Um ataque aéreo israelense destruiu parte do Hospital Árabe Al Ahli, o último hospital totalmente funcional na Cidade de Gaza, no domingo. Segundo testemunhas, os setores de terapia intensiva e cirurgia foram atingidos, forçando pacientes e médicos a evacuarem em meio ao caos. Vídeos nas redes sociais mostram chamas e fumaça enquanto pacientes, muitos ainda em leitos, fogem do local.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) alegam que o hospital abrigava um "centro de comando e controle do Hamas". Apesar de não haver registros oficiais de vítimas diretas no bombardeio, uma criança morreu durante a evacuação, segundo a Diocese Episcopal de Jerusalém, que administra o hospital. Edifícios vizinhos, como a igreja anglicana de St. Philip, também foram danificados.
O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, declarou que o hospital foi "completamente destruído", o que causou o deslocamento forçado de pacientes e funcionários. A diocese expressou indignação, classificando o ataque como "horrorizante", especialmente por ocorrer no Domingo de Ramos, início da Semana Santa cristã.
As IDF afirmaram que tomaram medidas para evitar danos colaterais, como o uso de munição precisa e alertas prévios. Um médico relatou que recebeu uma ligação das forças israelenses ordenando a evacuação do hospital em 20 minutos. Imagens mostram que muitos fugiram ainda no escuro, inclusive dezenas de civis que buscavam abrigo no pátio do hospital.
Relatos dramáticos como o de Khalil Bakr, ferido junto com suas três filhas — duas delas com membros amputados —, mostram a gravidade da situação. “Dois minutos nos separaram da morte”, disse ele à BBC. O Al Ahli, que antes da guerra era um pequeno centro médico, tornou-se o último refúgio após a destruição do complexo Al-Shifa e outros hospitais no norte de Gaza.
O governo de Israel afirma que sua campanha visa eliminar o Hamas, após o ataque do grupo em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 israelenses e resultou no sequestro de 251 pessoas. Em resposta, mais de 50 mil palestinos já morreram na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde local. Desde 18 de março, 1.563 mortes foram registradas com a retomada da ofensiva israelense.
O Ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Lammy, condenou os ataques, destacando que as ações israelenses destruíram completamente o acesso à saúde em Gaza. Ele pediu o fim dos bombardeios a instalações médicas. A explosão anterior no mesmo hospital, em outubro de 2023, ainda gera controvérsias entre autoridades palestinas e israelenses.
A crise em Gaza continua se agravando, com os hospitais destruídos e o sistema de saúde colapsado, enquanto civis seguem sendo atingidos pelo conflito. O ataque ao Al Ahli representa mais um duro golpe à já precária infraestrutura humanitária da região.
FONTE: BBC NEWS
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