Na semana seguinte às eleições, o Ibovespa acumulou queda de 18,12%, provocando uma perda de aproximadamente R$ 963 bilhões em valor de mercado das empresas brasileiras. Apesar do tombo expressivo, a desvalorização também começa a alterar a relação entre risco e oportunidade para os investidores.
A queda dos preços, por si só, não garante uma recuperação. No entanto, pode abrir espaço para uma assimetria mais favorável entre os riscos assumidos e os retornos potenciais.
Um levantamento histórico dos 17 circuit breakers registrados entre 1998 e 2020 mostra que o Ibovespa apresentou valorização em todos os períodos analisados de 12, 24 e 36 meses após esses episódios. Em 12 meses, a alta média foi de 83,1%.
O cenário, contudo, permanece cercado de incertezas. Uma crise fiscal ou uma escalada de conflitos internacionais pode prolongar a pressão sobre os ativos brasileiros. Por outro lado, uma eventual queda do petróleo ou a indicação de um nome de credibilidade para o Ministério da Fazenda podem contribuir para uma rápida mudança de expectativas.
Nesse contexto, permanecer fora do mercado também representa um risco: movimentos expressivos de recuperação podem ocorrer antes que os investidores tenham segurança suficiente para retornar.
Há, ainda, uma aparente contradição nos preços atuais. Se parte das expectativas negativas está relacionada a um ajuste econômico por meio da inflação, a desvalorização das ações pode estar exagerada. Afinal, ações representam ativos reais. O comportamento recente da Bolsa, porém, sugere que os investidores estão precificando um cenário próximo de uma recessão.
A análise também exige uma perspectiva comparativa. Embora o Brasil enfrente dificuldades econômicas e políticas, outros mercados internacionais também apresentam riscos. Nesse cenário, um ativo não precisa estar em condições excepcionais para se tornar atrativo: basta que esteja relativamente mais barato que seus concorrentes.
O ponto central, portanto, está no valuation. O índice preço sobre lucro (P/L) da Bolsa brasileira está abaixo de sua média histórica dos últimos cinco a dez anos e também em patamar descontado em relação aos mercados emergentes?
O principal catalisador para uma mudança de humor pode ser a escolha do próximo ministro da Fazenda. Caso o presidente Lula indique um nome considerado tecnicamente sólido e capaz de conquistar a confiança do mercado, a percepção de risco pode mudar rapidamente.
Investidores que permanecerem completamente posicionados fora da Bolsa poderão perder o início de uma eventual recuperação. Por isso, uma estratégia de entrada gradual, disciplinada e baseada em critérios de valuation pode ser mais prudente do que tentar identificar exatamente o fundo do mercado.
O momento exige cautela, mas também uma análise racional das oportunidades que surgem em meio à volatilidade.
ESSE TEXTO NÃO É UMA RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTO.
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