quinta-feira, 21 de maio de 2026

Feminicídio em Patu: MP e acusação vão recorrer após pena de 12 anos para assassino de guarda municipal

 

O julgamento de Pedro Alves Gomes, conhecido como “Pedrão”, acusado do assassinato da guarda municipal Paloma Ferreira Gomes, terminou com a condenação a 12 anos e seis meses de prisão em regime fechado. A decisão, porém, provocou forte reação popular e deve ser alvo de recurso por parte do Ministério Público e dos advogados de acusação, que consideram a pena branda diante da brutalidade do crime.

O júri popular aconteceu nesta quarta-feira, em Patu, no Oeste potiguar, sob forte comoção. Manifestantes ocuparam as ruas próximas ao fórum pedindo justiça para Paloma, vítima de um crime classificado pela acusação como um claro caso de feminicídio.

Paloma Ferreira Gomes foi assassinada um dia antes de completar 25 anos. Segundo os autos e depoimentos apresentados no julgamento, ela foi atingida por oito golpes de faca, sendo sete nas costas. A violência do ataque chocou a população da cidade. Após os golpes, o acusado ainda teria deixado a faca cravada no peito esquerdo da vítima.

Durante o julgamento, declarações atribuídas ao réu chamaram atenção pela carga de machismo e pela tentativa de responsabilizar a própria vítima pelo crime. Em um dos relatos apresentados, “Pedrão” teria afirmado:

“Olha o que você fez eu fazer com você.”

Em outro momento, segundo narrado no júri, o acusado também declarou:

“Guarda Municipal não é trabalho para mulher.”

As frases repercutiram negativamente entre os presentes e reforçaram, na avaliação da acusação, a motivação de controle e violência de gênero por trás do assassinato.

A promotora de Justiça Érika Canuto e os advogados de acusação Fábio Moura Júnior e Antônio Alcimar demonstraram inconformismo com a sentença aplicada e devem recorrer da dosimetria da pena.

Uma das testemunhas do caso, Antonimar Duarte de Souza, conhecido como “Maza”, vizinho da vítima, relatou no plenário os momentos dramáticos após o crime. Ele foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local e tentou socorrer Paloma, mas os ferimentos eram gravíssimos.

O caso gerou enorme repercussão em Patu e reacendeu o debate sobre violência contra a mulher e a punição aplicada em crimes de feminicídio no Brasil.

Fonte: RN POLITICA EM DIA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

[VÍDEO] BIG TECHS: Juristas veem risco de censura em decreto do governo Lula

  Imagens: Reprodução/CNN O debate sobre a liberdade de expressão e o controle das redes sociais voltou a ganhar destaque com a repercussão ...