Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e incluídas em relatório da Polícia Federal revelam uma sequência de cobranças e pagamentos envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o material analisado pela PF, em março de 2024, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria teria encaminhado a Vorcaro mensagens relacionadas a uma cobrança atribuída a Moraes sobre pagamentos em atraso. Em uma delas, Faria escreveu: “O careca não pode atrasar.”
Na sequência, Vorcaro acionou funcionários do Banco Master e determinou que o pagamento fosse regularizado com prioridade. Pouco depois, foi registrado um depósito de aproximadamente R$ 3,4 milhões na conta do escritório Barci de Moraes. O comprovante reproduzido no relatório aponta o valor de R$ 3.422.268,14.
O episódio ocorreu no contexto de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, cujo valor total chegou a R$ 131 milhões. Nas mensagens, Vorcaro teria classificado o compromisso como um dos mais importantes do banco e cobrado seus funcionários para que os pagamentos não sofressem atrasos.
Em uma das conversas, o banqueiro teria determinado que o pagamento não poderia atrasar “um dia” e orientado uma funcionária a manter os repasses sob controle. O relatório também registra mensagens nas quais Vorcaro demonstrava preocupação com a forma de realização das transferências.
As mensagens colocam Fábio Faria no centro da interlocução entre Vorcaro e pessoas próximas a Moraes. Segundo o relatório da PF, o ex-ministro teria atuado como intermediário em contatos entre o banqueiro e o ministro. Faria, porém, apresentou outra versão sobre o episódio e afirmou que sua atuação estava relacionada a uma causa judicial em São Paulo, além de dizer que desconhecia o contrato de R$ 131 milhões.
O conteúdo das mensagens está sendo analisado no âmbito das investigações do caso Banco Master. As conversas, por si só, não comprovam que Alexandre de Moraes tenha determinado diretamente o pagamento ou cometido qualquer irregularidade. Moraes e os demais envolvidos foram procurados por veículos de imprensa e, segundo as reportagens, não apresentaram manifestação sobre o conteúdo divulgado.
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