O procurador-geral da República, Paulo Gonet, mantém resistência às tentativas de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, de firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades.
Segundo reportagem de VEJA, Gonet teria feito chegar a integrantes de tribunais superiores que continua sem interesse em avançar nas negociações. A principal preocupação estaria na forma como Vorcaro vem conduzindo as tratativas.
De acordo com a publicação, a Procuradoria avalia que o banqueiro estaria adotando uma postura seletiva nas informações apresentadas, indicando previamente quem pretende envolver nas investigações e, ao mesmo tempo, não esclarecendo de maneira satisfatória o paradeiro de recursos que seriam provenientes das fraudes atribuídas a ele.
Outro ponto de insatisfação seria a tentativa de Vorcaro de estabelecer antecipadamente os benefícios que receberia e o tamanho da pena que estaria disposto a cumprir em eventual acordo.
Vorcaro está preso desde 4 de março e vem prestando novos depoimentos à Polícia Federal. Em seu depoimento mais recente, realizado na sexta-feira (28), ele negou ter tentado corromper servidores afastados do Banco Central e contestou acusações relacionadas ao período em que o Banco Master era fiscalizado pela autoridade monetária.
A resistência de Gonet pode representar um obstáculo importante para a estratégia de defesa do banqueiro, que busca utilizar uma eventual colaboração como instrumento para reduzir sua exposição no caso. A aceitação de uma delação, contudo, depende da utilidade e da consistência das informações oferecidas às autoridades.
O caso também ocorre em meio à discussão, no Supremo Tribunal Federal, sobre as regras para acordos de colaboração premiada e os limites dos benefícios que podem ser concedidos aos colaboradores.
Fonte: VEJA, reportagem de Laryssa Borges
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