Secretário de Fomento, José Paulo Martins, o ministro da Cultura,
Roberto Freire, e o secretário executivo, João Batista de Andrade, em
coletiva de imprensa (Foto: Graziele Frederico/G1)
O Ministério da Cultura anunciou nesta terça-feira (21) a criação de um
teto para liberação de recursos pela Lei Rouanet. A legislação permite a
captação de verbas para projetos culturais por meio de incentivos
fiscais para empresas e pessoas físicas. Pelas novas regras, o limite
será de R$ 700 mil para pessoas físicas e microempreendedores, e R$ 10
milhões para grandes empresas.
Os cachês individuais também não poderão ultrapassar R$ 30 mil por
artista. Todas as despesas dos produtores serão pagas com cartões e
lançadas automaticamente no Portal da Transparência. Pela regra antiga
não havia limite de captação de recursos e isenção fiscal.
Os produtos gerados a partir da Lei Rouanet também vão sofrer mudança.
Livros e ingressos deverão ter valor médio de R$ 150. Antes o valor
limite era de R$ 200. Na prática, uma peça de teatro pode custar bem
mais caro do que R$ 150, mas se o valor médio (considerando também o
número de meias em relação ao total de ingressos comprados) ficar até
este limite, está autorizado.
Por exemplo, uma peça de teatro pode custar R$ 300, mas fazendo a média
com número de cadeiras de estudantes, o valor médio abaixa para R$ 150.
As regras ainda estabelecem que os lucros do produtor cultural não
poderão ultrapassar o índice de 20% do total do valor aprovado para o
projeto. Estão isentos dos limites de captação projetos que trabalhem
com área de patrimônio e museologia.
"Garantir a continuidade da Lei Rouanet foi nossa prioridade zero e isso significava responder às críticas feitas à lei. Algumas corretas e outras advindas de uma demonização que ocorreu logo após o período do impeachment", afirmou o ministro da Cultura, Roberto Freire.
"Decidimos que talvez pudéssemos responder a esse desgaste do
ministério e da Lei Rouanet internamente por meio de uma instrução
normativa, que foi construída com a ideia de que não vamos engessar a
lei. Se não funcionar, podemos mudar novamente", completou Freire.
O novo ministro da Cultura, Roberto Freire, em Brasília (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Segundo o Ministério da Cultura, o objetivo é trazer maior controle
sobre a gestão e aproveitamento dos recursos destinados para incentivar a
cultura.
De acordo com a nova resolução, que substitui as regras aprovadas em
2013, o ministério vai priorizar projetos que já tenham captado 10% dos
recursos do orçamento aprovado. Na opinião do governo, essas são
propostas com maior chance de serem executadas. Atualmente, um a cada
quatro projetos consegue patrocínio suficiente para começar a fase
preparatória e ser considerado executável pelos pareceristas do
ministério.
Os repasses da pasta foram alvos de uma operação da Polícia Federal deflagrada em junho de 2016, a Operação Boca Livre,
que segue investigando a liberação de R$ 180 milhões em projetos
fraudulentos com recursos da lei. Em 2016, a Lei Rouanet aprovou
projetos no valor total de R$ 1,142 bilhão.
"Nós vinculamos a prestação de contas em tempo real. Isso é um grande
avanço porque a gente vai responder a uma responsabilidade que foi feita
no ministério. Temos um passivo de quase 18 mil projetos com análise da
prestação de contas pendentes. Esperamos que isso não gere outras
'Bocas Livre', mas com um passivo desses não podemos garantir", afirmou
Freire.
Agentes carregam malotes na sede da Polícia Federal em São Paulo, na
operação que apura fraudes na Lei Rouanet (Foto: Rafael Arbex/Estadão
Conteúdo)
Descentralizar
Outro ponto da resolução desta terça (21) é o incentivo para projetos
que forem realizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.
Em 2016, o ministério informou que 93,3% das liberações de recursos
pela Lei Rouanet foram para projetos no Sul e Sudeste. A mesma
concentração foi registrada nos dois anos anteriores.
Para reduzir esse índice de desigualdade, o limite de orçamento poderá
ser 50% maior caso o produtor cultural apresente algum projeto a ser
realizado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.
Atualmente, os números do ministério mostram que enquanto 62% dos
projetos beneficiados se concentram na região Sudeste; o Nordeste conta
com 8,13% dos favorecidos e Centro-Oeste e Norte com 3,5% e 1,2%
respectivamente.
Por Graziele Frederico, G1 DF
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