Uma ala mais pragmática do Partido dos Trabalhadores defende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assuma, desde a campanha eleitoral, o compromisso com uma agenda de responsabilidade fiscal caso conquiste um eventual quarto mandato.
A estratégia, porém, seria evitar a expressão “ajuste fiscal” no discurso eleitoral. A avaliação entre os articuladores é que o termo pode gerar resistência dentro da própria base política e dificultar a comunicação com o eleitorado, especialmente em uma campanha marcada por promessas de redução das desigualdades e ampliação das políticas sociais.
Nos bastidores, a avaliação seria de que Lula reconhece a necessidade de melhorar a trajetória das contas públicas e que medidas de contenção de despesas poderão ser necessárias no início de um eventual novo governo. A ideia seria implementar parte dessas medidas já nos primeiros meses de 2027, em vez de adiar o enfrentamento do problema fiscal.
O debate ocorre em meio a sinais de que a política econômica de um eventual quarto mandato deverá buscar maior previsibilidade para as contas públicas. O coordenador do programa de governo de Lula, José Sergio Gabrielli, já afirmou que o novo plano deverá discutir o arcabouço fiscal e os desafios econômicos do próximo mandato.
Ao mesmo tempo, o governo já sinalizou que pretende continuar promovendo ajustes fiscais em 2026, mesmo durante o período eleitoral. Segundo o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello, medidas de contenção de despesas e aperfeiçoamento das receitas continuarão sendo adotadas, com mecanismos adicionais previstos para o Orçamento de 2027.
O desafio político para Lula, portanto, será conciliar duas mensagens: manter o discurso de crescimento econômico e proteção social durante a campanha e, ao mesmo tempo, transmitir ao mercado e ao Congresso a disposição de enfrentar o desequilíbrio das contas públicas caso permaneça no Palácio do Planalto por mais quatro anos.
Fonte: informações de bastidores
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