domingo, 13 de abril de 2025

EUA recuam em tarifas e isentam iPhones da taxa de 125% contra produtos chineses

Em uma reviravolta inesperada na guerra comercial com a China, os Estados Unidos anunciaram discretamente a isenção de tarifas de 125% sobre smartphones importados, incluindo o iPhone, principal produto de exportação da China para o mercado americano. A medida foi revelada por meio de uma nota da alfândega dos EUA publicada no sábado, evitando grande publicidade. O código tarifário “8517.13.00.00”, que representa smartphones, foi listado como isento, ao lado de componentes eletrônicos como semicondutores e cartões de memória.

Essa mudança contrasta diretamente com declarações recentes do Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que havia afirmado que o objetivo das novas tarifas era forçar a Apple a transferir a produção do iPhone da China para os EUA. Sem a isenção, as tarifas teriam afetado diretamente a fabricação em Zhengzhou, elevando os preços dos iPhones para até US$ 2.000, com impacto imediato nas lojas norte-americanas.

Cerca de 80% dos iPhones vendidos nos EUA são produzidos na China. A Apple teria duas alternativas: repassar o custo ao consumidor americano ou distribuir globalmente o impacto da tarifa, o que poderia gerar rejeição internacional. A isenção, portanto, evita um possível colapso nas vendas e protege as margens de lucro da empresa, estimadas entre 40% e 60%.

A figura do CEO da Apple, Tim Cook, surge como peça-chave nesse cenário. Com bom trânsito tanto na Casa Branca quanto no governo chinês, Cook pode desempenhar um papel de mediador na disputa comercial. Sua expertise logística e influência diplomática são vistas como estratégicas na tentativa de manter a estabilidade nas relações entre as duas potências econômicas.

Nos bastidores, a Casa Branca também sinaliza uma mudança de rumo ao substituir o conselheiro comercial Pete Navarro pelo Secretário do Tesouro, Scott Bessent, que agora lidera as negociações para evitar a reinstauração das tarifas após o fim da pausa de 90 dias. Navarro era defensor das tarifas duras e idealizador de uma fórmula que penalizava os países com maior superávit comercial com os EUA.

No entanto, a nova política adota lógica inversa. Isenções foram concedidas justamente para os países com os maiores superávits, como Taiwan (US$ 74 bilhões) e Vietnã (US$ 124 bilhões). A consultoria Capital Economics estima que cerca de um quarto das exportações totais da China já estão isentas da tarifa de 125%, sinalizando uma flexibilização significativa.

Paradoxalmente, aliados dos EUA como o Reino Unido, que possuem déficit comercial com os americanos, foram penalizados. O Reino Unido enfrenta tarifas de 25% sobre carros, seu principal produto de exportação, e medicamentos podem ser os próximos da lista. A política tarifária, que prometia ser inflexível, agora apresenta uma série de exceções que contradizem seus objetivos originais.

Analistas enxergam essa mudança como mais do que um recuo tático. Alguns chamam de "A Arte da Revogação", em referência irônica à postura combativa de Trump no passado. A nova abordagem sugere que, em vez de combater superávits estrangeiros, os EUA estão tentando controlar a reação dos mercados financeiros e conter o aumento nas taxas de juros dos seus próprios títulos. A guerra comercial pode estar longe do fim, mas seu rumo mudou drasticamente.


FONTE: BBC News 

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