Da redação com Diário do Nordeste
por Honório Barbosa - Colaborador
por Honório Barbosa - Colaborador
Iguatu.
A aprovação no Senado do Projeto de Lei que concede à vaquejada e a
outras atividades esportivas que envolvem bovinos o status de
Manifestações da Cultura Nacional e as eleva à condição de Patrimônio
Cultural Imaterial do Brasil trouxe novo ânimo para vaqueiros e
promotores de competições de derrubada de boi no Interior do Ceará. O
segmento agora tem esperança de aprovação de uma Proposta de Emenda
Constitucional (PEC) para reverter decisão do Supremo Tribunal Federal
(STF), que considerou inconstitucional Lei do Ceará que regulamentava a
vaquejada no Estado.
O
projeto aprovado no Senado segue para sanção presidencial. "A nossa
expectativa é de que o presidente Michel Temer sancione a matéria",
disse Beto Sobreira, promotor da Vaquejada de Milagres, no Cariri
cearense. "Com essa aprovação no Senado, nossas expectativas são as
melhores". Na manifestação, realizada recentemente em Brasília por
vaqueiros e promotores de vaquejada, três ministros (Agricultura,
Turismo e Esportes) compareceram à reunião com os coordenadores do
movimento nacional a favor da vaquejada. "Isso é uma sinalização de que o
governo é favorável à nossa causa", observou Sobreira.
O
empresário Dudu Bezerra suspendeu a realização de uma grande vaquejada,
em Iguatu, prevista para o início deste mês, mediante o impasse firmado
após a decisão do STF, mas mostrou-se confiante de que a Lei aprovada
no Senado será sancionada pelo presidente. "Não há maus-tratos aos
animais e vamos demonstrar isso para os ministros do STF com recursos
que serão apresentados", disse.
O
vice-presidente da Associação Brasileira de Vaquejadas (Abvaq), Marcos
Lima, esclareceu que o Projeto de Lei aprovado pelo Senado foi
apresentado pelo deputado federal Capitão Augusto, na Câmara, antes da
decisão do STF. "Essa decisão do Senado é um fato novo que é positivo
para a nossa luta e fortalece o entendimento de que a vaquejada é um
esporte saudável, está ligada à cultura sertaneja, gera empregos",
disse.
Marcos
Lima frisou que a Abvaq tem um regulamento único com juiz de bem-estar
animal e adoção de medidas protetivas. "A partir da decisão do STF está
havendo mais esclarecimentos", disse. A Associação aguarda a publicação
do acórdão do STF para ingressar com embargos de declaração, recurso que
pede esclarecimentos sobre a decisão.
Está
em tramitação no Congresso Nacional uma PEC que tenta alterar o inciso
VII do parágrafo primeiro do artigo 225 que veda práticas que submetem
os animais à crueldade. "Essa proposta também é anterior à decisão do
STF, não há confronto com a decisão judicial, mas queremos corrigir um
texto constitucional que é subjetivo", afirmou.
O
juiz de Direito Djalma Sobreira esclareceu que a aprovação pelo Senado
do Projeto de Lei que dá título de Patrimônio Cultural Imaterial à
vaquejada traz boas expectativas para os defensores da atividade.
A
presidente da União Protetora dos Animais (Uipa), Geuza Leitão,
considerou um equívoco do Congresso Nacional a aprovação do PL que dá à
vaquejada status de Patrimônio Cultural Imaterial. "Foi um absurdo,
falta a muitos políticos vergonha, além de ter sido é uma falta de
respeito com o STF. De nada vai adiantar, pois a decisão do STF está
mantida e essa PEC é inviável, pois não se pode alterar uma cláusula
pétrea da Constituição", finalizou.
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