
A instalação temporária do Governo do Estado em Mossoró, às vésperas da eleição, ganha uma leitura inevitavelmente política. A movimentação da governadora Fátima Bezerra (PT), justamente na principal base eleitoral de Allyson Bezerra, pode ser interpretada como uma tentativa de fortalecer Cadu de Lula e disputar um eleitorado que, embora vote em Lula para presidente, hoje está majoritariamente com Allyson na corrida estadual.
O dado mais revelador vem da pesquisa Perfil. O cruzamento mostra que, entre os eleitores que declaram voto em Allyson para governador, 58,6% também afirmam votar em Lula para presidente.
É exatamente esse contingente que interessa politicamente a Cadu de Lula. Entre os eleitores de Cadu, 95,5% também votam em Lula, enquanto Álvaro Dias apresenta uma composição bem diferente: 45,5% de seus eleitores declaram voto em Flávio Bolsonaro. Os números ajudam a desenhar três campos eleitorais distintos e mostram por que o eleitor lulista que hoje está com Allyson se tornou alvo estratégico da campanha petista.
Nesse contexto, a ida do Governo do Estado para Mossoró ganha peso adicional. Fátima confirmou para 30 de setembro a entrega dos primeiros 10 quilômetros duplicados da BR-304, entre Mossoró e Assú, justamente durante o período em que o governo estará instalado temporariamente na cidade. O trecho faz parte de um lote de 57,6 quilômetros e de uma obra contratada pelo DNIT.
Para os adversários e analistas da campanha, o cálculo político é claro: levar a estrutura administrativa para Mossoró, anunciar ações e entregar obras na terra de Allyson oferece a Fátima uma vitrine para associar sua gestão, o governo Lula e a candidatura de Cadu de Lula.
A estratégia também busca reforçar a polarização. Cadu se apresenta diretamente vinculado a Lula e ao campo da esquerda. Álvaro Dias, por sua vez, está no PL e tem sua candidatura associada ao campo de Flávio Bolsonaro. E Allyson escorregando na maionese.
É justamente aí que está a disputa. Se Fátima e Cadu conseguirem convencer parte dos eleitores lulistas que hoje declaram voto em Allyson de que a candidatura estadual identificada diretamente com Lula é a de Cadu, o tabuleiro pode sofrer alterações.
A instalação do governo em Mossoró, portanto, vai muito além do expediente administrativo na leitura política da campanha. É também uma ofensiva no território eleitoral de Allyson e, principalmente, sobre uma parcela decisiva de seu eleitorado: aquela que vota em Lula para presidente, mas ainda escolhe Allyson para governador.
BLOG DO ROBSON PIRES
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