O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria confidenciado a interlocutores que considera Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, sua maior decepção — e até mesmo uma traição política superior à protagonizada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.
Segundo relatos ouvidos pelo Poder360, a insatisfação de Lula estaria relacionada principalmente à atuação de Galípolo em dois episódios: o caso envolvendo o Banco Master e a condução da política de juros em pleno ano eleitoral.
No caso do Banco Master, a avaliação atribuída ao presidente é de que Galípolo contrariou a estratégia política do PT ao não responsabilizar o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Galípolo afirmou que não havia, nos processos de auditoria ou sindicância, elementos que apontassem culpa de Campos Neto no episódio.
A posição teria provocado forte reação no entorno de Lula, que esperava uma atuação mais alinhada ao discurso político do governo sobre o caso.
Outro ponto de atrito é a política monetária. Lula defende uma redução mais rápida da taxa Selic, enquanto Galípolo e a diretoria do Banco Central têm adotado uma postura mais cautelosa. A divergência ganha peso adicional por ocorrer em um ano eleitoral, quando juros, crédito e atividade econômica assumem importância estratégica para o governo.
A situação chama atenção porque Galípolo chegou à presidência do Banco Central por indicação do próprio Lula. A expectativa inicial era de maior sintonia entre a autoridade monetária e o governo, mas a autonomia do BC limita a influência direta do Executivo sobre as decisões de política monetária.
De acordo com a reportagem do Poder360, Lula teria citado Antonio Palocci como sua segunda maior decepção política. A comparação evidencia o tamanho do desgaste atribuído ao relacionamento entre o presidente e o atual comando do Banco Central.
As informações, contudo, são baseadas em relatos de interlocutores ouvidos pela imprensa e não em uma declaração pública de Lula confirmando pessoalmente essa avaliação.
Fonte: Poder360
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