
A vitória de Luis Lacalle Pou foi confirmada na recontagem dos votos Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP
O candidato da governista da Frente Ampla à Presidência do Uruguai, Daniel Martínez, reconheceu a derrota para o oposicionista Luis Alberto Lacalle Pou , do Partido Nacional, de centro-direita, no segundo turno realizado no último domingo.
Em mensagem no Twitter, Martínez afirmou que "a evolução da contagem dos votos observados não modifica a tendência. Por isso saudamos o presidente eleito Luis Lacalle Pou, com quem me reunirei amanhã. Agradeço de coração a quem nos confiou seu voto".
A confirmação da eleição de Lacalle Pou põe fim a um ciclo de 14 anos de governos da Frente Ampla, de esquerda, que realizou amplas reformas sociais e reduziu a pobreza de 40% para 8%. A desaceleração do crescimento e o aumento da violência, no entanto, minaram a popularidade do último governo do ciclo, presidido por Tabaré Vázquez.
O resultado do segundo turno de domingo havia sido adiado devido à pequena diferença de votos — 28.666 — entre Lacalle Pou e Martínez, que era menor do que a do número dos chamados votos observados (35.229), contados depois por corresponderem a eleitores que votaram fora de sua jurisdição eleitoral ou cujo documento de identidade não correspondia ao do registro eleitoral. Também era preciso rever os votos anulados, que eram 63.619.
Embora a checagem dos votos observados e nulos não tenha terminado ainda, a checagem parcial e a recontagem de todos os votos deixou claro, nesta quinta-feira, que Lacalle Pou foi o vencedor.
A pequena margem entre os dois candidatos contrariou previsões das pesquisas de opinião, que indicavam uma vantagem de pelo menos cinco pontos percentuais em favor de Lacalle Pou. Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que iria à posse de Lacalle Pou, caso ele saísse vitorioso.
Lacalle Pou , de 46 anos, selou um acordo eleitoral com outros quatro partidos. A peça-chave do entendimento é o partido do senador Manini Rios , que no primeiro turno obteve 11% dos votos e terá três senadores, de um total de 30 cadeiras. O candidato de centro-direita prometeu enviar um pacote de 300 medidas ao Congresso, incluindo iniciativas em matéria econômica e de segurança, duas das principais preocupações dos uruguaios. Neste cenário, o fortalecimento de sua parceria com Manini Rios e os outros três partidos que integraram a aliança eleitoral de centro-direita será essencial.
A reta final do processo eleitoral uruguaio foi marcada por forte tensão. O ex-chefe do Exército, afastado em março passado por ter acobertado militares que cometeram violações dos direitos humanos na última ditadura (1973-1985), divulgou sexta passada um vídeo no qual defendeu que os militares não votassem pela Frente Ampla. Paralelamente, a revista Nación, da Cooperativa de Poupança e Crédito das Forças Armadas, publicou um artigo pregando a “expulsão do marxismo” do Uruguai e referindo-se à eleição de Lacalle Pou como “um novo amanhecer”.
O Globo
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