Foto: Michel Filho/Agência O Globo/04-04-2016
Após meses de deterioração, o cenário internacional está mais favorável para Brasil: estancou-se a escalada de aversão a risco de economias emergentes, de acordo com o Banco Central. Agora, são os países mais ricos que sentem as turbulências. No entanto, o BC alerta que a calmaria não deve continuar. Os Estados Unidos continuarão a subir juros e atrair investimentos que estavam em outros países inclusive aqui. Outra fonte de preocupação é a ameaça aos negócios entre as nações por causa da guerra comercial entre o governo americano e a China. Isso pode afetar o crescimento chinês e gerar um efeito dominó em todo mundo.
Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, o BC afirmou que o Brasil tem capacidade de absorver revés no cenário internacional por causa da solidez das contas externas do país com expectativas de inflação ancoradas e perspectiva de recuperação econômica.
Sem citar especificamente o desfecho da eleição presidencial, os diretores do comitê disseram que a “diminuição de incertezas no âmbito doméstico” fez com que os riscos de se investir no Brasil diminuíssem. Isso contribuiu para redução dos perigos para a inflação.
Mesmo assim, há riscos maiores de a inflação subir mais do que cair. Os membros do Copom apostam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado oficialmente, deverá crescer e atingir um pico por volta do segundo trimestre do ano que vem. A partir daí, a inflação acumulada em 12 meses deverá recuar ao longo do resto de 2019, em direção à meta.
Política de controle de preços
Mais uma vez, o Banco Central evitou indicar quais serão os próximos passos da política de controle dos preços. Disse apenas que, por ora, decidiu manter os juros básicos da economia em 6,5% ao ano.
A alta do dólar nos últimos meses contribuiu para elevar a inflação, o que ajudou o BC a colocar os preços na meta. No ano passado, o IPCA ficou abaixo do mínimo necessário. O trabalho do Copom era fazer a inflação subir para chegar perto de 4,5%, que é a meta estabelecida pelo governo. Os diretores julgam que o grau de repasse da pressão da escalada da moeda americana para os preços internos do país é “contido”. Isso depende de vários fatores, como, por exemplo, do nível de ociosidade da economia e da ancoragem das expectativas de inflação.
No documento, o BC aproveitou novamente para falar que a continuidade das reformas é essencial para a queda da sua taxa dos juros no país, a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável e o funcionamento pleno da política de combate à alta de preços.
“O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”, frisou o Copom, que destacou que o Brasil tem de continuar outras iniciativas já em andamento de aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios.“Esses esforços são fundamentais para a retomada da atividade econômica e da trajetória de desenvolvimento da economia brasileira”.
O Globo
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