segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lula inicia novo mandato sob pressão: dívida pública cresce, juros seguem elevados e economia perde fôlego

Dívida em alta, inflação acima da meta e desaceleração econômica colocam as contas públicas no centro do debate sobre o próximo governo.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva traz novos desafios para a economia brasileira. A dívida pública continua avançando, as expectativas de inflação permanecem acima da meta e o crescimento econômico projetado para os próximos anos aponta para uma desaceleração.

A dívida bruta do governo geral deve encerrar 2026 em aproximadamente 83,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 71,7% em 2022. O aumento evidencia a pressão sobre as contas públicas e amplia o debate sobre a sustentabilidade da política fiscal.

Durante a campanha, Lula defendeu medidas de valorização do salário mínimo e a manutenção dos programas sociais. Em um comício em Curitiba, também criticou a busca pelo superávit fiscal, classificando-a como “babaquice”. As declarações alimentaram questionamentos sobre o equilíbrio entre a ampliação dos gastos sociais e o compromisso com a responsabilidade fiscal.

Juros elevados e crescimento mais lento

O cenário econômico segue marcado por juros altos, inflação persistente e expectativas moderadas de crescimento. Segundo as projeções do mercado financeiro divulgadas pelo Banco Central em 26 de outubro, a taxa Selic deve encerrar 2026 em 13,25% ao ano e chegar a 11,75% no fim de 2027.

Para o PIB, a expectativa é de crescimento de 1,8% em 2026 e de aproximadamente 1,31% em 2027. Já a inflação medida pelo IPCA deve ficar em 5,19% neste ano e avançar para 4,34% em 2027, permanecendo acima do centro da meta, fixado em 3%.

O mercado de trabalho, por sua vez, apresenta um quadro mais favorável, com desemprego em níveis historicamente baixos. Ainda assim, a desaceleração econômica e o custo elevado do crédito representam riscos para a continuidade desse desempenho.

O impacto no bolso dos brasileiros

A manutenção de juros elevados encarece financiamentos, dificulta o acesso ao crédito e pode desestimular investimentos empresariais. Com o tempo, esses efeitos podem atingir a produção, o consumo e a geração de empregos.

O desafio do próximo governo será conciliar a manutenção das políticas sociais com medidas capazes de estabilizar a dívida pública, controlar a inflação e criar condições para um crescimento econômico sustentável.

A equipe econômica terá de demonstrar, por meio de resultados concretos, que suas metas fiscais são viáveis. Para os investidores e analistas, a credibilidade da política econômica dependerá não apenas das promessas, mas também das medidas adotadas para conter o avanço das despesas e melhorar as perspectivas para as contas públicas.

O desafio de Lula será transformar promessas de crescimento e inclusão social em resultados econômicos duradouros, sem ampliar os desequilíbrios fiscais nem comprometer o poder de compra da população.

Fonte: Folha de S.Paulo — Mercado: Desafios econômicos de Lula a partir de 2027

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