domingo, 18 de junho de 2023

“SOU CHAMADA DE VAGABUNDA TODO DIA”, DIZ SÂMIA BOMFIM SOBRE MACHISMO NA CÂMARA

 Vagabunda, assassina, terrorista, bandida e louca. Esses são alguns dos termos depreciativos que, segundo a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), colegas e usuários das redes sociais já usaram contra ela ao longo de seus dois mandatos como deputada federal e outros dois anos como vereadora na capital paulista. Desde quarta-feira (14), Sâmia e outras cinco deputadas do Psol e do PT respondem a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Motivo: chamaram de “assassinos” deputados que apoiaram a aprovação do projeto do marco temporal das demarcações de terras indígenas na Câmara, no último dia 30. Entre a apresentação das denúncias individualizadas, a chegada das representações no Conselho de Ética e o sorteio dos relatores dos processos passaram-se menos de 24 horas.

Uma agilidade de que não se tem notícia na Casa. Enquanto isso, pedidos de cassação contra deputados acusados de incitar e participar dos atos golpistas repousam na gaveta do presidente Arthur Lira (PP-AL) há quatro meses. A celeridade com que Lira encaminhou as ações e o objeto das denúncias, apresentadas pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, trouxeram ao centro do debate uma expressão ainda pouco conhecida que remete a uma prática histórica no país: a violência política de gênero, transformada em crime pela Lei 14.192 em 2021. De acordo com a norma, “considera-se violência política contra a mulher toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher”. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão e multa.

Dois pesos e duas medidas

Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, a deputada avalia que o machismo cresceu na Câmara na atual legislatura em comparação aos quatro anos anteriores graças, em grande parte, à conivência de Arthur Lira. “Ele tenta colocar um sinal de igual entre aquele sujeito [Nikolas Ferreira] que vai para a tribuna, coloca uma peruca ofendendo mulheres trans, que são deputadas pela primeira vez este ano, e deputadas que se manifestaram contrariamente ao marco temporal, que utilizaram um termo que um ou outro deputado não gostou, genocida. Mas todo dia sou chamada de vagabunda, assassina, terrorista, bandida e louca. Sou desqualificada o tempo todo, inclusive com ameaças de morte nas redes sociais, o que nunca foi feito diretamente por um deputado, mas que indiretamente é estimulado por eles. E nunca teve nenhum tipo de punição. Agora seis mulheres são denunciadas de uma vez”, critica. Além de Sâmia Bomfim, também são alvo da representação, pelo mesmo motivo, as deputadas Talíria Petrone (Psol-RJ), Fernanda Melchionna (Psol-RS), Célia Xakriabá (MG), Erika Kokay (PT-DF) e Juliana Cardoso (PT-SP). Nenhum dos deputados que também chamaram colegas de assassinos, durante a manifestação, foi denunciado.

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