sábado, 17 de julho de 2021

"MENDONÇA NÃO ERA NOSSO NOME", DIZ PASTOR E DEPUTADO SÓSTENES CAVALCANTE

 A indicação do Advogado-Geral da União André Mendonça para a vaga de Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal é um marco simbólico para as denominações evangélicas no país. Mas, apesar de representar o segmento, Mendonça não estava na lista de candidatos que as lideranças indicaram para o presidente Jair Bolsonaro.

É o que conta o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), convidado do episódio 12 do podcast A Malu Tá ON. 

André Mendonça foi alçado ao governo por escolha do presidente. Nunca fez parte e nunca triangulou nos parlamentares da frente evangélica e muito menos nas altas lideranças dos grupos mais pentecostais”, diz Sóstenes, que se define como braço político de Silas Malafaia, líder maior de sua igreja.

Hoje, contudo, Mendonça agrada a praticamente todas as denominações. “Sua indicação é importante para o segmento evangélico, sem sombra de dúvidas. Todo e qualquer ministro da Suprema Corte também pauta suas decisões nas suas crenças e valores”. A harmonia em torno de Mendonça é bem diferente da reação à última indicação de Bolsonaro para o Supremo, Kassio Nunes Marques, apadrinhado pelo Centrão. Malafaia foi um crítico voraz da escolha, e Sóstenes não esconde que o apoio da Igreja Universal Reino de Deus ao magistrado deixou fissuras na base evangélica de Bolsonaro. 

“O ministro Kassio Nunes nunca teve digitais de conservador. Esperávamos alguém como o Ives Gandra Filho”, reconhece. “A Universal prestou um desserviço ao apoiá-lo”. 

Sóstenes também não economiza críticas à denominação de Edir Macedo ao discutir a aproximação do ex-presidente Lula com antigos aliados evangélicos. 

Segundo o Datafolha, Bolsonaro e Lula estão empatados na intenção de voto dos eleitores evangélicos para o segundo turno das eleições de 2022. Lula também se reuniu com o bispo Manoel Ferreira, da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, que já apoiou o PT no passado. Mas o deputado acha que só mesmo a Universal, que já teve cargos nos governos Lula e Dilma, poderia aderir ao petista.  

Apesar de fazer críticas ao governo Bolsonaro por considerar qiue faltam políticas públicas para os evangélicos, Sóstenes acha que o avanço das pautas de esquerda e os escândalos de corrupção nos governos petistas inviabilizaram o diálogo com o eleitorado conservador. "O evangélico tem senso crítico. Evangélicos não são gado. Não é o líder que diz e todo mundo obedece. Não é dessa forma que acontece no segmento evangélico"  .  

Sempre conduzido por Malu Gaspar, o A Malu Tá ON traz entrevistas sinceras e diretas com gente que está fazendo a história acontecer. O programa está disponível toda sexta-feira, a partir do meio-dia, na página de Podcast do GLOBO, no Spotify, no Apple Podcasts, na Amazon Music, no Google Podcasts, no Deezer ou em qualquer outro agregador.

Fonte: Malu Gaspar/O Globo

Foto: Câmara dos Deputados

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