segunda-feira, 17 de agosto de 2026

“Nosso futuro é Suíça”: PF encontra mensagens de Lulinha sobre negócios e articulações com lobista investigada





A Polícia Federal encontrou mensagens trocadas entre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada no caso das fraudes envolvendo descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os diálogos, identificados pelos investigadores no celular de Roberta e revelados nesta segunda-feira (17) pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, tratam de negócios, contatos no governo federal e reuniões com integrantes próximos ao núcleo da Presidência da República.

Segundo a reportagem, o conteúdo das conversas indica que Lulinha não apenas tinha conhecimento das atividades empresariais de Roberta, mas também participava de discussões relacionadas a negócios, ajudava a coordenar agendas e esteve envolvido em reuniões mencionadas nas mensagens.

Em uma das conversas analisadas pela PF, Roberta escreveu a Lulinha: “Nosso futuro é Suíça”, em uma referência que passou a integrar o conjunto de mensagens analisadas pelos investigadores. O conteúdo dos diálogos é agora utilizado para esclarecer a natureza da relação entre os dois e as eventuais articulações realizadas junto a integrantes do governo.

Roberta Luchsinger é investigada por suspeitas relacionadas a tráfico de influência e por supostamente utilizar sua proximidade com Lulinha para ampliar o acesso a integrantes do governo federal. Segundo informações divulgadas anteriormente, a empresária também recebeu R$ 1,5 milhão de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um dos principais investigados no esquema de fraudes envolvendo descontos em benefícios previdenciários.

As mensagens acrescentam novos elementos à investigação sobre os vínculos entre Lulinha, Roberta e pessoas relacionadas ao esquema investigado pela Polícia Federal. O material deverá ser analisado pelos investigadores para determinar se as conversas representam apenas relações empresariais e pessoais ou se houve alguma atuação irregular junto ao governo.

A defesa de Lulinha, por sua vez, contestou a divulgação das conversas e classificou o episódio como mais um vazamento de informações da investigação. Roberta Luchsinger também já negou, em depoimento à Polícia Federal, ter repassado valores a Lulinha.

O conteúdo das mensagens, portanto, ainda faz parte de uma investigação em andamento. A existência dos diálogos e das tratativas mencionadas nas conversas não significa, por si só, que tenha ocorrido crime, cabendo às autoridades apurar a finalidade das negociações e eventual existência de irregularidades.

Fonte: coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles

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