O ministro das Relações Exteriores, José Serra, começa nesta
segunda-feira, 23, a debater a formação de uma dobradinha com a
Argentina para tentar destravar transações comerciais dentro e fora do
Mercosul. A avaliação no Planalto e no Itamaraty é de que o atual
governo do país vizinho está disposto a fechar mais acordos para
aumentar suas exportações, o que coincide com os objetivos do Brasil.
"Espero
que se possa flexibilizar uma decisão, nascida de um acordo de
ministros, que qualquer acordo bilateral tem de ser necessariamente
referendado pelos demais (países do Mercosul)", afirmou o senador
Aloysio Nunes (PSDB-SP), que estará na delegação. "Isso é uma limitação
séria à autonomia do Brasil." Ele disse imaginar que esse ponto será
tratado por Serra na conversa com a ministra das Relações Exteriores da
Argentina, Susana Malcorra.
"Será feita uma atualização da
relação Brasil-Argentina, aproveitando a grande oportunidade que, pela
primeira vez, os dois países acertaram o passo", disse o embaixador
Sérgio Amaral, que tem atuado como um dos principais conselheiros de
Serra desde que ele foi convidado para assumir o Itamaraty. "Não vai
mais ter uma simpatia tão grande com o mundo bolivariano." Isso passa,
segundo ele, pela eliminação progressiva das restrições às negociações
comerciais do Mercosul com outros mercados.
Essa estratégia
foi acertada em conversas de Serra com o presidente em exercício Michel
Temer, numa nova dinâmica da política externa brasileira. O discurso de
posse do ministro, as notas em que foram rebatidas as críticas dos
países "bolivarianos" ao afastamento da presidente Dilma Rousseff e,
agora, a nova estratégia comercial, foram discutidos pela dupla.
É
uma forma diferente da vista nos governos do PT sob a influência do
então assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia. Na
época, isso gerou avaliações de que havia uma política externa bicéfala.
O interesse de Serra pela política externa é antigo. Seus
interlocutores vão desde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que
já chefiou o Itamaraty, até diplomatas, políticos e pessoas com perfil
mais técnico, como o ex-secretário da Câmara de Comércio Exterior
Roberto Giannetti da Fonseca.
Protesto
Em
sua primeira viagem oficial no comando do Itamaraty, o chanceler
brasileiro chegou ontem à noite a Buenos Aires. Sua comitiva foi
recebida com um protesto ao chegar na Embaixada do Brasil, por volta de
20h.
Um grupo de 35 manifestantes contrários ao
impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff atirou bolinhas de
papel jornal nos três veículos oficiais que chegaram à embaixada
brasileira.
O ato fazia referência a um episódio da
campanha presidencial de 2010, quando em outubro o então candidato
tucano relatou uma agressão após ser atingido por uma bola de papel na
cabeça durante uma caminhada no Rio de Janeiro.
Os
manifestantes também chamaram o ministro de golpista e colaram na região
cartazes com o rosto dele sobre a inscrição "procurado".
Macri
Além
de ser recebido por Susana Malcorra, o chanceler brasileiro vai se
encontrar também com o ministro da Fazenda da Argentina, Alfonso
Prat-Gay, e fará uma visita de cortesia ao presidente Mauricio Macri.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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