sábado, 26 de março de 2016

Odebrecht, a vitamina maior para a Lava Jato

A Odebrecht é a bola da vez em Brasília. Lá, só se fala nela, embora os fatos que tanto mexem com o sono de alguns venham de Curitiba.
E de Curitiba vem a última: um advogado com trânsito nos bastidores da Lava Jato conta que Marcelo Odebrecht não vai fazer acordo de delação premiada. Já fez e já delatou.
Pelo que teria dito, a República vai tremer. De A a Z, como diz Rui Costa, com peixes graúdos de todos os naipes, melados.
Ora, delação à parte, um documento apreendido pela PF no escritório da empresa no Rio, na 23ª fase da Lava Jato, mostra os humores da direção da empresa, acusa procuradores do MPF de proteger políticos com mandato para não perder a alçada das investigações e dos julgamentos em curso.
A análise, feita para consumo interno da empreiteira, diz que os procuradores 'querem julgar rapidamente os empresários como os responsáveis pelas mazelas da corrupção no país, tornando-se heróis da pátria, julgando somente uma parte do problema, como se esta fosse causa principal'.
E conclui: 'Talvez porque considerem que a verdadeira causa, que será julgada pelo STF, vai acabar em pizza'.
A verdadeira causa são os políticos, óbvio.
Contumazes — Este mesmo advogado, o que circula pela Lava Jato, diz que os apelidos colocados pela Odebrecht são engraçadinhos, mas revelam outra faceta da questão: só tinha apelido quem já era freguês.
A vida muda — Da série a vida muda: o discurso preferencial do PT, o de que o impeachment é golpe, recebeu séria bordoada do ministro Dias Toffoli, do STF, para quem não há golpe algum, já que se trata de instrumento previsto na Constituição.
O episódio foi lembrado por um petista top, em tom de lamento:
— Justo o Toffoli, que já foi advogado do PT.
"O ator quando entra em cena é um rei, não pode ser peitado por um negro filho da puta que sai da plateia. Não pode"
Cláudio Botelho, ator que durante o Espetáculo 'Todos os Musicais de Chico Buarque', em BH, atacou Lula e Dilma e foi xingado pela plateia, em áudio divulgado na internet
Pelo certo
Um grupo de 34 professores da Faculdade de Direito da UFBa divulgou manifesto sobre o momento do país. Pede, sobretudo, pleno respeito ao estado de direito no seu sentido mais verdadeiro, e não midiático.
União petista
Everaldo Anunciação, presidente do PT na Bahia, produziu o seu primeiro bom feito com vistas as eleições de outubro: uniu o partido em Vitória da Conquista em torno do deputado Zé Raimundo, algo que parecia impossível ante a resistência do prefeito Guilherme Menezes, que apoiava o secretário Odyr Freire.
O PT governa Conquista há 20 anos. Manter-se na terceira maior cidade da Bahia, já que nunca teve as duas maiores, Salvador e Feira, é questão de honra para os petistas.
Segundo turno — O deputado Fabrício Falcão (PCdoB) também é candidato e não abre, mas também já disse que num eventual segundo turno fica com o PT. Hoje, o líder das pesquisas lá é o deputado Herzem Gusmão (PMDB), que também tenta unir a oposição.
POUCAS & BOAS
* A Eurasian Natural Resources Corporation (ENRC) e a Zamin fecharam acordo judicial, pendenga que corria em Londres, referente à aquisição da mineradora Bamin, dona das minas de ferro de Caetité. A Zamin cobrava da ENRC algo em torno de US$ 300 milhões. O teor do acordo não foi divulgado, mas a ENRC se diz aliviada. A esperança agora é que a Fiol se torne realidade.
* Corrigindo: o deputado Manassés saiu do PSB e foi para o PSL, não PSD, como dissemos. E o filho, Manassés Júnior, que estava ameaçado de expulsão no PSB, também já seguiu o mesmo caminho.
POLÍTICA COM VATAPÁ
O aparte
Conta Biaggio Talento no livro Nestor Duarte - Paladino da Liberdade que numa sessão da Câmara em 1958, quando o Brasil jogava uma partida da Copa do Mundo na Suécia, em que se sagraria campeão pela primeira vez, transcorria a sessão com a presença de apenas dois deputados, o que presidia e o deputado padre Arruda Câmara, com 60 minutos para discursar sobre o tema que mais gostava, criticar o projeto do divórcio do colega Nelson Carneiro.
Os outros colegas estavam na sala do cafezinho acompanhando o jogo pelo rádio. Num determinado momento o deputado Nestor Duarte, defensor do divórcio e adversário ferrenho de Arruda, irrompeu no plenário e no microfone pediu:
— Vossa Excia me permite um aparte?
O orador concordou:
— Solicitei o aparte só para comunicar que o Brasil acaba de marcar o primeiro gol.
Arruda Câmara retrucou:
— Agradeço a Vossa Excia, que vem emprestar grande serenidade ao modesto discurso do orador.

 
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