Simulações feitas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de
São Paulo (Sabesp) mostram que, mesmo se a seca registrada em 2014 se
repetir nos próximos meses, o Sistema Cantareira não voltará a operar no
volume morto neste ano. No pior cenário hidrológico projetado pela
estatal, com as vazões mais baixas da história, o manancial chegaria em
dezembro com 3% da capacidade normal, um pouco melhor do que no fim de
2015, quando o nível era zero, mas abaixo do índice de segurança (20%).
O
presidente da Sabesp, Jerson Kelman, considera improvável que ocorra
neste ano a repetição da pior estiagem da história do Cantareira em 85
anos de registros, mas diz que, se o fenômeno voltar a acontecer, a
companhia está mais preparada para manter o abastecimento de cerca de 20
milhões de pessoas na Grande São Paulo por causa das obras executadas
durante a crise hídrica e da menor retirada de água do sistema, 25%
abaixo do praticado antes do início da crise, em 2014.
Naquele
ano, a entrada média de água nos reservatórios do principal manancial
ficou 74% abaixo da média histórica, o que ajudou a empurrar o sistema
para o volume morto, a reserva profunda das represas, a partir de maio, e
levou a Sabesp a intensificar o racionamento com a redução da pressão
na rede a partir de outubro. A situação hidrológica só melhorou a partir
de fevereiro de 2015, fazendo com que o Cantareira recebesse no segundo
ano da crise o dobro do volume de água de 2014, mas, ainda assim, 48%
abaixo do esperado.
Segundo a Sabesp, se este cenário de
2015 se repetir, o manancial chega ao fim deste ano com 7,8% da
capacidade normal, acima de zero. Nas duas simulações o nível ficaria
abaixo dos 20% definidos como meta mínima de armazenamento para dezembro
pela Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal, e pelo
Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), do governo
paulista, ambos reguladores do sistema.
Entre janeiro e
abril deste ano, a vazão afluente às represas do manancial ficou apenas
12% abaixo da média. As projeções mostram que se o cenário se mantiver
nos próximos meses, o Cantareira chegaria no final do ano com 37,6% da
capacidade, um pouco acima do nível atual. Ontem, o nível de água
armazenada no sistema subiu de 65,2% para 65,4% - sem considerar o
volume morto, passou de 35,9% para 36,1%. Todas as simulações foram
feitas pela Sabesp com a manutenção da retirada atual de água em 23 mil
litros por segundo até dezembro.
Os números são usados
pela Sabesp para reiterar a afirmação de que a crise hídrica acabou,
conforme o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou em março após uma
sequência de cinco meses chuvosos, mesmo após o recorde histórico de
falta de chuva registrado em abril. Para técnicos da companhia, o
manancial voltou à normalidade. "Abril não choveu nada e a vazão ficou
muito acima da vazão de 2014 e 2015 porque o lençol (freático) está
carregado. O nível está se mantendo, diferentemente de 2015, quando
chovia e o nível continuava caindo", disse o diretor metropolitano da
Sabesp, Paulo Massato.
Racionamento
Ele
afirma que é possível manter a atual retirada de água do Cantareira em
23 mil l/s - antes da crise eram 31 mil l/s - e "não há neste momento um
risco iminente" de voltar ao racionamento praticado entre 2014 e 2015,
quando a produção do manancial caiu para 13 mil l/s.
"Claro
que, se o cenário daqui para a frente for de total ausência de chuvas,
como foi abril, lá pelo mês de agosto ou setembro teremos de tomar
alguma providência. Não agora, porque as vazões afluentes estão boas se
comparadas com os últimos dois anos", disse o diretor.
Segundo
ele, mesmo que ANA e DAEE determinem uma pequena redução da exploração
do Cantareira para atingir a meta de 20% ao fim do ano, há margem para
remanejar água de outros sistemas dentro da rede, como Guarapiranga e
Alto Tietê, sem precisar retomar o racionamento durante o dia - hoje a
redução da pressão está concentrada à noite e de madrugada. "O consumo
de água da população hoje é menor do que em 2014. Está equilibrado. Se
precisar retirar mais dos outros sistemas a gente tira", disse Massato.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Veja os citados na pesquisa Exatus para deputado federal no RN
Faltando pouco mais de cinco meses para a eleição, seis em cada dez eleitores do Rio Grande do Norte ainda não decidiram em quem votar par...
-
De longe, avisto uma mulher sentada em um banco sozinha. Vestida de forma elegante, mas bem simples, ela espera pacientemente pelo horário ...
-
A senadora Simone Tebet (MDB) deve anunciar seu apoio à candidatura de Lula (PT), na tarde de Hoje. Ontem, a senadora teria conversado, po...
-
Brasileirão Série A 16h - América-MG x Internacional - Premiere 16h - Athletico x Goiás - Furacão Live 19h - Atlético-GO x Santos - ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário