O governo do presidente em exercício Michel Temer tem em mãos um
levantamento preliminar de uma centena de novas concessões e 40
renovações de contratos da área de transportes que estão maturados para
serem deslanchados nos próximos dois anos, caso o afastamento definitivo
de Dilma Rousseff seja aprovado pelo Senado. O panorama feito pelas
agências reguladoras aponta investimentos da ordem de R$ 110,4 bilhões
em aeroportos, rodovias, portos e ferrovias.
Essas
concessões que estão na gaveta vão ser embaladas pelo programa Crescer,
que deve ser lançado pela secretaria do Programa de Parceria de
Investimentos (PPI), comandado por Moreira Franco. Vão ser incluídos
também projetos da área de energia e de petróleo.
A meta
da secretaria é fazer ajustes nos projetos que já estavam sendo
estruturados pela equipe da presidente afastada Dilma Rousseff - que
chegou a divulgar boa parte deles dentro do Programa de Investimento em
Logística (PIL), lançado no meio de 2015 - para torná-los mais atraentes
a investidores.
Entre as modificações que devem ser feitas
está a flexibilidade nas taxas de retorno, sempre puxadas para baixo
pela equipe de Dilma, e a ausência obrigatória das estatais Infraero e
Valec nos leilões de aeroportos e ferrovias, por exemplo. Alguns
projetos que estavam sendo estruturados para serem leilões comuns devem
virar Parceria Público-Privada (PPP).
Moreira Franco já
teve as primeiras reuniões esta semana com investidores e a cúpula do
ministério dos Transportes. Também se reuniu várias vezes com os
representantes do movimento empresarial Brasil Competitivo.
O
governo tem urgência em implementar o programa para barrar a queda do
emprego. "Estamos construindo um programa com clareza dos instrumentos
regulatórios", diz Moreira. Segundo ele, o esforço é aumentar a
concorrência para que agentes financeiros e bancos sejam acionados para
participarem do financiamento do longo prazo dos empreendimentos.
Para
o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, um dos retrocessos mais
relevantes, nos últimos anos, no Brasil foi a instabilidade de regras,
que influenciou negativamente os investimentos. "É preciso primeiro ter
previsão de que o investimento será recompensado. E segundo, de que isso
de fato vai acontecer", avalia Meirelles, informando que já recebeu
relatórios de empresas globais e ligações de investidores informando que
estão reativando planos de investimentos que estavam arquivados.
"Intervencionismo na economia e incerteza inflacionaria foram
retrocessos importantes que temos condições de recuperar", prevê.
Rodovias
Em
rodovias, o governo Temer prevê a concessão de 19 novos trechos, sendo
que quatro deles já estariam prontos para fazer parte do primeiro lote
dos leilões, com investimentos estimados em R$ 18,3 bilhões.
Fazem
parte a BR-476/153/282/480, do Paraná a Santa Catarina, para escoar a
produção de grãos, aves e suínos; BR-364, com o objetivo de conectar a
região produtora de grãos do sul de Goiás ao Triângulo Mineiro;
BR-364/060, entre Mato Grosso e Goiás, para escoar a produção do
Centro-Oeste para os portos; e BR-163, entre Mato Grosso e Pará, para o
escoamento de grãos. Também está na lista outras nove renovações, que
poderão gerar R$ 15 bilhões em outorgas e investimentos. Entre elas, a
Nova Dutra, Fernão Dias e Nova Subida para Petrópolis.
Além
dos leilões dos quatro aeroportos - Salvador, Porto Alegre, Fortaleza,
Florianópolis - que já estava engatilhados, com investimentos estimados
em R$ 6 bilhões, o governo Temer prevê que dará tempo de conceder à
iniciativa privada o terminal de Cuiabá. O edital para que as empresas
estruturem a operação já foi aberto.
Em relação aos portos,
são estimados R$ 37,4 bilhões em investimentos com 50 novos
arrendamentos, 63 novos terminais de uso privado e 24 renovações
antecipadas. O primeiro leilão da era Temer será o do terminal de
passageiro de Salvador, que será realizado na terça-feira, 24, na sede
da agência reguladora do setor (Antaq).
Estão previstos
quase R$ 7 milhões em investimentos pela empresa ou consórcio que
arrematar o leilão. Em seguida, virão os terminais de passageiro de
Recife, Natal e Fortaleza.
Estão sendo programadas cinco
novas concessões em ferrovias e seis projetos de renovação, que somariam
R$ 33,7 bilhões. E a promessa de tirar a Ferrogrão do papel continua de
pé. O trajeto seria de Lucas do Rio Verde (MT) a Miritituba (PA), com
investimento estimado de R$ 9,9 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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