Centenas de participantes da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada em Campo Grande, construíram neste sábado (28) um importante legado ambiental: o Bosque da COP15, formado por 250 mudas de árvores nativas do Cerrado e frutíferas. A ação reuniu diplomatas, delegados internacionais, ambientalistas e moradores da cidade, em alinhamento ao tema do encontro global: “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”.
“Esse é o mais importante evento de toda a COP, porque a ação importa mais e é para que ela aconteça que nos reunimos. Tem um ditado antigo que diz pensar global e agir local, e é exatamente isso que estamos fazendo hoje, pois todos têm um papel na proteção das espécies migratórias”, afirmou Amu Fraenkel, secretária executiva da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS).
O bosque foi planejado em local estratégico para expansão de áreas verdes urbanas. Segundo a bióloga Sílvia Ray Pereira, responsável pela Gerência de Arborização da prefeitura, o projeto integra um plano lançado em 2025 para criar miniflorestas em regiões com pouca arborização, conciliando a saúde ambiental, a qualidade de vida da população e a preservação da fauna local.
Entre as espécies plantadas estão sapoti, pitanga, angico e manduvi — este último essencial para a nidificação da arara-azul, que tem se aproximado cada vez mais da cidade. “Com a expansão das áreas verdes, a arara-azul encontrará um local seguro para reprodução”, explica a bióloga.
Além do plantio, a COP15 avançou nas deliberações da plenária que antecede o último dia do encontro, neste domingo (29). Mais de 100 itens da agenda foram encaminhados para a plenária final, incluindo iniciativas lideradas pelo Brasil, como o Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e esforços internacionais para a proteção do tubarão-mangona e do tubarão-peregrino.
Também serão incluídas nas listas de proteção da CMS espécies como:
- Anexo I (ameaçadas de extinção): maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado;
- Anexo II (necessitam de esforços internacionais de conservação): peixe pintado, tubarão cação-cola-fina e ave caboclinho-do-pantanal;
- Ambas as listas: ariranha e petréis (grazinas).
O Brasil retirou temporariamente a proposta de inclusão do tubarão cação-anjo-espinhoso no Anexo II, garantindo continuidade às avaliações sem consenso.
Fonte: Agência Brasil
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