quarta-feira, 19 de julho de 2017

Rodrigo Maia recomenda a empresários aderir ao Refis com base na regra original Prazo vai até 31 de agosto. Para presidente da Câmara, será 'muito difícil' que mudanças feitas por comissão mista na proposta original sejam aprovadas pelo plenário.

Preocupados com o risco de o governo estourar a meta fiscal deste ano, que prevê um déficit de R$ 139 bilhões, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, discutiram nesta quarta-feira (19) uma estratégia para tentar aprovar, com base nas regras originais, a medida provisória que cria uma nova versão do Refis, o programa de refinanciamento de dívidas de pessoas jurídicas e físicas.
A preocupação é porque, na comissão mista formada para analisar a MP, parlamentares alteraram a proposta original, transformando o parcelamento, em alguns casos, em quase um perdão de dívidas.
Se aprovadas as mudanças, o governo deixaria de arrecadar, como previsto, R$ 13,3 bilhões, e conseguiria uma receita extra de apenas R$ 420 milhões em 2017. Isso pode comprometer o cumprimento da meta fiscal deste ano, algo que a equipe econômica não deseja.
Depois da reunião, Rodrigo Maia disse à GloboNews que vai ser "muito difícil" o plenário da Câmara aprovar as alterações e recomendou aos empresários que façam a adesão com base na MP original, cujo prazo termina em 31 de agosto (veja no vídeo acima a partir de 2min25).
O alerta, segundo ele, é para aqueles empresários que estão contando com regras mais frouxas no parcelamento, alguns casos com descontos de mais de 90%, e que estão protelando a adesão ao programa.
“A capacidade que o governo tem de oferecer de Refis é o que está na medida provisória. Então, é importante que as empresas entendam isso. Façam a sua adesão até 30 de agosto, não esperem até setembro, que é o prazo das mudanças da medida provisória. Porque vai ser muito difícil – não vou dizer que é impossível, porque é uma questão do plenário. Vai ser muito difícil que o plenário da Câmara não recupere, na questão do Refis, aquilo que foi acordado entre os líderes e a equipe econômica do governo”, afirmou Maia.
Rodrigo Maia e Meirelles discutiram o que pode acontecer caso a MP original não seja aprovada.
Segundo o presidente da Câmara, o governo teria três opções, todas ruins:
  • Aumentar o bloqueio de gastos, hoje de R$ 39 bilhões, num cenário em que já está faltando verba em alguns ministérios.
  • Elevar a meta de déficit, de R$ 139 bilhões, o que seria muito ruim como mensagem para os agentes econômicos.
  • Elevar tributos. Essa, segundo Rodrigo Maia e Meirelles, pode ser a solução menos ruim.
“A situação fiscal do governo é ruim. Já existe um contingenciamento alto. E nós vamos ter duas ou três opções. Prejudicar mais ainda a perspectiva de arrecadação do governo vai gerar o quê? Vai gerar inevitavelmente ou um aumento do contingenciamento, que é ruim para o Brasil, porque o serviço precisa continuar funcionando. Ou um aumento muito grande de impostos, o que também não é bom”, disse o presidente da Câmara.
O problema, alertam técnicos da área econômica, é que a frustração de receitas da União não está apenas no programa de refinanciamento de dívidas.
O governo também não deve contar com dinheiro extra gerado pela reoneração da folha de pagamento, que está ficando para o próximo ano. E a entrada de recursos com a segunda etapa da repatriação de recursos de brasileiros depositados ilegalmente no exterior está frustrante.
Com isso, a equipe econômica alerta que o aumento de tributos pode ser maior do que o previsto.
Assessores do presidente Michel Temer dizem que ainda não há uma decisão final sobre o tema, mas será praticamente inevitável elevar alguns impostos.
Por enquanto, está quase certo que o governo subirá a cobrança de PIS sobre combustíveis, em cerca de R$ 0,10 por litro, o que pode gerar na faixa de R$ 3 bilhões por mês para os cofres públicos, e ajudar a evitar um descumprimento da meta fiscal.
Dentro do governo, a ala política tem defendido a saída que desagrada a equipe econômica: elevar a meta fiscal, de fechar o ano com um déficit nas contas da União de R$ 139 bilhões.
Isso, na visão da equipe de Henrique Meirelles, passaria a imagem de que o governo não controla e não quer controlar seus gastos, o que pode desgastar a imagem do Brasil na área econômica.
 
 
 Por Valdo Cruz, GloboNews, Brasília
 
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Veja os citados na pesquisa Exatus para deputado federal no RN

  Faltando pouco mais de cinco meses para a eleição, seis em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não decidiram em quem votar par...