O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira (17), em meio a uma grave crise financeira que levou a empresa a declarar R$ 17,3 bilhões em dívidas. O pedido foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e envolve dez empresas do grupo, incluindo as marcas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e Bartira.
A crise já provocou uma ampla reestruturação da operação. A companhia anunciou o fechamento de aproximadamente 298 lojas e cortes no quadro de funcionários. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, cerca de 2 mil trabalhadores foram inicialmente atingidos, enquanto o número de demissões pode chegar a 3 mil.
Do total da dívida apresentada no processo, aproximadamente R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários. O passivo inclui ainda cerca de R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões com microempresas e empresas de pequeno porte.
Entre os fatores que contribuíram para o agravamento da situação financeira estão os juros elevados, a restrição de crédito, o aumento dos custos operacionais e a dificuldade de acesso a novas fontes de financiamento. A companhia também enfrenta os efeitos acumulados de investimentos realizados nos últimos anos, além das consequências da pandemia e da deterioração do cenário econômico para o varejo.
O quadro se agravou no segundo trimestre de 2026, quando o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 10,1 bilhões. Parte significativa desse resultado, segundo as informações divulgadas sobre o balanço, está relacionada a efeitos não recorrentes, baixas contábeis e custos associados à reestruturação.
A recuperação judicial tem como objetivo permitir que a companhia reorganize suas dívidas e preserve a continuidade das operações. Entre as medidas buscadas pela empresa estão a suspensão temporária de execuções contra o grupo, a liberação de recursos retidos por instituições financeiras e a manutenção do abastecimento das lojas e dos canais de venda.
A situação também já começa a afetar diretamente a operação. Com a restrição de crédito, a empresa enfrenta dificuldades para recompor estoques e chegou a buscar uma linha de financiamento de aproximadamente R$ 1 bilhão para reforçar o capital de giro durante o processo de recuperação judicial.
A crise representa um dos momentos mais delicados da história recente da companhia. O Grupo Casas Bahia havia realizado, em 2024, um processo de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. Agora, diante de um passivo muito maior, a empresa busca uma nova reestruturação para tentar recuperar a capacidade financeira e manter suas atividades.
Fonte: Folha de S.Paulo
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