A sessão da Câmara Municipal de São Paulo que discutia o Projeto de Lei 354/2026, referente ao reajuste salarial dos servidores municipais, foi marcada por forte tensão, bate-boca e protestos na última quarta-feira. O clima no plenário se agravou após declarações do vereador Lucas Pavanato direcionadas a professores e profissionais da educação que participavam de uma greve contra a proposta apresentada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes.
Durante sua fala em defesa do projeto do Executivo, o parlamentar utilizou termos ofensivos ao se referir aos manifestantes, chamando-os de “vagabundos” e “burros”, o que gerou reação imediata de vereadores da oposição e de servidores que acompanhavam a sessão nas galerias da Câmara.
“Quem faz greve não trabalha, é vagabundo. E se a carapuça serviu, o problema é de vocês”, declarou o vereador durante o debate.
As declarações provocaram protestos e elevaram a tensão no plenário, levando à suspensão temporária da sessão legislativa. Entre os parlamentares que reagiram às falas esteve a vereadora Silvia Ferraro, que criticou duramente o posicionamento do colega.
Nas galerias, manifestantes responderam com palavras de ordem e críticas ao parlamentar, em meio ao clima de forte insatisfação da categoria.
As bancadas do Partido dos Trabalhadores e do PSOL classificaram o reajuste proposto pela Prefeitura como insuficiente, alegando que o percentual oferecido não recompõe sequer as perdas inflacionárias acumuladas.
O Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) também criticou a proposta e confirmou a continuidade da greve dos profissionais da educação.
Outro ponto que ampliou a revolta dos servidores foi a comparação entre o reajuste oferecido aos funcionários públicos e o aumento salarial aprovado anteriormente pelos próprios vereadores. Pelo projeto em discussão, os servidores municipais terão reajuste de 3,51%, parcelado até 2027. Já os parlamentares aprovaram, em 2024, um aumento de 37% nos próprios salários, elevando os vencimentos para mais de R$ 26 mil a partir de 2025.
Fonte: O Liberal.
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