
Policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão no escritório e na empresa (União Avícola) de Cidinho Santos. O ex-senador diz que não praticou qualquer irregularidade e que não era necessária uma ordem judicial para que os documentos solicitados pelos investigadores fossem entregues. A PF não divulgou detalhes sobre o eventual envolvimento de Cidinho no esquema desbaratado pela nova fase da Carne Fraca, batizada de Romanos.
De acordo com as investigações, a propina era paga de diversas maneiras: em espécie, por meio do custeio de planos de saúde e até por contratos fictícios firmados com pessoas jurídicas que representavam o interesse dos fiscais. "Não existe nenhuma vantagem indevida paga a servidores públicos com o plano de saúde", disse Cidinho ao site Olhar Direto. O político confirmou que seu escritório e sua empresa, localizada em Nova Marilândia, a 274 quilômetros de Cuiabá, foram alvos da Polícia Federal.
Cerca de 280 policiais federais cumprem 68 mandados de busca e apreensão em nove estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa, no Paraná.
A Carne Fraca foi deflagrada pela PF em março de 2017, quando foram abertas investigações contras as maiores empresas do ramo, como a JBS, dona das marcas Seara, Swift, Friboi Vigor, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão, acusadas de adulterar a carne que vendiam nos mercados interno e externo. O episódio gerou protestos do governo do então presidente Michel Temer e até de setores da oposição, que reclamaram que o anúncio da operação – apontada então como a maior já realizada pela PF no país – foi exagerado e afetava as exportações brasileiras.
Cidinho Santos era suplente do ex-senador Blairo Maggi e exerceu o mandato durante três períodos. O mais longo deles foi exatamente quando Blairo comandava o Ministério da Agricultura, entre maio de 2016 e janeiro de 2019.
Agência Senado
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