia Rossi (MDB), Bruno Araújo (PSDB), Ciro Nogueira (PP), Gilberto Kassab (PSD), Luciano Bivar (PSL), Luis Tibé (Avante), Marcos Pereira (Republicanos), Paulo Pereira da Silva (Solidariedade), Roberto Freire (Cidadania) e Valdemar Costa Neto (PL). As siglas reúnem 326 deputados, o equivalente a 63,54% da Câmara.

No domingo (27.jun), apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) organizaram uma manifestação a favor da medida. Cerca de 200 pessoas e 150 carros participaram do ato em Brasília. Um dos organizadores afirmou que a baixa concentração de pessoas ocorreu por causa de um evento esportivo na capital.


Poder360

Primeiro-ministro da Suécia renuncia depois de perder apoio do Parlamento

Na semana passada, Stefan Löfven sofreu uma moção de censura depois de união de partidos

Primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven
O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, apresentou renúncia nesta 2ª feira (28.jun.2021) depois de ter sido derrotado em moção de censura em 21 de junho. O social-democrata preferiu não convocar eleições antecipadas e pediu aos partidos que continuem a formar uma nova coalização. A informação é da AFP.

“A um ano das eleições regulares, levando-se em consideração a situação excepcional em que o país se encontra, com uma pandemia e os desafios que isto representaria, eleição antecipada não é o melhor para a Suécia”, disse Löfven durante entrevista em Estocolmo.

Agora, cabe ao presidente do Parlamento, Andreas Norlen, formar um novo governo até as próximas eleições, previstas para 2022. Löfven, no entanto, se colocou a disposição para retornar ao cargo, se houver acordo entre os partidos. Ele segue no poder interinamente até que se tenha uma solução para o caso.

A renúncia do primeiro-ministro se deu depois de 181 deputados, do total de 349, votarem a favor da moção de censura, também conhecida como moção de desconfiança. Ela é adotada em alguns países parlamentaristas quando a maioria do Parlamento entende que o atual governo não tem mais apoio.

A moção foi pedida pelo partido de extrema direita Democratas Suecos e iniciada em junho. Além deste, o Partido da Esquerda, o partido conservador Moderado e os Democratas-Cristãos apoiaram a moção. Com isso, o primeiro-ministro tinha duas opções: apresentar sua renúncia ou convocar novas eleições, conforme estabelece a constituição sueca.

Löfven é um ex-soldador que começou a carreira política como líder sindical e ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 3 de outubro de 2014. Ele foi o primeiro premiê da história da Suécia a sofrer a moção porque perdeu apoio do Partidos da Esquerda, uma das siglas que sustentavam sua coalizão desde 2018. O estopim para a perda ocorreu depois que o chefe do governo sueco suspendeu o congelamento dos aluguéis de imóveis novos.

A Suécia possui leis rígidas relacionadas aos valores de aluguéis, que têm como objetivo mantê-los dentro de um valor acessível, em especial os preços dos imóveis que ficam nos centros das maiores cidades. Segundo o Partido da Esquerda, a desregulamentação pode levar a uma rápida alta nos aluguéis e, por consequência, a um maior abismo entre os mais ricos e os mais pobres no país.

Além disso, a imagem do primeiro-ministro já estava desgastada por causa da condução da pandemia. Quando a doença chegou ao país, o governo decidiu não adotar medidas mais restritivas, como o uso obrigatório de máscaras e bloqueios. A ação gerou críticas externas e internas, inclusive do rei da Suécia, Charles Gustav.

Somente no final de 2020 que o país aderiu medidas de distanciamento social e de fechamento dos centros comerciais. Desde o começo da crise, o país teve 1,09 milhão de infectados e 14 mil mortes pela doença, em uma população de 10,2 milhões. Segundo levantamento do Poder360, a maior parte das mortes causadas pela doença é das pessoas com mais de 60 anos, sendo 96,4% das vítimas.

No Brasil, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) mencionou a Suécia como exemplo no combate à pandemia durante seu depoimento na CPI da Covid. Em resposta a declaração do congressista, o senador e vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), respondeu que o primeiro-ministro sueco “caiu por causa da pandemia”.

NOVO GOVERNO

Na Suécia, um líder parlamentar precisa do apoio de 175 parlamentares para ocupar o cargo de primeiro-ministro. No entanto, a atual composição do Parlamento no país dificulta que uma maioria seja alcançada. Se não houver a maioria dos votos, o legislativo terá que considerar a possibilidade de antecipar as eleições. A última vez que isso aconteceu no país foi em 1958.

De acordo com pesquisas do instituto Ipsos, a direita e a ultradireita alcançariam uma leve maioria parlamentar em uma eleição geral, porém, não está claro se isso resolveria os problemas atuais. Isso porque, há 3 anos, uma parte da centro-direita já se recusou a negociar com a direita radical para a formação de um governo.


