Megale, que assumiu o comando da Anfavea nesta semana, disse ainda que o momento é "muito favorável" para exportar e que o setor automotivo tem tecnologia e capacidade instalada para atender à demanda de outros países. Com a baixa demanda por veículos no Brasil, a indústria automobilística nacional, que tem capacidade para produzir cerca de 5 milhões de unidades por ano, tem operado com ociosidade superior a 60%. Para reduzir a ociosidade, as montadoras têm buscado vender mais para o exterior, aproveitando também a desvalorização do real em relação ao dólar.
O acordo de livre comércio com o Peru vem para aliviar a frustração do setor com a falta de avanço nas negociações com a Argentina, o principal cliente externo das montadoras instaladas no Brasil. O governo brasileiro tem tentado convencer o governo argentino a assinar um acordo de livre comércio para o setor, em substituição ao atual, que expira em junho e impõe limites de comércio. A Argentina, no entanto, tem resistido aos termos da proposta.
O próprio Megale, no início da semana, admitiu que considera improvável a assinatura de um entendimento que ponha fim às limitações de comércio de veículos entre os dois países. Em razão disso, ele já trabalha para renovar o atual acordo. O novo desafio seria obter um acordo de mais longo prazo, já que as últimas renovações foram feitas por somente um ano. Pelo acordo vigente, para cada US$ 1,5 milhão em carros e peças vendidos para a Argentina, livre de impostos, o Brasil tem de comprar US$ 1 milhão do país vizinho, também sem tributação. O que for além disso, tem alíquota de 35%.
O avanço com o Peru, no entanto, não deve ter um impacto significativo nas exportações brasileiras de veículos. A expectativa do governo é de que as vendas para o mercado peruano saltem de 4 mil unidades por ano para 30 mil. Só em 2015, o Brasil vendeu para o exterior 416,9 mil veículos, com quase metade deles para a Argentina.
Apesar disso, o aumento da participação brasileira no mercado peruano é visto pelo setor como mais um passo em direção à diversificação das exportações de veículos, em uma tentativa de reduzir a dependência dos argentinos. No ano passado, o Brasil assinou um acordo para o setor com a Colômbia, este com cotas de exportação, e outro com o Uruguai, este de livre comércio. Também são discutidos novos entendimentos com Equador, México e Estados Unidos. "Se somarmos Colômbia, Peru e Equador, já temos o equivalente a uma Argentina", disse Megale, da Anfavea, no início da semana.
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