quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Produtora de “Dark Horse” diz ter sido pressionada a delatar e afirma: “Não tenho nada para delatar”

 

Alvo da operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (10) para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos e a produção do filme Dark Horse, a produtora Karina Gama afirma ter sido ameaçada e pressionada a fazer uma delação premiada.

Em declaração à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Karina disse que teme ser presa, mas sustenta que não teria informações a fornecer às autoridades. Segundo ela, caso fosse obrigada a fazer um acordo de colaboração, teria de admitir irregularidades que afirma não ter cometido.

“Se eu não fizesse uma delação premiada, assumindo que alguma irregularidade teria ocorrido na produção do filme, o que seria equivalente a dizer mentiras, eu poderia ser alvo de operações policiais contra a minha pessoa”, afirmou a produtora.

Karina também relatou ter se sentido ameaçada e contou que pessoas que se apresentaram como oficiais de Justiça teriam ido à sua residência à noite, sem apresentar documentos. Segundo o relato, fornecedores de suas empresas e familiares também teriam sido procurados.

A produtora afirma que colaborou com as investigações desde o início e que entregou documentos solicitados pela Polícia Federal. Ela nega ter participado da captação de recursos para o filme e diz que sua atuação se limitou à produção da obra.

A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Karina Gama e o deputado federal Mario Frias estão entre os alvos. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares e possíveis irregularidades na utilização dos valores destinados a projetos ligados às entidades comandadas pela produtora.

O caso ganhou ainda mais repercussão porque há uma investigação paralela, sob relatoria do ministro André Mendonça, sobre recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de Dark Horse. Flávio Bolsonaro não é alvo da operação desta quinta-feira, mas é investigado nesse outro procedimento por ter solicitado recursos a Vorcaro para o filme.

A declaração de Karina acrescenta um novo elemento à crise política e jurídica em torno do filme: além das suspeitas investigadas pela PF, surge agora a alegação da produtora de que estaria sendo pressionada a colaborar por meio de uma delação que, segundo ela, não teria fundamento.

Fonte: Mônica Bergamo, Folha de S.Paulo

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