terça-feira, 15 de setembro de 2026

Gakiya alerta para transformação do crime organizado: “O crime trocou o revólver pela planilha”

 

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, afirmou que as grandes organizações criminosas passaram por uma profunda transformação e hoje atuam cada vez mais inseridas na economia formal.

Durante o CB Talks Segurança para o Desenvolvimento do Brasil, promovido pelo Correio Braziliense nesta terça-feira (15), Gakiya resumiu a mudança de estratégia das facções com uma frase: “O crime trocou o revólver pela planilha.”

Segundo o promotor, grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) passaram a adotar estruturas semelhantes às de grandes empresas, com setores financeiros, jurídicos, de transporte e outras áreas de atuação. A estratégia inclui a utilização de empresas legalmente constituídas e a disputa por espaços na economia formal, inclusive contratos públicos.

Gakiya destacou que o combate ao crime organizado, portanto, não pode se limitar à apreensão de drogas, armas e à prisão de integrantes das facções. Para ele, as investigações precisam acompanhar o fluxo financeiro, a composição societária das empresas e os mecanismos utilizados para ocultar a origem dos recursos.

O promotor também alertou para o risco de concorrência desleal provocado pela entrada de dinheiro proveniente de atividades criminosas na economia formal. Segundo sua avaliação, recursos do tráfico podem ser incorporados a negócios lícitos, dando às empresas ligadas às organizações criminosas uma vantagem financeira sobre concorrentes que operam regularmente.

Diante desse cenário, Gakiya defendeu maior integração entre órgãos públicos e a iniciativa privada, com atuação coordenada de forças de segurança, Ministério Público, órgãos de fiscalização e instituições financeiras.

Na avaliação do promotor, o avanço das facções exige uma mudança na forma de enfrentamento: é preciso atingir não apenas quem executa o crime, mas também a estrutura financeira e empresarial que permite sua expansão.

Fonte: Correio Braziliense

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