Uma das vitrines da área social da gestão petista, programas de
incentivo à educação e à profissionalização - como Pronatec, ProUni e
Fies - não devem abrir novas vagas neste ano. São efeitos imediatos das
medidas de contingenciamento previstas para o Ministério da Educação na
gestão do presidente em exercício Michel Temer. A revisão é parte do que
no novo governo se chama de "herança maldita" da administração da
presidente afastada Dilma Rousseff.
Apesar de em alguns
períodos da era petista ser comandada por ministros de outros partidos, o
Ministério da Educação sempre foi controlado pelo PT. Dentre os
titulares que estiveram à frente da área estão os petistas Tarso Genro,
Aloizio Mercadante e o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.
Interlocutores
do novo ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), disseram ao jornal O
Estado de S. Paulo que ele pretende honrar até o fim as vagas que já
foram contratadas, mas a perspectiva de abrir novas inscrições é apenas
para o ano que vem - com otimismo, para os últimos meses de 2016. O novo
governo assumiu o compromisso de dar continuidade aos programas
educativos iniciados ou fortalecidos na Era PT, mas considera que tem um
desafio ao que afirma ser um dos legados deixados por seus
antecessores: o orçamento do Programa Nacional de Acesso ao Ensino
Técnico e Emprego (Pronatec) já estaria zerado para este ano, a mais de
sete meses do fim.
A decisão de abrir ou não novas vagas -
e, se sim, quantas - para Pronatec, Fies e ProUni depende exclusivamente
de um balanço financeiro que deverá ser realizado pelo ministro. Novos
gestores do MEC têm afirmado que a pasta tem "musculatura" para
administrar grandes projetos, mas esse potencial estaria sendo mal
aproveitado.
Um dos pilares do slogan Pátria Educadora,
escolhido para o segundo mandato de Dilma, é o Fundo de Financiamento
Estudantil (Fies), em que o governo financia o estudo de alunos de baixa
renda em universidades particulares, "emprestando" dinheiro que, após a
formatura, é devolvido pelos beneficiados.
Em 2015, 2
milhões de estudantes estavam matriculados em instituições privadas
graças ao programa, no qual foram investidos R$ 17,8 bilhões.
Um
ponto, contudo, preocupa o ministro, conforme seus interlocutores: a
taxa bancária anual que o MEC paga às instituições para a administração
do programa, hoje na casa do R$ 1,3 bilhão. Mendonça Filho não estaria
disposto a manter esse gasto para o ano que vem - e tem dito aos colegas
que pretende "renegociar" o valor, com a intenção de reverter parte
dele para outros programas em 2017.
Bolsas
Outra
crítica que os funcionários ouvem do ministro é uma suposta
"desorganização e pulverização" dos sistemas de bolsas oferecidas a
estudantes socialmente vulneráveis. Mendonça, de acordo com eles,
gostaria de unificar os critérios de seleção para as bolsas e, no caso
do Programa Universidade Para Todos (ProUni) - menina dos olhos do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, intensificar o que chama de
premissa da meritocracia. Ou seja: para o ministro, a contrapartida do
estudante que recebe dinheiro público para estudar deve ser "apresentar
resultados". Hoje, o ProUni exige apenas que o bolsista tenha
aproveitamento mínimo de 75% das disciplinas cursadas no semestre.
Mais Médicos
Na
área da saúde, o programa Mais Médicos, lançado por Dilma Rousseff,
também deverá cada vez mais reduzir o número de médicos estrangeiros
contratados. Assim que assumiu o posto de ministro da Saúde, o deputado
federal Ricardo Barros (PP) já tinha uma ideia em mente: reduzir a
participação de profissionais estrangeiros no Programa Mais Médicos. De
olho numa aproximação com entidades de classe, Barros avisou que deverá
dar prioridade para profissionais formados no Brasil.
As
mudanças, no entanto, somente terão início a partir do próximo ano,
depois das eleições municipais. Isso porque Barros não quer se indispor
com prefeitos. Médicos estrangeiros - sobretudo cubanos - são campeões
de aprovação dos administradores municipais.
Há vários
motivos para isso: eles estão sempre presentes, o grau de abandono dos
cargos é baixo e, principalmente, não fazem sombra no campo político aos
administradores locais.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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