O assessor especial da Presidência da República e ex-chanceler Celso Amorim afirmou nesta segunda-feira (2) que o Brasil precisa se preparar para um cenário de agravamento no conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews, após a confirmação da morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
“Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país que está em exercício é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior”, declarou Amorim.
Questionado sobre o que representaria esse “pior”, o diplomata destacou o risco de expansão do conflito no Oriente Médio. Segundo ele, o Irã possui forte influência regional e histórico de fornecimento de armamentos a grupos xiitas em outros países, o que pode ampliar o alcance das hostilidades.
“O aumento vertiginoso das tensões no Oriente Médio tem grande potencial de alastramento. O Irã historicamente fornece armamento para grupos xiitas que estão em outros países, além de grupos radicais”, explicou.
Amorim também informou que deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda nesta segunda-feira para discutir o cenário internacional. O encontro ocorre às vésperas de uma agenda diplomática sensível: a reunião prevista entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.
“Estamos a poucos dias do encontro do presidente com Trump. É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza”, afirmou.
Itamaraty manifesta preocupação
No sábado (28), o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota oficial expressando “grave preocupação” com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O comunicado destacou que a ofensiva ocorreu em meio a negociações diplomáticas entre as partes envolvidas.
“Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, afirmou o texto.
O governo brasileiro apelou para que todas as partes respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de modo a evitar a escalada das hostilidades e proteger civis e infraestrutura essencial.
Horas depois, uma nova nota foi divulgada lamentando também a retaliação iraniana contra países árabes. O Brasil reiterou que o diálogo e a negociação diplomática “constituem o único caminho viável para a superação das divergências” e reforçou a importância do papel das Nações Unidas na prevenção e resolução de conflitos.
O cenário internacional segue sob forte tensão, com risco de ampliação do conflito para outros países do Oriente Médio.
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