Ministro do TSE até abril de 2019, Admar Gonzaga agora não quis comentar recentes declarações do presidente contra urnas
Advogado eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Admar Gonzaga foi questionado em 2018, quando era ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sobre a segurança das urnas eletrônicas. A posição dele foi abertamente contra o voto impresso, que é um dos principais símbolos do bolsonarismo.
Como ministro da corte eleitoral, ele disse que a medida seria um retrocesso; relacionou a impressão do voto a lobby de empresas do setor; afirmou que declarações de que o sistema eleitoral seja corruptível são "uma falsa verdade" e reforçou a tese do STF (Supremo Tribunal Federal) de que o voto impresso se opõe ao direito de sigilo do voto.
"Então, quando perder a eleição, respeite o resultado democrático. Não fique arrumando desculpas para a falta de votos que se demonstrou", disse Gonzaga em um debate na Câmara sobre as eleições em junho de 2018. Ele deixou o TSE em abril de 2019.
Poucos dias antes da afirmação do ex-ministro, o STF havia suspendido a impressão dos votos no pleito de 2018. A medida foi aprovada pelo Congresso em 2015, por uma emenda de Bolsonaro, que era deputado federal.
Nas últimas semanas, diante da queda de popularidade, Bolsonaro elevou o tom e, sem provas, tem contestado a segurança das urnas eletrônicas. O presidente enfrenta forte resistência no Congresso para aprovar uma proposta que prevê a impressão em papel de comprovante do voto dado na urna eletrônica.
Em uma das ameaças em relação ao pleito do ano que vem, Bolsonaro afirmou a apoiadores no início de julho: "Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições", disse na porta do Palácio da Alvorada.
Questionado pela reportagem sobre as recentes declarações do presidente, Gonzaga disse que as indagações estão descontextualizadas e, por isso, não quis se manifestar.
Bolsonaro quer disputar a reeleição ao Palácio do Planalto em 2022. Gonzaga integra a equipe jurídica na busca por um partido para que o presidente possa se lançar candidato.
A empreitada começou no fim de 2019, quando Bolsonaro rompeu com o PSL, pelo qual foi eleitor, e planejou criar um novo partido, o Aliança pelo Brasil. A estratégia falhou para a eleição do próximo ano.
O presidente então começou a negociar sua filiação a siglas já existentes. O Patriota, que filiou o filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (RJ), é uma dessas legendas. Gonzaga chegou a participar de convenção partidária e também de reunião entre Bolsonaro e deputados da sigla.
Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Diário de Goiás

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