sexta-feira, 29 de maio de 2026

RN entra em alerta para síndrome respiratória grave após aumento de casos, aponta Fiocruz

 

O Rio Grande do Norte está entre os estados brasileiros que registraram crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas semanas, segundo o mais recente boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (28). O levantamento acende um sinal de alerta para o avanço das doenças respiratórias no estado, especialmente em razão da circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) e da influenza A.

A análise, baseada nos dados da Semana Epidemiológica 20 — entre os dias 17 e 23 de maio —, mostra que o aumento das internações por SRAG acompanha uma tendência observada em grande parte do país. De acordo com a Fiocruz, o crescimento dos casos atinge praticamente todas as faixas etárias, embora os impactos variem conforme a idade.

Entre crianças de até quatro anos, o vírus sincicial respiratório é apontado como o principal responsável pelos casos graves e internações. Já entre adolescentes, adultos e idosos, a influenza A tem sido o agente viral de maior relevância epidemiológica.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, destacou a importância da vacinação como principal estratégia para reduzir hospitalizações e mortes provocadas por doenças respiratórias.

“A vacinação reduz significativamente o risco de desenvolvimento de casos graves e de óbitos”, ressaltou.

A vacina contra o VSR é recomendada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez, garantindo proteção aos recém-nascidos nos primeiros meses de vida. Já a imunização contra a influenza é direcionada a grupos prioritários, como idosos, crianças, gestantes, puérperas, profissionais de saúde e pessoas com doenças crônicas.

Campanha de vacinação ganha reforço no RN

Diante do cenário de aumento dos casos, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) realizará neste sábado (30) mais um Dia D de vacinação contra a influenza em todo o estado. A iniciativa busca ampliar a cobertura vacinal e facilitar o acesso da população aos imunizantes, com orientação para que os municípios estendam o funcionamento das unidades de saúde.

A campanha teve início em 28 de março e integra a estratégia nacional do Ministério da Saúde, que estabeleceu a meta de vacinar ao menos 90% do público prioritário.

Cobertura ainda está abaixo da meta

Dados da Sesap mostram que o Rio Grande do Norte aplicou, até o momento, 307.064 doses da vacina contra a influenza, alcançando apenas 38,08% de cobertura entre o público-alvo.

As gestantes lideram os índices de adesão, com cobertura de 62,12%. Em seguida aparecem os idosos, com 38,61%, e as crianças de seis meses a menores de seis anos, com 33,76%.

O estado já registrou 372 casos confirmados de influenza em 2026 e contabiliza 11 mortes relacionadas à doença, número superior ao observado no mesmo período do ano passado. Para as autoridades sanitárias, os dados reforçam a necessidade de ampliar a vacinação, sobretudo entre idosos e crianças, grupos que permanecem com cobertura considerada insuficiente.

Vacina será liberada para toda a população

Com o objetivo de aumentar a proteção coletiva e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde, a partir de 1º de junho a vacina contra a influenza estará disponível para toda a população, independentemente da faixa etária.

Além da imunização, especialistas recomendam medidas preventivas como higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar, uso de máscara em caso de sintomas gripais e evitar contato próximo com outras pessoas quando houver sinais de infecção respiratória.

O boletim da Fiocruz também destaca que os casos de Covid-19 permanecem em níveis baixos na maior parte do país, sem indicação de crescimento expressivo no Rio Grande do Norte neste momento.

Em âmbito nacional, mais de 70 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave já foram notificados em 2026. Entre os vírus identificados, o rinovírus e o vírus sincicial respiratório seguem liderando as ocorrências, especialmente entre crianças, grupo considerado mais vulnerável às complicações respiratórias.

BLOG DO ROBSON PIRES

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