Poder360

Só 4% dos influenciadores evangélicos falam sobre Bolsonaro nas redes sociais

 Maioria evita postar sobre polarização com Lula e não comentam sobre tratamento precoce contra covid

Em aceno a evangélicos, Bolsonaro discursou em evento de comemoração aos 110 anos da Assembleia de Deus no Brasil. Ao lado, o pastor Silas Malafaia, um dos poucos influenciadores a defender o presidente nas redes sociais

Levantamento feito pelo Sistema Analítico Bites aponta que a maioria dos influenciadores digitais evangélicos não está usando as redes sociais para demonstrar apoio ao presidente Jair Bolsonaro ou criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Das publicações feitas pelos 30 principais influenciadores evangélicos, em só 4% há referência direta ao chefe do Executivo e críticas a Lula.

Além de não comentarem sobre a polarização entre Lula e Bolsonaro, possíveis adversários na campanha eleitoral pela presidência da República em 2022, como mostra o último levantamento do PoderData, os evangélicos donos das maiores contas no Twitter, Facebook, Instagram e YouTube também não adotam discurso negacionista sobre a pandemia.

O grupo não estimula posições contrárias à vacinação contra a covid-19 ou favoráveis a um possível tratamento precoce para a doença, temas que já foram, ou ainda são, difundidos por Bolsonaro. A defesa deste tipo de tema aparece apenas em 0,06% dos posts analisados –19, ao todo.

O discurso que nega a importância da vacinação também não esteve presente nos posts dos influenciadores evangélicos. A maioria, segundo o levantamento, reforça a necessidade da imunização, independentemente da origem das vacinas.

A pesquisa leva em conta os posts nas 4 redes sociais desde 1º de janeiro de 2021. O sistema apurou que foram feitas 34.000 publicações no período, com 296 milhões de interações –quando há compartilhamento, curtida ou comentário ao post. O número é maior do que as interações alcançadas pelos perfis do presidente Bolsonaro, de 223 milhões.

A capacidade de mobilização e de pautar o debate público é comparável ao registrado por perfis de políticos eleitos. Nas 4 plataformas, os 30 maiores influenciadores evangélicos têm 140 milhões de seguidores. Os 513 deputados e 81 senadores têm, somados, 187 milhões.

BASE DE APOIO

Lideranças das grandes igrejas evangélicas, com presença na mídia e influência política, formam uma importante base de apoio popular a Bolsonaro desde ao menos a campanha eleitoral de 2018. Depois que assumiu a presidência, em 2019, o mandatário reafirma o compromisso com o setor, ao participar de cultos e prometer a indicação de um ministro evangélico para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Dos maiores influenciadores digitais evangélicos, quem encabeça a lista não é um pastor ou político. Com 19 milhões de fãs nas redes sociais, o pregador, escritor e youtuber Deive Leonardo tem 14% dos seguidores do grupo.

Em seu site, ele afirma ser o responsável pelo maior canal de YouTube de pregação individual do mundo. Só nessa rede, são 5,9 milhões de inscritos. Com 31 anos, o integrante da igreja Assembleia de Deus em Joinville (SC), publica vídeos semanais com conselhos sobre questões individuais, como ansiedade, desânimo e medos.

Página inicial do canal de Deive Leonardo no YouTubeReprodução/YouTube

Além de minoritária, a presença de publicações favoráveis ao governo Bolsonaro entre os influenciadores evangélicos é concentrada em 2 perfis. De cada 10 posts de apoio ao presidente, 7 saíram das contas do pastor Silas Malafaia e da pastora Patrícia Bonissoni, da 7ª Igreja do Evangelho Quadrangular em Francisco Beltrão (PR).

Pastora Patrícia Bonissoni compartilha em seu perfil no Facebook posts em apoio ao governo BolsonaroReprodução/Facebook

Bonissoni foi quem mais defendeu Bolsonaro, com 496 publicações. Há em seu perfil no Facebook compartilhamento de conteúdos sobre o presidente, seus filhos, e congressistas aliados, como a deputada Bia Kicis (PSL-DF).

Já Malafaia liderou os ataques contra Lula, com 92 posts.

Pastor Silas Malafaia é um dos influenciadores evangélicos que mais apoiou o presidente em seus perfis nas redes sociaisReprodução/Twitter

Apoiador do presidente, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo, fez 298 posts no ano e não mencionou Lula ou Bolsonaro.

O comportamento é mais um elemento que indica o distanciamento entre Macedo e o presidente. Recentemente, declarações de integrantes da Igreja Universal apontaram para a possibilidade de retirar o apoio ao governo, depois de conflitos envolvendo a permanência de pastores da instituição em Angola.

Em maio, o responsável pela igreja no Brasil e genro de Edir Macedo, bispo Renato Cardoso, falou em “decepção” e apontou “omissão” na conduta do governo em relação à ordem de deportação de 34 missionários brasileiros do país africano.


Poder360

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