O corregedor nacional de Justiça e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Campbell, afirmou que considera sua remuneração incompatível com a carga de trabalho exercida na Corte. A declaração foi dada durante entrevista concedida ao canal STF em Foco, durante o Fórum de Lisboa, evento que contou com a participação de diversas autoridades do meio jurídico e político brasileiro.
Ao comentar o volume de processos analisados ao longo de sua carreira, Campbell destacou a complexidade das atividades desempenhadas pelos ministros dos tribunais superiores e defendeu que a remuneração deveria ser proporcional às responsabilidades exercidas.
“Eu não tenho a remuneração à altura dos milhares de processos que eu julgo no Superior Tribunal de Justiça. Eu desafio um juiz fora do Brasil que tenha se aproximado a essa cifra. Não invejo, não sei se julguei bem todos os 130 mil processos, não. Mas me esmerei o que pude. E deveria, sim, receber um salário à altura do que eu trabalho pelo país”, declarou o ministro.
A fala repercutiu nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os vencimentos no Poder Judiciário, especialmente diante dos valores recebidos por integrantes dos tribunais superiores.
De acordo com informações disponíveis no Portal da Transparência do STJ, Mauro Campbell recebeu aproximadamente R$ 141 mil líquidos em abril de 2026. Em março, a remuneração líquida registrada foi de cerca de R$ 122 mil, enquanto em fevereiro o valor alcançou aproximadamente R$ 127 mil. Somados, os rendimentos líquidos dos três meses ultrapassam R$ 390 mil.
As declarações do ministro ocorrem em um momento em que o debate sobre remuneração no serviço público, teto constitucional e benefícios pagos a integrantes do Judiciário segue em evidência no cenário nacional.
A discussão divide opiniões. Enquanto defensores argumentam que a complexidade das funções e a elevada carga de trabalho justificam remunerações diferenciadas, críticos apontam que os valores recebidos por membros das cortes superiores já estão entre os mais elevados da administração pública brasileira.
O tema continua gerando repercussão e deve permanecer no centro das discussões sobre transparência, eficiência e remuneração no setor público.
Fonte: Dayane Lima – Poder360, reproduzido pela página Isso Precisa Virar Lei.
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