Com os desdobramentos da 23ª fase da
Operação Lava Jato, a Acarajé, deflagrada na segunda-feira (22), o
mercado tem reagido de forma otimista. A nova fase da operação tem como
principal alvo o publicitário João Santana, que trabalhou nas campanhas
da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula. Ele é suspeito de
receber valores provenientes de propina de empreiteiras investigadas
pela Polícia Federal.
Saiba como esta e outras notícias devem
influenciar o comportamento do mercado financeiro no boletim de abertura
de mercado desta quarta-feira (24), com o superintendente regional de
câmbio da SLW, João Paulo de Gracia Corrêa:
O petróleo voltou a pautar o movimento
das moedas ao redor do globo ontem. Declarações de autoridades de países
da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] desencadearam
uma queda da commodity novamente. O ministro de petróleo da Arábia
Saudita, Ali al-Naimi, disse em seu discurso “que não faz sentido gastar
tempo buscando cortes na produção, porque isso não vai acontecer”. Já o
ministro do Irã classificou a sugestão para seu país de ridícula.
Com isso, as bolsas internacionais
caíram e o dólar subiu, em especial ante as moedas emergentes e de
países exportadores de commodities. Aqui, o dólar fechou o pregão em
alta de 0,58%, cotado em R$ 3,9644.
O preço do barril de petróleo segue em
queda hoje e já anula o ganho de mais de 5% da última segunda-feira,
voltando ao patamar de US$ 31,00 e provocando uma nova reação de aversão
aos ativos de risco por parte dos investidores internacionais. As
principais bolsas europeias exibem perdas de mais de 1,50%. Os futuros
americanos também operam no negativo e o dólar avança ante a maioria das
moedas fortes e emergentes.
Aqui, os agentes locais vão acompanhar o
depoimento do marqueteiro João Santana, preso em Curitiba. Segundo sua
defesa, ele deve dizer que “não tem um centavo de valor recebido no
exterior que diga respeito a campanhas brasileiras”. Porém, terá que
provar, já que a conta atribuída pela Lava Jato recebeu US$ 1,5 milhão
em 2014, período em que cuidava da campanha de Dilma Rousseff.
Além disso, o ministro Gilmar Mendes,
vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), avalia que é
possível incluir novas provas, colhidas no âmbito da Operação Lava Jato,
no processo que pede a cassação do mandato da presidente Dilma e de seu
vice, Michel temer.
Com a valorização do dólar no exterior, a
moeda norte-americana deve abrir o pregão local em alta ante o real.
Entretanto, com o desdobramento da vigésima terceira fase da Lava Jato,
com possibilidade real de um impeachment, quando uma parcela do mercado
financeiro acha positiva a mudança na condução da economia do país, o
real pode surpreender e se fortalecer ao longo da sessão.
UOL, via Paraná Portal
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