A Black Friday da pandemia foi sem filas nas portas das lojas em grande parte do Brasil e com muita pesquisa de preço online. A antecipação das promoções pela maioria das grandes redes e a inclusão de mais consumidores no comércio digital também podem ter tido efeito sobre o movimento nas lojas físicas.
Em Natal foi constatado grande movimento em alguns shoppings com filas e aglomerações.
Até as 18 horas, 5,9 milhões de pedidos haviam sido fechados no comércio digital, segundo a Neotrust/Compre&Confie. O volume é inferior aos 10 milhões projetados pela consultoria. O faturamento esperado era de R$ 6,6 bilhões, mas ficou em R$ 3,9 bilhões.
André Dias, fundador da Neotrust, atribui o resultado abaixo do esperado à diluição das compras nos dias anteriores à data principal. De segunda quarta, o comércio digital faturou R$ 1,8 bilhão em 4,1 milhões de pedidos. O resultado representa um aumento de 109% ante o mesmo período de 2019.
“As ações de antecipação de compras normalmente não davam certo, as pessoas deixaram para o dia final, mas nesta última semana houve uma aceleração nas compras”, afirma.
A Ebit|Nielsen também verificou movimento menor de compras online na madrugada de quinta para sexta, na comparação com anos anteriores, o que pode indicar que os clientes fizeram suas escolhas antecipadamente.
Para Júlia Ávila, líder da consultoria, o cenário está ligado a novos comportamentos dos consumidores, que vêm acompanhando os preços. “As pessoas ficaram em casa trabalhando e não precisaram passar a noite em claro para acompanhar alguma oferta”, diz.
No varejo físico, o movimento aumentou na parte da tarde, mas não houve aglomeração ou fila.
Weviley Martins, gerente do Magazine Luiza da Marginal Tietê, na zona norte da capital, disse que o baixo movimento era consequência da estratégia da rede, que veio apresentando promoções durante do o mês. “Fizemos a maior Black Friday de todos os tempos, chegamos a dar até 80% de desconto. Temos milhões de produtos em estoque e por isso conseguimos vender mais barato”.
A loja restringiu o acesso a 170 pessoas por vez, número consideravelmente menor do que os 1.256 que comportava no período pré-pandemia—e nem a redução drástica resultou em fila na porta.
Mesmo quem foi até o comércio físico seguiu acessando o ecommerce para comparar preços. Antes de fechar a compra de um notebook, a dona de casa Maria Teresa Romualdo e o marido, o vendedor Mauro César Furlan, reforçaram as pesquisas para ter a certeza de fazer a melhor compra.
FOLHAPRESS
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