Lançado pelo governo federal para facilitar a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, o programa Move Brasil tem registrado um ritmo de adesão abaixo do esperado. Apesar de disponibilizar R$ 30 bilhões em linhas de crédito, a expectativa dentro do governo é de que apenas uma parte dos recursos seja efetivamente contratada.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo jornal O Globo, mesmo em um cenário considerado otimista, os financiamentos devem atingir cerca de um terço do valor disponível. A projeção mais provável aponta para contratações entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões, montante que representaria aproximadamente o dobro do volume liberado desde o lançamento da iniciativa, em maio deste ano.
Lula critica atuação dos bancos
O desempenho do programa foi tema de uma reunião realizada na terça-feira (28) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo.
De acordo com relatos de participantes do encontro, o presidente demonstrou insatisfação com a atuação das instituições financeiras, avaliando que os bancos estariam impondo dificuldades para conceder os financiamentos, mesmo com os mecanismos de garantia oferecidos pelo governo federal.
A expectativa do Planalto era ampliar o acesso ao crédito para motoristas de aplicativo e taxistas, permitindo a renovação da frota e melhores condições de trabalho para essas categorias.
Avaliações internas divergem
Dentro do próprio governo, entretanto, há avaliações de que a baixa procura pode reduzir significativamente os impactos econômicos esperados pelo programa.
Integrantes da equipe econômica consideram que, diante do baixo volume de contratações, os efeitos sobre consumo, investimento e geração de renda tendem a ser limitados.
Também há quem defenda que os recursos inicialmente destinados ao Move Brasil poderiam ter sido direcionados a outras políticas públicas caso o ritmo de adesão permaneça abaixo das expectativas.
Programa enfrentou debates antes do lançamento
O Move Brasil também foi alvo de discussões durante sua elaboração.
A iniciativa foi articulada pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e passou por debates internos até a definição do formato final.
Agora, com o desempenho abaixo do esperado, o governo acompanha a evolução das contratações e avalia possíveis medidas para ampliar o acesso às linhas de financiamento nos próximos meses.
Fonte: O Globo
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