sexta-feira, 28 de agosto de 2026

[ARTIGO] ERICH RODRIGUES: O supercomputador e o novo momento do Rio Grande do Norte

 

Erich Rodrigues, CEO do Grupo Interjato e diretor do Comitê de Inovação da EPTEC – Associação das Empresas Potiguares de TI

A confirmação de que o Rio Grande do Norte receberá um dos supercomputadores previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial é uma conquista que precisa ser compreendida para além do investimento bilionário. Estamos diante de uma infraestrutura capaz de ajudar a mudar a posição do Estado na economia brasileira.

Durante décadas, associamos infraestrutura a estradas, portos, aeroportos e redes elétricas. Tudo isso continua essencial. Mas a inteligência artificial acrescentou uma nova infraestrutura estratégica: capacidade computacional.

Treinar modelos de IA, realizar simulações científicas, aperfeiçoar previsões meteorológicas ou processar enormes volumes de dados exige capacidade que poucas instituições possuem. É esse o papel de um supercomputador.

A escolha do RN não aconteceu por acaso. Temos uma combinação singular de energia renovável, infraestrutura, pesquisa e um ecossistema tecnológico construído por instituições públicas e privadas.

A energia talvez seja o elemento mais emblemático. O RN tornou-se uma potência nacional em geração eólica e avança rapidamente na solar. Paradoxalmente, enfrentamos cortes dessa produção por limitações do sistema elétrico e momentos de excesso de oferta.

Isso nos obriga a pensar além do modelo de produzir energia no Nordeste para transportá-la aos grandes centros consumidores. Precisamos também atrair atividades de alto valor agregado para perto de onde essa energia é produzida.

É aí que a chegada do supercomputador ganha uma dimensão econômica muito maior: simboliza a possibilidade de transformar elétrons produzidos pelo vento e pelo sol potiguar em conhecimento, pesquisa, inteligência artificial e serviços digitais.

O impacto, entretanto, não estará apenas dentro da máquina. Infraestruturas dessa natureza funcionam como âncoras de ecossistemas. Universidades, pesquisadores, startups e empresas passam a ter novas razões para desenvolver projetos no seu entorno. O supercomputador poderá apoiar pesquisas em energia, saúde, clima, petróleo e gás, agricultura e inúmeras outras áreas.

Existe ainda uma oportunidade estratégica: os data centers. O mundo vive uma corrida por infraestrutura para inteligência artificial, sustentada por energia, conectividade e capacidade computacional. Receber uma infraestrutura dessa dimensão demonstra que o RN pode oferecer condições para operações digitais sofisticadas e fortalece nossa estratégia de atração de novos investimentos.

Ao redor desse ativo podemos estimular laboratórios de IA, startups, centros de pesquisa, serviços de nuvem e novos data centers, além de qualificar profissionais e aproximar universidades das empresas.

O RN passou as últimas décadas construindo uma posição de liderança em energia renovável. Agora surge a oportunidade de iniciar uma segunda transformação.

O Estado que aprendeu a transformar vento em energia precisa aprender a transformar energia em processamento, processamento em inteligência e inteligência em desenvolvimento econômico.

A chegada do supercomputador não encerra uma conquista. Ela inaugura uma oportunidade. Se soubermos aproveitá-la, poderá ser lembrada como o momento em que o Rio Grande do Norte começou a transformar sua potência energética também em potência digital.

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