A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini, novo desdobramento das investigações que apuram supostos esquemas de venda de sentenças e lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Entre os alvos da operação estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL). As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e integram uma fase complementar da Operação Sisamnes, que investiga possíveis irregularidades envolvendo decisões judiciais.
De acordo com a Polícia Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de determinações para quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. As diligências têm como objetivo aprofundar a apuração sobre possíveis práticas de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
Dirceu dos Santos está afastado de suas funções desde março deste ano por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo as investigações, análises patrimoniais teriam identificado evolução financeira considerada incompatível com os rendimentos oficialmente recebidos pelo magistrado ao longo da carreira.
Entre os bens sob análise está um apartamento localizado no bairro Duque de Caxias, área nobre de Cuiabá. Conforme documentos citados na investigação, o imóvel teria sido adquirido por meio de permuta envolvendo o desembargador e o deputado estadual Faissal Calil.
A relação entre os dois também é objeto de interesse dos investigadores. Antes de ingressar na vida política, Faissal atuou no gabinete de Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018. No ano seguinte, foi eleito deputado estadual, assumindo o mandato em 2019.
As autoridades também analisam informações patrimoniais apresentadas pelos investigados em documentos oficiais e declarações prestadas aos órgãos competentes.
Na semana anterior à deflagração da Operação Gemini, o CNJ já havia determinado o afastamento cautelar do desembargador e autorizado diligências da Polícia Federal em seu gabinete no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Segundo informações divulgadas pela investigação, a análise dos sigilos bancário e fiscal apontou movimentações e evolução patrimonial consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados.
A Polícia Federal ressalta que as investigações seguem em andamento e que os fatos ainda serão analisados pelas instâncias competentes. Os investigados terão assegurados o direito à ampla defesa e ao contraditório durante todo o processo.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder pelos crimes apurados no curso da investigação.
Fonte: Pedra 90 News
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