terça-feira, 29 de maio de 2018

Greve dos caminhoneiros chega ao 9° dia e agrava a falta de combustíveis, alimentos, remédios e transporte público em Goiás Segundo CMTC, transporte coletivo opera seguindo horários do período de férias; PRF registrou diminuição média de 70% do tráfego nas rodovias federais goianas.



A greve de caminhoneiros contra a alta do diesel chegou ao 9º dia, nesta terça-feira (29), agravando a situação de serviços como transporte coletivo e a distribuição de itens como gás, combustíveis, alimentos e remédios em Goiás. As consequências do protesto se devem ao fato de bloqueios em rodovias impedirem o tráfego de caminhões, responsáveis por grande parte do abastecimento das cidades (veja abaixo como estão os principais serviços em Goiás).
Os passageiros que precisam utilizar o transporte coletivo em Goiânia, nesta manhã, enfrentavam espera e veículos lotados. De acordo com a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), os ônibus estão seguindo a planilha de horários seguidas no período de férias, o que representa uma frota até 40% menor em determinadas linhas.
Caminhoneiros em greve contra alta do diesel fazem carreata em Anápolis (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Caminhoneiros em greve contra alta do diesel fazem carreata em Anápolis (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Caminhoneiros em greve contra alta do diesel fazem carreata em Anápolis (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
No Terminal Praça A, no Setor Campinas, às 5h30 a movimentação de passageiros já era intensa. Usuários do transporte coletivo relatavam espera de até 30 minutos por conta da redução da frota. No pátio do terminal, era possível encontrar alguns veículos estacionados, situação atípica em horários de pico de dias úteis na capital goiana.
número de pontos de protesto com bloqueios para caminhões subiu para 79 em Goiás. De acordo com as polícias rodoviárias Estadual e Federal, são 52 trechos de manifestação em rodovias estaduais e 27 em estradas federais. A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) divulgou nota em que pede medidas emergenciais para o fim da paralisação.
Em Jussara, no noroeste do estado, caminhoneiros barraram uma escolta policial que transportava dois caminhões com combustível. O bloqueio aconteceu por volta das 10h, na BR-070. Manifestantes sentaram na pista, na frente dos veículos, e impediram que eles chegassem a até um dos quatro postos da cidade. Não houve confronto. Ao todo, já foram feitas 112 escoltas.
Caminhoneiros sentam em rodovia e barram escolta policial que acompanhava combustível
O protesto também afetou as redes privadas e públicas de ensino. A UFG e Fasam suspenderam as aulas nesta terça-feira. O governo estadual decretou recesso.
A situação das indústrias também se agravou nesta terça-feira. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), das 23 mil indústrias do estado, 50% pararam a produção por conta da falta de combustíveis. De 13 indústrias farmacêuticas de Anápolis, 5 estão parcialmente paralisadas por conta da falta de uniforme descartável, frascos para embalar os produtos e óleo para aquecer as caldeiras.
Metade das indústrias de Goiás para de funcionar e acumula prejuízos de R$ 500 milhões

Veja os principais reflexos da greve dos caminhoneiros:

Aeroporto

  • O Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, segue operando normalmente. Para esta terça-feira, havia 44 decolagens previstas, além de 34 pousos. Nenhum voo havia sido cancelado até as 8h30.
  • Terminal não está na lista de aeroportos com falta de combustíveis, divulgada às 8h05 desta terça-feira pela Infraero;

Alimentação

  • Estoque de batata da Ceasa acabou, nesta terça-feira (29); Frutas finas, como kiwi e lichia correm risco de acabar;
  • Supermercados começam a ficar com prateleiras vazias; Associação diz que frutas e carnes são produtos que mais faltam;
  • Bares e restaurantes podem fechar em até dois dias por falta de alimentos;
  • Sem pão, carne e hortaliças, Restaurante Popular de Aparecida de Goiânia e três unidades do Madero fecharam as portas;

Combustíveis e gás de cozinha

Comércio

  • A Associação Empresarial da Região da 44 (AER 44) calcula que o protesto dos caminhoneiros contra a alta do diesel fez diminuir em 40% o movimento na região da Rua 44. A queda está relacionada ao cancelamento de excursões de todo o país que viajam para fazer comprar no local.

Educação

Indústria

Judiciário

Limpeza Urbana

  • Coleta de lixo seguia em Goiânia normalmente na manhã desta terça-feira. Comurg, responsável pela limpeza urbana na capital, informou que os veículos que fazem a coleta de lixo orgânico da capital têm reserva de óleo diesel garantida até quarta-feira (30).
Coleta de lixo sendo feita nesta terça-feira no Setor Bela Vista, em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1)Coleta de lixo sendo feita nesta terça-feira no Setor Bela Vista, em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1)
Coleta de lixo sendo feita nesta terça-feira no Setor Bela Vista, em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/G1)

Rodovias

Saúde

  • Conforme a Prefeitura de Goiânia, as ambulâncias do Samu têm combustíveis garantidos até sábado (2).
  • O Governo de Goiás informou que algumas unidades do interior tiveram de suspender cirurgias eletivas pela ausência de insumos. Os estoques nos hospitais da capital são suficientes para atender as necessidades até sábado (2).
  • Em Aparecida de Goiânia, todos os veículos da frota do município estão sendo abastecidos com 15 litros, para poder priorizar as ambulâncias e de carros de transporte de passageiros em tratamento.
  • Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto estão com postos de saúde fechados. O transporte de pacientes está sendo feito só em casos de urgência;
  • Farmácias do estado começaram a registrar falta de alguns remédios e baixa nos estoques dos produtos.

Transporte coletivo

  • Ônibus da Grande Goiânia operam, nesta terça-feira, utilizando a planilha de horários do período de férias, o que provoca uma redução de até 40% na frota de veículos de algumas linhas de ônibus;
  • Eixo Anhanguera, que liga as regiões leste e oeste de Goiânia, segue operando normalmente. Metrobus, que opera a linha, diz que não houve redução no número de ônibus.

Transporte particular

Passageiros enfrentam espera de até 30 minutos para embarque no Terminal Praça A, em Goiânia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)Passageiros enfrentam espera de até 30 minutos para embarque no Terminal Praça A, em Goiânia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
Passageiros enfrentam espera de até 30 minutos para embarque no Terminal Praça A, em Goiânia (Foto: TV Anhanguera/Reprodução)
    Por Murillo Velasco e Raquel Morais, G1 GO

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